As mudanças na plataforma Conexão (sistema de métricas de metas), que impactam a avaliação da Gestão de Desempenho Profissional (GDP), apresentadas pela direção do Banco do Brasil (BB) na última semana provocaram mais apreensão e medo entre os funcionários. Além de estender o sistema de metas para escriturários e assistentes, o novo Conexão também impõe limites aos gestores no número de funcionários que podem receber a pontuação máxima numa mesma avaliação.

Entre os bancários e bancárias, as mudanças são classificadas como “aberração”, “horror”, “cópia do terror”, “afronta”.  As alterações foram apresentadas na reunião com a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), na última semana. Diretora do Sindibancários/ES, Bethânia Emerick fez duras críticas à nova plataforma Conexão.

“O fim da cobrança de metas, do assédio moral, melhores condições de trabalho e respeito à saúde dos bancários foram nossas principais reivindicações apresentadas à nova direção do BB. Mas, além de não atender nossa pauta, fomos surpreendidos com mudanças que potencializam o Conexão e a GDP como instrumentos de assédio e de adoecimento dos funcionários. É um absurdo e é preciso pressionar o BB para que ponha fim a esse modelo de gestão que impõe medo e adoece”, criticou.

Mais metas

Segundo representantes da direção do BB, a extensão da plataforma Conexão para os escriturários e assistentes ocorreu “a pedido dos funcionários que ocupam esses cargos”. No entanto, membros da CEBB questionaram a afirmação e alegaram que têm recebido muitas reclamações dos escriturários e assistentes que estão se sentindo pressionados com as metas impostas.

“Não sabemos ainda como serão os novos parâmetros de metas. O que está evidente é que a GDP continuará sendo usada simplesmente para punir os bancários que não alcançarem os resultados”, denuncia Bethânia.

Os representantes dos funcionários cobraram da direção do BB a construção conjunta, com os bancários, de um sistema de avaliação sem metas, incluindo a formação de gestores. O BB recebeu as críticas e ficou de reavaliar o modelo que limita a possibilidade de conceder pontuação máxima.

Descomissionamento

Em reunião anterior, que ocorreu em 30 de maio, entre os pedidos dos funcionários estava a suspensão do descomissionamento até que o banco implementasse correções em distorções que tornam a GDP um instrumento de assédio. Entretanto, o movimento sindical registrou que novos descomissionamentos ocorreram ao logo deste ano.

Na última mesa de negociação, o banco afirmou que os descomissionamentos estão suspensos e permanecerão assim até a primeira quinzena de agosto.

Entenda

O banco apresentou alterações na plataforma Conexão, com impactos na avaliação da GDP.

Com a mudança, a plataforma Conexão passa a reunir todos os relatórios de metas em um só local e individualiza ainda mais as responsabilidades pelo alcance das metas do setor.

Na nova proposta, o avaliador não poderá dar nota máxima para todos da equipe, porém não existe o mesmo limitador em caso de notas mínimas.

O banco também anunciou que o processo de descomissionamento segue suspenso até a primeira quinzena de agosto, porém o movimento sindical denuncia que descomissionamentos já ocorreram nos últimos meses.

Os representantes dos trabalhadores na mesa de negociação criticaram a nova plataforma Conexão, por entender que ela induz ainda mais à gestão por assédio.

Os funcionários também mantiveram o pedido de suspensão do descomissionamento, até que o banco implemente correções em distorções que tornam a GDP um instrumento de assédio.

Agenda das mesas permanentes temáticas:

20/07 – Promoção da Diversidade/Igualdade de Oportunidade;

11/09 – Plano de Cargos e Salários e Programa Performa;

28/09 – Caixa de Assistência dos funcionários do Banco do Brasil (Cassi).

Com informações da Contraf