Na reunião para discutir igualdade, bancários cobram posição da Fenaban sobre campanha

13/08/2020 20:34

A discussão sobre igualdade foi frustrada porque a Fenaban apresentou dados incompletos sobre o Censo da Diversidade. No final da reunião, o Comando Nacional reivindicou que a Fenaban se manifeste sobre as negociações até sexta, 21

A reunião desta quinta-feira, 13, sobre a pauta igualdade, dentro das negociações da Campanha Nacional, não avançou. A discussão, que seria feita a partir do 3º Censo da Diversidade Bancária, ficou emperrada porque os dados foram considerados insuficientes pelo Comando Nacional dos Bancários. O Comando reivindicou a incorporação à Convenção Coletiva de Trabalho do aditivo assinado em março deste ano que dá as diretrizes para a criação de um programa de prevenção à prática de violência doméstica e familiar contra bancárias. No final da reunião, os representantes dos bancários cobraram um posicionamento da Fenaban até o final da próxima semana sobre as negociações.

Carlos Pereira de Araújo (Carlão), membro do Comando Nacional, explicou que a expectativa de fazer a discussão sobre o eixo igualdade, com base nos dados do Censo, ficou comprometida. “Os dados estavam incompletos e não permitiram o debate”. A Fenaban ficou de agendar uma data para fazer uma nova apresentação.

Carlão acrescentou que só a partir de uma análise mais profunda dos dados será possível avaliar se as reivindicações sobre igualdade de oportunidades da categoria avançaram ou não. “As desigualdades envolvendo mulheres, negros, homossexuais e Pessoas com Deficiência (PcDs) são questões muito sensíveis que precisam ser analisadas à luz dos dados coletados pela pesquisa”. Segundo a Fenaban, cerca de 70 mil bancários e bancárias participaram da pesquisa.

Nessa rodada sobre igualdade, o Comando reivindicou a incorporação à CCT do programa de prevenção à prática de violência doméstica e familiar contra bancárias. “Essa questão foi discutida ainda em março, no começo da pandemia”. Segundo Carlão, recente pesquisa feita pelo Dieese com a categoria apontou que os casos de violência contra a mulher se agravaram com a pandemia, com mais bancárias em home office. A pesquisa, que coletou informações de mais de 11 mil bancários, revelou que 8,4% das mulheres bancárias sofrem algum tipo de violência. No programa está prevista a criação pelos bancos de canais de apoio para que bancárias vítimas de violência busquem assistência, acolhimento e atendimento.

Campanha

Nos encaminhamentos finais da reunião, o Comando cobrou da Fenaban uma posição em relação às negociações da Campanha Nacional. “Como a Fenaban, ainda na primeira rodada de negociação não aceitou a proposta do Comando da ultratividade, o fator tempo começa a pressionar”. Na semana vem temos mais três reuniões agendadas, mas não queremos esperar um posicionamento da Fenaban sobre as negociações somente após a reunião da próxima sexta [21]. Por isso solicitamos que a Fenaban leve agora a discussão para os bancos e nos apresente uma proposta até o final da próxima semana”. Segundo Carlão, a expectativa do Comando é encerrar as tratativas da Campanha Nacional até o final da semana que vem.