As bancárias e bancários estão convidados para participar de uma ação solidária realizada pelo Sindibancários/ES em prol das famílias da ocupação da escola Irmã Jacinta, no Romão, em Vitória. A entidade está coletando materiais de higiene pessoal e limpeza de segunda a sexta, das 9h às 18h, na sede do sindicato. A ocupação está sendo organizada pelo Movimento Nacional de Luta Pela Moradia (MNLM), e conta com 21 famílias, totalizando 54 pessoas.

O diretor do sindicato, Fabrício Coelho, destaca a importância da ação. “O sindicato sempre apoiou movimentos de resistência, movimentos por direitos, seja no campo ou na cidade. É uma tradição nossa a solidariedade classista. Terra e moradia são direitos fundamentais. Há um déficit habitacional para 7 milhões de pessoas no Brasil. E mais de 7 milhões de imóveis desocupados, quase todos públicos. Essa escola está abandonada há 15 anos. Isso dá inclusive visibilidade a outras deficiências sociais”, diz.

Outra iniciativa da entidade, informa Fabrício, foi a doação da quantia de R$ 1000,00 para que as famílias pudessem fazer alguns reparos no prédio, possibilitando, por exemplo, instalação de água, energia e esgoto.

A ocupação, que se chama Chico Prego, começou no Romão no início deste mês. Entretanto, sua origem remonta ao ano de 2017, quando as famílias ocuparam uma região chamada Fazendinha, na Grande São Pedro. Uma das militantes do MNLM, Rafaela Regina Taveira, recorda que, nessa época, houve uma reintegração de posse, fazendo com que as pessoas fossem para a Casa do Cidadão, em Maruípe.

Algumas das famílias da ocupação Chico Prego. Foto: Vitor Taveira

Por causa dessa iniciativa, a gestão do então prefeito de Vitória, Luciano Rezende (Cidadania), se comprometeu a encaminhá-las para programas habitacionais, o que não ocorreu. Assim, as famílias foram para o prédio do Instituto de Aposentadorias e Pensões do Industriários (IAPI), em frente à Praça Costa Pereira. Posteriormente, ocuparam o antigo Cine Santa Cecília, também no Centro.

De acordo com Rafaela, a Justiça deu duas opções para as famílias nessa ocasião: aceitar o aluguel social ou sair do Santa Cecília. Um pouco antes do início da pandemia, recorda, o aluguel social saiu, com validade de um ano. Porém, nesse período a Prefeitura não ofereceu condições de as famílias se inserirem no mercado de trabalho, por exemplo, por meio de oferta de cursos de capacitação e direcionamento ao emprego.

Assim, com o fim do aluguel social, para não ficarem desabrigadas as famílias procuraram a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), cuja atuação possibilitou o prolongamento do aluguel social por mais seis meses, findando em agosto passado. Rafaela destaca que o MNLM tentou dialogar sobre a situação com a atual gestão municipal, que é a do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), mas sem sucesso. A saída, afirma, foi ocupar a escola Irmã Jacinta, cujo prédio está abandonado há 15 anos.

Roda de conversa sobre Paulo Freire

Além de habitar o espaço, o MNLM está trazendo vida ao local por meio de ações como a roda de conversa sobre Paulo Freire, em homenagem ao patrono da educação brasileira. A atividade será no próximo domingo (19), as 8 horas, com a participação de representantes do Levante Popular da Juventude e do Movimento Negro. A roda de conversa é aberta ao público.