Medidas da Caixa não eliminam risco de exposição dos empregados ao coronavírus

20/03/2020 18:21

O Sindicato dos Bancários segue defendendo o fechamento geral e irrestrito de todas as unidades bancárias para que os empregados possam ficar em isolamento social, como preconiza a OMS

O Sindicato dos Bancários/ES se reuniu nesta sexta-feira, 20, com o Superintendente Regional da Caixa Econômica Federal, Denis Mendes de Melo Matias. Representantes da Agecef também participaram da reunião. O Sindicato insistiu que o fechamento de todas as agências bancárias, com os empregados em isolamento social, é a melhor forma de controlar a propagação do coronavírus (Covid-19), como preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Com relação às novas medidas anunciadas pela Caixa de contingenciamento do atendimento, o superintendente foi questionado pelo Sindicato sobre cumprimento do novo decreto do governo do Espírito Santo, que suspendeu o atendimento bancário ao público por 15 dias – a contar da próxima segunda-feira, 23. Para a diretora do Sindicato, Rita Lima, as novas medidas apresentadas pela Caixa apenas irão mitigar os problemas, mas continuarão expondo empregados, clientes e usuários ao risco de contágio da Covid-19. “Vamos seguir lutando pelo fechamento geral e irrestrito de todas as unidades bancárias. Tanto que nessa quinta-feira [19], o Sindicato ingressou com uma ação na Justiça reivindicando o fechamento, não só da Caixa, mas de todos os bancos”, asseverou Rita Lima.

A seguir, as novas medidas adotadas pela Caixa a partir do decreto do governo do Estado publicado no Diário Oficial do Espírito Santo desta sexta-feira, 20.

Home office

Matias afirmou que vai atender ao decreto na sua essência, suspendendo o atendimento ao público em geral. Segundo o superintendente, a Caixa só vai atender às demandas dos programas sociais: bolsa família, FGTS, seguro desemprego e PIS. Os beneficiários do INSS que não têm cartão ou conta depósito também serão atendidos.

O superintendente explicou que o novo contingenciamento, além do chamado grupo de risco, irá pôr em home office (trabalho em casa) 50% dos empregados; a outra metade ficaria em trabalho presencial. Semanalmente, alternariam: os que estavam em home office passam a fazer o trabalho presencial e vice e versa.

Os empregados que estiverem em trabalho remoto, segundo Matias, vão trabalhar a partir de um acordo de tarefas semanais. Dentre as atividades que poderão ser executadas remotamente, sempre com equipamento fornecido pelo banco, estão, por exemplo, caixa postal, cadastro de clientes e operação do Sistema de Análise de Risco de Crédito (Siric). O empregado poderá também fazer em home office cursos de formação em serviço (Universidade Caixa).

O acordo de tarefas nas atividades remotas, assegurou Matias, é diferente do acordo de desempenho, uma vez que as cobranças por metas estão suspensas. Aliás, a suspensão da cobrança de metas foi outra reivindicação do Sindicato acatada pela Superintendência.

Atendimento receptivo e qualificado

Para identificar os usuários que se enquadram na exceção prevista no decreto governamental, Matias assegurou que a triagem do atendimento receptivo e qualificado será conjunta, sempre com a presença de um empregado acompanhado de um gestor e com a garantia das condições de higiene recomendas pela OMS. Haverá, segundo Matias, um revezamento nessa tarefa de triagem para não sobrecarregar o empregado.

O Sindicato, independentemente das novas regras de contingenciamento, cobrou da Caixa a manutenção das medidas de limpeza e higienização permanente do autoatendimento.

De acordo com o decreto do governo do Estado, pessoas com doenças graves estão no grupo de exceção que terão acesso ao atendimento presencial. O superintendente afirmou que o usuário, para ser atendido, terá de apresentar um laudo médico comprovando a doença. Ele disse também que a partir de segunda-feira, 23, o banco afixara nas unidades (“Caixa Informa”) quais as pessoas que fazem parte desse grupo de exceção previsto no decreto.

Segurança

A segurança com a integridade física dos empregados foi outro questionamento levantado pelo Sindicato na reunião. O superintendente se comprometeu a enviar um ofício ao Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitanas para que seja garantida a segurança de empregados e clientes nas unidades a

Pessoa com Deficiência

O Sindicato pleiteou que todos os PcDs cuja condição os tornem mais vulneráveis sejam colocados em home office. Se a demanda for atendida, os PcDs passariam a fazer parte do chamado grupo de risco, ou seja, não entrariam na cota dos 50% dos empregados que ficarão em trabalho remoto.

A diretora do Sindicato, Lizandre Borges, reafirmo que as novas medidas adotadas pela Caixa são paliativas. “Nossa posição continua sendo o fechamento de todas as agências. O OMS e os exemplos que estamos tendo mundo afora ensinam que o isolamento social é, neste momento, a medida mais eficaz para conter a propagação do vírus. A vida sempre vale mais que o lucro”, finalizou Lizandre.