Hoje é dia nacional de mobilização contra as terceirizações nos bancos e diretores do Sindibancários/ES estão paralisando a agência do Santander de Vila Velha até as 11 horas. O banco espanhol se propõe a servir como laboratório da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) quando o assunto é retirar direitos das bancárias e dos bancários, como vem acontecendo nas negociações da Campanha Salarial 2024.
A experiência da vez é a terceirização fraudulenta dos empregados. O Santander criou empresas, como a SX Tools, que funcionam como braços do banco. O esquema é demitir o bancário e depois contratá-lo por meio de uma terceirizada do grupo. Temendo ficar desempregado, muitas vezes o trabalhador acaba aceitando a proposta indecente do Santander, que rebaixa direitos. Na empresa terceirizada, o empregado faz exatamente as mesmas funções que desenvolvia no banco, só que em condições precárias: com salário mais baixo, jornada mais extensa e sem os benefícios que tinha anteriormente.
Aproveitando a reforma trabalhista que retirou direitos dos trabalhadores, o Santander vem operando esse esquema de fraude na contratação bancária desde 2021. O banco apostou que a reforma garantiria a terceirização irrestrita. A Justiça do Trabalho, no entanto, tem interpretado que a manobra do banco é ilegal. Num dos casos mais recentes, a Justiça do Trabalho de São Paulo condenou o banco por fraude na contratação de bancários pela empresa terceirizada SX Tools. E essa não foi a primeira condenação do Santander por terceirização fraudulenta.
Lucros
Enquanto frauda a contratação, o Santander registra lucros. No primeiro semestre deste ano, o lucro líquido foi de R$ 6,18 bilhões, um crescimento de 46,9% em relação a igual período de 2023. Apesar disso, o banco segue fechando postos de trabalho e agências. O Santander encerrou o semestre com 55.091 empregados, corte de 80 postos de trabalho em 12 meses. Ao passo que corta funcionários, o número de clientes cresce. Foram 3,9 milhões em relação a junho de 2023, totalizando 67,2 milhões. O banco ainda fechou 380 agências e postos de atendimento este ano.
Essa política de cortes associada à de terceirização tem como único propósito aumentar ainda mais o lucro do banco, mesmo que isso represente a precarização das relações de trabalho e a queda da qualidade do atendimento ao cliente. A lógica do lucro acima de tudo não irá favorecer nem trabalhadores nem clientes: perdem todos, só ganha o Santander.

