O Sindicato dos Bancários/ES esclarece aos funcionárias e às funcionárias do Banestes a posição da instituição sobre o adiamento do Plano de Cargos e Salários (PCS), comunicado pelo Banestes na última sexta-feira (28). No comunicado aos funcionários, o Banestes afirma que adiou a implantação do PCS, inicialmente programada para 30 de novembro (um domingo), a pedido do Sindicato e fez outras considerações. 

De fato, ao final da reunião do dia 08 de outubro, os dirigentes do Sindicato pediram o adiamento do plano até que os pontos considerados problemáticos fossem discutidos. Durante a reunião, os consultores do Sindicato apresentaram aos representantes do Banestes a análise técnico-jurídica do PCS. Em 90 minutos, que era o tempo previsto para a reunião, o Sindicato elegeu cinco dos 17 pontos que foram classificados como mais problemáticos para os funcionários. O documento completo, entretanto, com os 17 pontos, foi enviado ao Banestes no dia 21 de maio. Dessa data para cá, o Sindicato vem insistindo sistematicamente com a direção do banco que abra uma agenda de negociação para discutir os 17 pontos, o que acabou acontecendo quase cinco meses depois. 

Chama atenção, que na nota enviada pelo Banestes aos funcionários, o banco admite que está acatando a sugestão de adiamento em função das “considerações apresentadas pelo Sindicato dos Bancários”. Ora, se o documento que apontou os 17 pontos problemáticos foi enviado ao Banestes em maio, por que o banco demorou cinco meses para ouvir os argumentos do Sindicato e finalmente admitir que as críticas tinham consistência? Não tivessem, não teriam se comprometido a rever os pontos. Mesmo porque, é bom esclarecer, a decisão de implantar o plano é do Banestes. O Sindicato pode organizar a luta e a mobilização, mas não tem gestão sobre a prerrogativa de implantação do plano. 

Premeditadamente, na parte inicial da nota, o Banestes estampa a reivindicação do Sindicato de revisão dos artigos relacionados a “colaboradores que estiverem à disposição do Sindicato (representantes sindicais), avanço de nível anual, independentemente do cumprimento das metas individuais exigidas para os demais colaboradores (solicitam alteração do art. 29, II, 32 e 35 do PCS)”. 

Trazer a reivindicação para a cabeceira da nota revela má-fé da direção do Banestes de tentar convencer os funcionários de que o Sindicato advoga em causa própria ao criticar o PCS. Esse pleito de fato está entre os 17, mas quando teve a oportunidade rara de se reunir com o Banestes, o Sindicato elegeu os cinco pontos considerados mais graves e urgentes para os funcionários: demissão sem justa causa; quantidade de funções comissionadas; enquadramento funcional; critérios de progressão (mérito e antiguidade) e progressão atrelada ao resultado do banco.

Em seguida, a nota do Banestes cita os pontos acima e inclui mais sete, somando 12, sem fazer considerações, apenas indicando a quais artigos do PCS eles estão relacionados. Exceção ao artigo que trata sobre a demissão imotivada. Na nota, a direção do Banestes justifica “que o objetivo de inserir o artigo 43 no PCS foi de trazer de forma mais clara e didática como se dá o ingresso, a progressão e o desligamento do colaborador”. E completa: “Em que pese entendermos que o citado artigo não viola quaisquer direitos dos colaboradores, nos comprometemos na reunião do dia 08/10/2025 a alterar a redação para que não haja quaisquer dúvidas em relação a este ponto”.

Essa justificativa, admitindo rever a redação de um artigo bastante controverso, que tem gerado preocupação entre os funcionários, indica que esse, assim como os outros 16 artigos classificados como problemáticos, precisam ser urgentemente revistos. 

É importante lembrar aos funcionários e às funcionárias do Banestes que o Sindicato historicamente defende um plano de cargos e salários para os funcionários. Mas não qualquer plano. Defende um PCS digno que valorize a carreira dos banestianos na instituição. 

O Sindicato não pode concordar, portanto, com um plano unilateral, imposto de forma autoritária e que não contemple os interesses e as demandas dos trabalhadores. Por isso o Sindicato insiste, desde o início, que as negociações sejam pela via do diálogo qualificado e técnico. Lamentavelmente, a atual gestão do Banestes tem se mostrado refratária ao diálogo, chegando em alguns momentos a recorrer a práticas antissindicais na tentativa de desqualificar o Sindicato como representante legítimo e legal dos bancários e das bancárias do Banestes. 

É importante destacar ainda que a admissão do Banestes se comprometendo a rever os pontos críticos do PCS, manifestada na nota, é a evidência inconteste de que o Sindicato está no caminho certo. Outrossim, esses pontos controversos estariam consignados na versão final do plano.  

Seguimos acompanhando atentamente a revisão dos pontos críticos e reiteramos a abertura de uma agenda de negociações para debater o PCS com o Banestes.