Guilherme Boulos durante a sua exposição na 23ª Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias

A tarde deste sábado, 04, segundo dia da Conferência Nacional dos Bancários, foi dedicada a debater um projeto de “Brasil sem desigualdades”, reunindo cinco palestrantes, entre eles o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos.

Ao longo da Conferência ficou demonstrado ser ponto pacífico entre os partidos de esquerda e as forças populares no Brasil a necessidade de derrotar o governo Bolsonaro, mas a estratégia gera divergências. Enquanto o segmento capitaneado pelo petismo acredita ser possível vencer Bolsonaro nas urnas, apostando suas fichas na vitória eleitoral de Lula em 2022, Guilherme Boulos refletiu criticamente sobre a urgência de interromper a tragédia humanitária, política e econômica gerada por esse governo, alertando para a possibilidade de um contragolpe.  

“Nossa primeira grande tarefa é derrotar Bolsonaro. Mas não podemos simplesmente esperar 2022, sobretudo sabendo do nível de instabilidade institucional nesse país e de um golpe que está sendo anunciado com um ano e meio de antecedência”, afirmou. 

Para o dirigente popular, Bolsonaro começa a ficar desesperado com a baixa popularidade, a CPI da Covid e as investigações sobre os filhos, reagindo com mais agressividade. “Sua forma de reagir ao cerco é intimidar, ameaçar um golpe, e é por isso que esse 07 de setembro [dia de manifestações nacionais pró e contra o governo] será um dos mais importantes da história recente”. 

Unidade para reconstruir o Brasil

Boulos também defendeu a unidade política dos setores de esquerda e do campo progressista para superar o projeto de Bolsonaro e dos militares. “Nosso campo precisa ter unidade e buscar os pontos convergentes. Mas não só”, alertou. “Precisamos pautar um projeto de reconstrução do Brasil. O Brasil que temos hoje é ‘terra arrasada’, um país destruído”, disse. 

Guilherme lembrou que não será fácil para um eventual governo popular assumir o país após quatro anos de severo ajuste fiscal, com a sua capacidade de investimento comprometida pelo desmonte do Estado e com mais de 15 milhões de desempregados. 

“Estamos em uma condição devastadora, voltamos ao mapa da fome. Agora temos a privatização dos Correios, da Eletrobras, a iminência de um apagão e a inflação dos alimentos e dos combustíveis num patamar que não víamos desde os anos 1990. Tudo isso mostra que esse modelo econômico fracassou”. 

Para superar as dificuldades que marcam a conjuntura atual, ele acredita que será necessário “botar o dedo na ferida”, ou seja, enfrentar os interesses das elites econômicas brasileiras, já que um governo popular não conseguirá, dado o momento da crise,  garantir investimentos sociais e crescimento econômico a partir de uma política de conciliação, como fez Lula no passado. 

“Não conseguiremos fazer investimentos públicos relevantes sem fazer reformas estruturais. Temos que colocar na agenda pública uma reforma tributária, ter um projeto ousado, que melhore a provisão de serviços públicos e gere emprego em massa. Será essencial reconstruir a capacidade do Estado de ser indutor da economia a partir de um novo modelo de desenvolvimento”, salientou. 

Contribuíram com o debate do tema Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Governo Dilma Rousseff; Maria Regina Paiva Duarte, presidente do Instituto Justiça Fiscal; Gleisi Hoffmann, Deputada Federal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e Orlando Silva, Deputado Federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB).