Basta de preconceito e violência! Esse é o grito das pessoas trans e de todos que lutam pelo respeito à diversidade neste dia 29 de janeiro – Dia da Visibilidade Trans. Apesar de algumas conquistas de espaços nos últimos anos, as pessoas transgênero, transexuais e travestis ainda sofrem forte preconceito, são vítimas de violência e de homicídio. A data de hoje é oportunidade de trazer à tona o debate sobre a diversidade e dar visibilidade à luta dessas pessoas que querem apenas respeito e o direito à vida.
Um dos principais problemas enfrentados pelas pessoas trans é a violência. Conforme o Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2021, publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), foram pelo menos 140 assassinatos de pessoas trans, sendo 135 travestis e mulheres transexuais e cinco casos de homens trans e pessoas transmasculinas. No ranking por estado, o Espírito Santo registrou três casos no ano passado.
“A violência e o homicídio de pessoas trans ainda é uma triste realidade. O preconceito machuca e mata. A invisibilidade dessas pessoas na sociedade alimenta esses atos cruéis contra as mulheres e homens trans. Por isso é nosso dever lutar pela garantia de direitos, pela inclusão e respeito às pessoas trans”, destaca a secretária de Igualdade e Diversidade do Sindibancários/ES, Mônica Cristina Paes.
Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de informações governamentais (Disque 100, SINAN entre outros), dos órgãos de segurança pública e dos processos judiciais, e casos publicados na imprensa. Informações secundárias e complementares foram trazidas por ativistas, instituições de direitos humanos e relatos de testemunhas.
De acordo com a pesquisa, o Brasil segue na liderança como o país que mais assassina pessoas trans do mundo. A idade média das vítimas foi de 29,3 anos, sendo que a mais jovem vítima de 2021 tinha apenas 13 anos. Nos casos em que foi possível identificar a identidade racial da vítima, 81% eram travestis/mulheres trans pretas e pardas, explicitando os fatores da desigualdade racial nos dados de assassinatos. Foi registrado um caso de travesti/mulher trans indígena assassinada, que se encontrava em um contexto de alta vulnerabilidade.
A Antra observa na publicação a carência de dados oficiais e a subnotificação dos casos, além da ausência de ações governamentais de enfrentamento da violência contra pessoas LGBTQIA+. Para a Associação, o momento de intolerância vivido no Brasil aumenta o risco de violência contra as pessoas trans. “Temos assistido a um levante contra as discussões sobre linguagem inclusiva de gênero para pessoas não-binárias; projetos de Lei antitrans e o discurso que incluiu o ódio religioso contra direitos LGBTQIA+ tem ganhado mais espaço, trazendo impactos significativos no dia a dia, também fora das redes sociais, colocando os corpos de pessoas trans em risco aumentado de serem violados e violentados fisicamente”.
Exclusão no setor bancário
A categoria bancária teve importantes conquistas na busca pela igualdade de oportunidade e o respeito à diversidade, como a inclusão da Cláusula 47 na Convenção Coletiva que combate a discriminação nos bancos e reconhece as relações homoafetivas. Mas ainda há um longo caminho para que a diversidade seja uma realidade no ambiente bancário, como destaca a secretária de Igualdade e Diversidade do Sindibancários/ES.
“Garantir a igualdade de direitos com certeza é um avanço importante, mas precisamos lutar pela inclusão de pessoas homossexuais e trans no trabalho bancário. Quantos colegas trans nós temos? Quase não há contratação dessas pessoas e a luta pela diversidade passa necessariamente, portanto, pela oferta de trabalho a esse grupo. Neste ano, teremos novas negociações com os bancos e essa deve ser uma das nossas principais reivindicações”, enfatiza Mônica.

