A representação dos funcionários e funcionárias do Itaú entrega a pauta de reivindicações à direção do banco na próxima quinta-feira (2). As reivindicações específicas foram aprovadas durante o Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú, que aconteceu em São Paulo no dia 19 último. A entrega da pauta abre o calendário de negociações com o banco.
O dirigente Weber Birchler, que esteve no Encontro Nacional representando a base capixaba dos funcionários do Itaú, afirmou que os debates coletivos foram fundamentais para construir a pauta de reivindicações da campanha. “O Encontro é uma oportunidade para discutirmos, alinharmos as propostas e unirmos a categoria”. Weber destacou o aumento do adoecimento, as metas abusivas, o assédio moral, a defesa do emprego, o fechamento de agências e as condições de trabalho como eixos centrais da campanha deste ano.
Weber fez um destaque especial ao debate sobre home office, que entrou na ordem do dia. No último dia 23 o Itaú anunciou mudanças no home office híbrido. Os funcionários que exercem cargo de superintendentes, de acordo com as novas regras anunciadas pelo banco, passam a trabalhar quatro dias presenciais por semana a partir de janeiro de 2027. Já os funcionários em geral teriam que cumprir três dias presenciais por semana a partir do primeiro trimestre de 2028. A Comissão de Organização dos Empregados do Itaú informou que irá defender o modelo atual de home office.
Para Weber, os pontos em destaque da pauta de reivindicações estão conectados. “Quando falamos em saúde do trabalhador, pensamos logo no adoecimento mental da categoria. Adoecimento que é causado pela imposição de metas abusivas e sobrecarga de trabalho, que está diretamente relacionada às demissões e ao fechamento de agências. Esse modelo de negócio do Itaú, baseado na busca obsessiva por novos recordes de lucro, é hoje o principal gatilho do adoecimento mental. Constatamos isso com os dados da Consulta Nacional, apresentados na Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias”.
Na parte do questionário dedicado à saúde, a Consulta perguntou aos bancários quais os impactos da cobrança excessiva para o cumprimento de metas. Nos dados específicos do Itaú, 72% responderam que essa relação de cobrança os mantêm constantemente preocupados com o trabalho; 51% se queixaram de cansaço e fadiga; 40% disseram que não têm vontade de trabalhar; outros 48% apontaram que têm crises de ansiedade e pânico.
“Esses dados são preocupantes por si só, mas me causou espanto saber que mais de 40% dos bancários usaram ansiolíticos ou antidepressivos nos últimos 12 meses. Os dados confirmam o que havia sido apurado em pesquisas acadêmicas anteriores que investigaram o adoecimento da categoria bancária. Definitivamente, estamos enfrentando uma situação de adoecimento epidêmico causado pelo modelo de negócios do banco baseado em metas”, criticou Weber.
Aposentados
A dificuldade dos aposentados do Itaú para conseguirem se manter no plano de saúde foi outro ponto destacado na pauta de reivindicações. “Essa é uma questão de todos, inclusive dos funcionários da ativa que mais cedo ou mais tarde também vão se aposentar. Primeiro o banco te adoece com metas. O bancário passa anos trabalhando sob o efeito de remédios para não parar de produzir lucro para o banco. Quando se aposenta, o banco simplesmente vira as costas para quem dedicou décadas de sua vida ao banco. Essa situação não pode continuar. O Itaú precisa ter maior responsabilidade sobre a saúde do trabalhador que se aposenta. Acho que é o mínimo de reconhecimento”, pontuou o dirigente.
Weber salientou que esses pontos da pauta de reivindicações mostram o quanto a luta será desafiadora para os funcionários do Itaú este ano. “Temos que ter consciência que não podemos mais continuar trabalhando oprimidos pela lógica do lucro a qualquer custo. O caminho da mudança é a luta que faremos na campanha salarial. Precisamos nos manter unidos e mobilizados para apoiarmos os colegas que irão nos representar na mesa de negociação. Movidos pela luta somos mais fortes”, enfatizou o dirigente.









