A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quarta-feira, 30, a abertura de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) para mais mil empregados. A adesão ao PDV vai de 1 a 8 de novembro. Os desligamentos dos trabalhadores da Matriz e das filiais será entre 2 e 8 de dezembro e o das agências e SR entre 16 e 20 de dezembro. De acordo com o banco, quem já se inscreveu no PDV aberto em maio não pode participar do atual. Também não poderá ocorrer migração de data de um PDV para o outro.

A Caixa já havia aberto um PDV em maio deste ano com estimativa de adesão de 3,5 mil empregados. Como o banco não atingiu a meta, o novo PDV vem para fechar o plano de 3,5 mil desligamentos este ano. Entre 2017 e 2018, foram mais dois PDVs que, juntos, desligaram 9,2 mil empregados. No balanço dos últimos 36 meses a Caixa pode chegar a 12,7 mil desligamentos.

“Esse novo PDV confirma o descompromisso deste governo com o banco. O déficit de empregados, que se aproxima de 19 mil de 2014 para cá, compromete o fortalecimento da Caixa”, afirma Rita Lima, da diretoria do Sindicato dos Bancários/ES. Ela acrescentou que a sobrecarga de trabalho tem adoecido os empregados.

Queda de qualidade
De 2014 até o final deste ano, a Caixa poderá chegar ao saldo de 19 mil desligamentos, derrubando o número de empregados que já foi de 101 mil para 82 mil empregados. Essa drástica redução do quadro de pessoal se refletido, sobretudo, no atendimento nas quatro mil agências da Caixa espalhadas pelo país. Com o déficit de pessoal, os empregados têm trabalhado dobrado para tentar manter o atendimento. O resultado da sobrecarga de trabalho é o adoecimento em escala e o comprometimento da qualidade do atendimento.

A marcas da sobrecarga de trabalho podem ser comprovadas nos dados do Banco Central (BC), que faz um ranking de reclamações para aferir a qualidade do serviço oferecido a população. Não por acaso, Caixa e Banco do Brasil, que também vem passando pelo mesmo processo (desligou 12 mil empregados entre 2017 e 2018), despencaram no ranking do BC. Em 2016, quando o processo de corte já estava em curso, Caixa e BB ocupavam respectivamente a terceira e sexta posições no ranking de reclamações entre os grandes bancos. Desde então, com a queda de empregados ano a ano, a qualidade vem caindo. A Caixa tem alternado sua posição entre a liderança e a vice.

Rita Lima disse que a luta do Sindicato tem sido justamente na contramão dos PDVs. “É preciso melhorar as condições de trabalho e voltar a oferecer um atendimento de qualidade à população. Para isso precisamos de mais empregados para cobrir esse déficit e não de desligamentos. Reivindicamos as contratações dos aprovados no concurso de 2014, que continuam aguardando a Caixa chamá-los”, afirmou.