
Um dia após a apresentação da indecente proposta para o Saúde Caixa por parte da direção do banco, empregados e empregadas da Caixa realizaram um dia nacional de luta em todo o Brasil, reafirmando as reivindicações basilares para o fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho do plano de saúde, que vence no final do ano. A direção da Caixa, por sua vez, cancelou a reunião que haveria hoje para dar prosseguimento às negociações do Saúde Caixa.
As manifestações de protesto de hoje paralisaram as atividades da Matriz 2, em Brasília, no início da manhã. No Espírito Santo, a manifestação aconteceu na agência Praia do Canto, localizada na Reta da Penha, em Vitória, com retardamento da abertura por uma hora. Diretores e diretoras do Sindicato entregaram panfletos e realizaram conversas com os bancários sobre a proposta da Caixa, a recusa pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a necessária mobilização para fazer com que a direção do banco negocie com base nas reivindicações do conjunto dos trabalhadores.
“Após a proposta indecente de ontem e uma mobilização forte e crescente na manhã de hoje em todo o país, com retardamento na abertura de agências e fechamento de prédios administrativos, a Caixa não teve coragem de voltar à reunião para apresentar uma nova proposta rebaixada. Foi essa intensa mobilização nesse dia de luta que fez a Caixa recuar e não aparecer na reunião marcada hoje. É importante continuarmos mobilizados porque a direção da Caixa sentiu que os trabalhadores não vão ceder em relação ao reajuste zero, a derrubada do teto e às condições todas que estamos pleiteando”, afirmou Ronan Teixeira, diretor do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão de Empregados da Caixa (CEE/Caixa), que está em São Paulo participando das rodadas de negociação.
“A Caixa não tinha apresentado proposta até ontem, e quando o fez foi uma proposta indecente”, afirmou a diretora do Sindibancários/ES Rita Lima. “Não aceitamos isso! Queremos que a Caixa atenda as nossas reivindicações porque o banco vem, há tempos, não cumprindo com seu dever de garantir o Saúde Caixa e o sistema de custeio que é 70% para o banco e 30% para nós. Queremos que a Caixa cumpra seu dever de garantir assistência de saúde plena como nós merecemos. Afinal, quem cuida do Brasil, quem cuida da Caixa, merece ser cuidado”.
Na negociação realizada nesta segunda-feira, 6, a direção da Caixa negou a extinção do teto de 6,5% da folha salarial para os seus gastos com a saúde de seus empregados e apresentou uma proposta de aumento do percentual de contribuição dos titulares e do valor nominal pago por cada dependente. A contribuição dos titulares aumentaria, de acordo com a proposta rejeitada pela CEE, de 3,5% para 5,5%. Já o valor por dependente passaria de R$ 480 para R$ 672, o que geraria um aumento médio geral de 71%. Para cada empregado, o reajuste seria de 7% a 12%, considerando os aumentos almejados pela Caixa para os titulares e dependentes.
O diretor do Sindicato Igor Bongiovani explica que a Caixa tem um limitador de 6,5% da folha de pagamento para o Saúde Caixa previsto em Estatuto, porém a resolução da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), que estabelecia o teto no custeio de planos de saúde nas empresas públicas, já caiu. “Então é mais simples mudar o Acordo Coletivo do Saúde Caixa do que o Estatuto, isso que estamos reivindicando”, afirmou.
Ele lembra que hoje, quando o teto é atingido, a Caixa se desobriga de custear o plano. “Só que as demandas continuam, os custos continuam e quem paga somos nós. É por isso que o Saúde Caixa encarece mais a cada dia. O zero por cento de reajuste na mensalidade que nós estamos reivindicando é para minimizar os gastos. Enquanto a gente tem 5,68% de reajuste salarial – conforme Convenção Coletiva de Trabalho – , o plano de saúde vai comendo cada vez mais uma grande parcela da remuneração, o que a gente não pode aceitar”.

