“Amarildo falta com a verdade quando alega desconhecer o nosso pleito para abrir um canal de negociação para discutir o Plano de Cargos e Salários (PCS)”, afirma o coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão). No dia 29 de agosto, recorda Carlão, fez 100 dias que o Sindicato dos Bancários/ES formalizou a demanda à direção do Banestes. No dia 21 de maio, após reunião com a comissão de negociação do banco, coordenada pelo gerente de Gente e Gestão, Alexandre Carlquist, os dirigentes protocolaram um ofício (imagem abaixo) reivindicando a abertura de uma agenda de negociação imediata para debater o PCS a partir de 17 pontos destacados pela consultoria técnico-jurídica como ameaças aos direitos dos empregados.

Ofício formaliza o pedido para abertura de uma agenda de negociações com o banco. O documento foi recebido por Alexandre Carlquist, que afirmou que o encaminharia “a alta administração do Banestes”
No dia 2 de setembro, a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) se reuniu com o diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, e o questionou sobre a falta de diálogo com o Sindicato. Mas para entender essa reunião entre Camila e Amarildo é preciso voltar um pouco no tempo. Com as portas fechadas no Banestes, os dirigentes do Sindicato procuraram a deputada Camila Valadão para que ela articulasse uma reunião com o governador Renato Casagrande (PSB). Os dirigentes do Sindicato e a deputada foram recebidos, em junho, no Palácio Anchieta, pelo secretário da Casa Civil, José Maria de Abreu Junior, que se comprometeu a destravar o diálogo com Amarildo.
O desdobramento dessa intermediação da Casa Civil veio no dia 2 de setembro. Amarildo aceitou receber a deputada com uma condição: sem a presença dos dirigentes do Sindicato. “Ao vetar a presença do Sindicato na reunião, Amarildo sinaliza que não quer o diálogo”, deduz Carlão.
Na reunião, segundo Camila, Amarildo alegou desconhecer o pedido de negociação do Sindicato. Afirmou que estaria disposto a conversar com os representantes do Sindicato somente em outubro. A deputada ponderou que a data praticamente coincidiria com a implantação do PCS, prevista para o final de outubro. Amarildo rebateu, alegando que o PCS só será implantado em novembro.
Sem diálogo
“Quando protocolamos o pedido de negociação na comissão do banco, Carlquist garantiu que entregaria o pleito à ‘alta administração’. É oportuno destacar que Carlquist é o preposto de Amarildo em todas as interlocuções do Sindicato com a comissão de negociação do Banestes”, destaca o dirigente Marcelo Giacomin. Sem resposta, explica Marcelo, o Sindicato enviou o mesmo documento por e-mail (print abaixo)aos cuidados do próprio Amarildo.

Sem resposta ao ofício, um mês depois o Sindicato envia um e-mail aos cuidados do diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, reiterando o pedido de reunião
“Ao ignorar o pedido de abertura de uma mesa de negociação, Amarildo desrespeita não só o Sindicato, mas principalmente os mais de dois mil empregados e empregadas do Banestes. Manter um canal de diálogo permanente com o Sindicato não é facultativo, é uma obrigação legal do banco. Ao se recusar a dialogar com o Sindicato, Amarildo está se negando a dialogar com os próprios banestianos”, assinala Vanessa Espíndula.
Negociação já
A dirigente afirma que a falta de diálogo e transparência tem sido a tônica da gestão de Amarildo. “Em setembro vamos fazer uma plenária com a presença dos consultores para explicarmos ponto a ponto por que o PCS proposto pelo Banestes representa retrocessos para os banestianos. Vamos seguir insistindo em abrir uma negociação com a direção do Banestes. Mas queremos negociar imediatamente, não aos 45 do segundo tempo, como propõe Amarildo. A hora é dos banestianos e banestianas se engajarem nesta mobilização. Negociação já!”, convoca Vanessa.

