Na noite dessa quinta-feira, 07, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, veiculou um vídeo (abaixo) para anunciar a inclusão de cerca de 10 mil empregados, que entraram no banco nos últimos dois anos, no Saúde Caixa. No vídeo de 2 minutos, Guimarães se apropria da luta dos empregados, que reivindicam desde 2018 a inclusão dos novos contratados no plano. Distorcendo a verdade, o presidente da Caixa enaltece o benefício como uma conquista de sua gestão. Depois de dizer que os “empregados da Caixa são o coração do banco”, ele completa: “Essa é uma demanda de todos e fico muito feliz que agora seja um direito conquistado”, finaliza.
Pingos nos is
“É preciso pôr os pingos nos is e resgatar toda a verdade a respeito dos fatos. A inclusão dos novos contratados no Saúde Caixa e uma luta exclusivamente dos empregados da Caixa por meio da CEE/Caixa e das entidades sindicais. A conquista só veio agora depois de travarmos discussões homéricas nas mesas de negociação com a direção do banco, que sempre se posicionou contrária à inclusão”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges.
Ela acrescenta que essa reivindicação surgiu ainda no Acordo Coletivo de 2018, seguiu nas mesas de negociação durante esses dois anos e retornou nas discussões da campanha nacional de 2020 como um dos principais pleitos dos empregados. “Não é verdade que a inclusão dos novos empregados no Saúde Caixa tenha sido uma demanda desta gestão, como disse Guimarães. A inclusão tampouco é um ato de bondade ou compaixão do presidente da Caixa, mas fruto de uma luta duríssima dos empregados”.
Desrespeito
Para a dirigente, é lamentável que o presidente da Caixa se aproprie de maneira ilegítima e oportunista de uma conquista que exigiu muita luta e mobilização dos bancários e bancárias da Caixa.
Lizandre chama atenção também para o trecho do vídeo em que Guimarães explica que estava negociando uma autorização da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), ligada ao Ministério da Economia, para anunciar a reabertura do Saúde Caixa aos novos empregados.
“Ora, quer dizer que a direção da Caixa foi para mesa, negociou com a CEE a inclusão nos novos empregados no plano, empenhou a palavra e assinou o ACT 2020, mas não explicou que ainda dependia de uma negociação posterior com a Sest para consolidar o que já estava acordado? Isso é mais uma prova do total desrespeito dessa gestão com os empregados da Caixa”, protesta Lizandre, que acrescenta que os novos empregados já deveriam estar regularizados no plano desde setembro passado, quando o ACT passou a vigorar.
Clima de pressão
A diretora do Sindibancários ainda diz que o conteúdo do vídeo é completamente antagônico ao clima de opressão que domina os empregados da Caixa atualmente. “Essa faceta de bom samaritano que Guimarães tenta transmitir, chamando os empregados de ‘família Caixa’, só cabe nesses vídeos ficcionais. A realidade é bem diferente. Empregados adoecidos devido a esse clima opressor de cobrança por metas desumanas; o não cumprimento de protocolos sanitários, expondo ainda mais os empregados à covid; reivindicações recorrentes para manter os empregados do grupo de risco em home office entre outras pelejas travadas com esta gestão pela CEE e pelas entidades sindicais para assegurar direitos conquistados há décadas que são constantemente ameaçados”.
(Foto capa: Agência Brasil)

