Como havia anunciado, a direção do Banestes apresentou nessa segunda-feira (16) aos empregados e empregadas o novo Plano de Cargos e Salários (PCS). Como o banco não enviou o plano formalmente ao Sindicato, os dirigentes só tiveram acesso ao texto também na segunda. “Assim que conseguimos o plano, encaminhamos o texto imediatamente aos nossos consultores jurídico e de Recursos Humanos para que eles possam analisar cláusula por cláusula como ficou a versão final. Nossa expectativa é de que até a próxima semana teremos uma análise sobre os principais pontos do PCS para compartilharmos com os banestianos e banestianas”, prevê o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Marcelo Giacomin.  

A dirigente Vanessa Espindula acrescenta que a partir da análise dos consultores, o Sindicato deve publicar conteúdos (texto e vídeos) que ajudem os empregados a interpretarem cada uma das cláusulas do PCS. “Fazer uma escolha que terá impactos em toda vida profissional do banestiano é sempre uma decisão muito difícil. O Banestes, desde a apresentação inicial do plano, há pouco mais de um ano, não ajudou em nada o trabalhador nesse sentido. Ao contrário, ao vetar a participação do Sindicato na construção do plano, a direção do Banestes tirou do Grupo de Trabalho o representante legítimo dos interesses da categoria”, critica Vanessa. 

Sem espaço para se manifestar, o Sindicato contratou um consultor jurídico e um de RH para analisar o plano e oferecer aos empregados e empregadas uma avaliação independente do PCS para confrontar com a versão do banco. “Acreditamos que o Sindicato cumpriu seu papel ao mostrar aos empregados que o plano proposto pelo Banestes tinha ao menos 17 pontos bastante problemáticos que representavam perdas de direitos e retrocessos para os bancários. Na única reunião presencial que tivemos com o Banestes para apresentar nossas críticas, a leitura que tivemos é de que o próprio GT reconheceu que o plano apresentava problemas que precisam ser revistos”, pontua Marcelo. 

O trabalho inicial dos consultores neste momento é justamente analisar se esses 17 pontos críticos foram considerados na elaboração da versão final do plano apresentada nessa segunda-feira. “Enquanto essa análise é concluída, o Sindicato orienta que os empregados não façam a adesão ao plano de forma açodada. É importante que antes de decidir se vão ou não fazer a adesão, os empregados tenham acesso à análise dos nossos consultores, tirem todas as dúvidas, para que possam tomar uma decisão consciente e segura”, recomenda Marcelo.  

Plano imposto
Na apresentação da minuta inicial do plano aos dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES, em 31 de janeiro de 2025, o diretor de Administração do banco Álcio de Araújo garantiu que todo o processo seria transparente e o Sindicato poderia acompanhar o passo a passo da construção do PCS, inclusive com contribuições e críticas. Na prática, porém, o Banestes se fechou no Grupo de Trabalho encarregado de elaborar o plano e vetou qualquer canal de diálogo com o Sindicato. “O resultado é um plano impositivo que não contemplou as manifestações dos banestianos por meio do Sindicato, interlocutor legítimo da categoria”, diz Vanessa. 

Mesmo com os canais de diálogo fechados, o Sindicato, como tem feito desde 31 de janeiro de 2025, continuará analisando o plano para apresentar o contraditório aos empregados e empregadas. “O Banestes impediu que o Sindicato representasse os banestianos no GT responsável pela elaboração do plano, mas não poderá impedir que os empregados analisem nossa avaliação sobre o PCS e tenham livre arbítrio para decidir se irão ou não aderir ao plano”, assinala Vanessa.