Negociação com Santander tem impasse no banco de horas negativo

13/07/2020 16:51

Na mesa de negociação da última sexta-feira, 10, a proposta apresentada pelo Santander para o banco de horas negativo não atendeu às expectativas do movimento sindical. O banco, porém, disse que pode rever a proposta. Uma nova reunião deve acontecer ainda nesta semana

Na mesa (virtual) de negociação com o movimento sindical na última sexta-feira 10, a proposta apresentada pelo Santander para o banco de horas negativo não atendeu às expectativas do movimento sindical. O Santander propõe anistia de 10% das horas devidas, começando a contar desde 1º de abril de 2020, e com 18 meses para a compensação. A proposta dos sindicatos pleiteia que a contagem se inicie a partir de 1º de maio e que sejam abonadas todas as horas de final de março e abril. Reivindica, ainda que os empregados compensem essas horas em 12 meses. As horas eventualmente não compensadas nesse período devem ser abonadas.

“São dois pontos que destacamos, a redução do período de compensação de 18 para 12 meses e o início da contagem das horas. Queremos a contagem a partir de maio. Um mês faz muita diferença”, pontua o diretor do Sindicato dos Bancários/ES e membro da COE Santander, Cláudio Merçon (Cacau).

O dirigente avalia que na nova rodada que deve acontecer ainda nesta semana, o banco reveja essa posição em relação ao banco de horas negativo. “Não podemos aceitar uma proposta que prejudique o empregado”, sublinha. Ele acrescentou que o “Motor de Vendas” é outro ponto que gerou divergência com o banco na mesa de negociação.
O Santander, segundo Cacau, voltou a defender o “Motor de Vendas”, que exige do empregado o cumprimento de metas diárias. “Desde que foi implantado, o ‘Motor de Vendas’ é alvo de queixas dos empregados. A informação que chega até nós é de insatisfação. Os empregados se sentem assediados com as cobranças diárias. O clima de pressão constante tem causado adoecimentos”.

Ele explica que o “Motor de Vendas” significa dupla cobrança por metas, que resulta em sobrecarga de trabalho. “As metas diárias exigidas pelo ‘Motor de Vendas’ não desobrigam os empregados das metas mensais do programa ‘Mais Certo’. Santander precisa optar por um dos programas. Não dá para exigir ambos do empregado”, afirma Cacau.

Maria Rosani, coordenadora da mesa de negociação com o Santander, disse aos representantes do banco durante a reunião, que “é desumano que o banco aumente a pressão por venda de produtos em um momento de grave crise sanitária. Quem está interessado em adquirir capitalização, seguro ou outro produto nesse momento, em que a economia também está mal e o desemprego ainda mais alto? Outro problema é que o risco de contaminação torna inviável que os bancários visitem ou encontrem clientes para tentar” vender produtos”, critica. “Vamos insistir com o banco que pare de cobrar metas abusivas, prática ainda mais condenável durante uma pandemia”, reforçou Rosani.

Salário dos afastados
Outro ponto discutido na reunião foi a complementação de salário para afastados pelo INSS. Os representantes dos bancos disseram apenas um pequeno grupo está afastado, e garantiram que o banco vem fazendo a complementação de salários sem prejuízos para os trabalhadores. Acrescentaram ainda que o banco está aberto para discutir os casos pontuais, a fim de que nenhum trabalhador seja prejudicado. Cacau ressalta que é importante que os empregados que não estão recebendo a complementação salarial procurem o Sindicato.

Mudança de função GA e GR
A alteração de função do GA e do GR foi outro ponto da pauta. O Santander passou para o gerente de relacionamento a responsabilidade por abrir contas de novos clientes, tanto pessoas físicas quanto jurídicas; isso era feito anteriormente pelo gerente de atendimento, que para isso conferia documentos e assinaturas antes que o processo fosse formalizado.

Os dirigentes sindicais manifestaram preocupação com a possibilidade de fraudes e que isso possa resultar na responsabilização do trabalhador e a uma consequente demissão. O banco informou que fez um controle das contas abertas nos últimos meses e que houve redução das fraudes.