Pesquisa projeta impacto de tecnologia no setor bancário: caixas têm 96% de chance de serem substituídos por máquinas

10/10/2019 15:09

O levantamento revela que 52 milhões de empregos no País estão com alto risco de automação, ou seja, com probabilidade acima de 70%

Clientes aguardam em fila para usar o Caixa eletrônico. Foto: Sérgio Cardoso

Um estudo feito pela Consultoria IDados e divulgado pelo Reconta aí apontou as ocupações com maior probabilidade de serem substituídas por máquinas ante o processo de automação industrial. No setor financeiro, caixas de bancos estão entre as funções mais vulneráveis, com 96,5% de chance de serem trocados por máquinas nos próximos dez a vinte anos.

Eles dividem o topo da estatística com condutores de automóveis (como táxis e caminhões) e pesquisadores, cujas probabilidades de automação variam entre 90% e 98%. O estudo foi feito com base em 409 ocupações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento revela que 52 milhões de empregos no País estão com alto risco de automação (70%), equivalentes a 58% dos postos. Apesar de a aplicação da tecnologia permitir, dentro do prazo estimado, a substituição dessas profissões, os pesquisadores alertam que o resultado depende de outras condicionantes, como questões políticas, econômicas e restrições legais, e pode não se confirmar.

“Mesmo que seja viável, podem acabar não sendo substituídos”, disse o pesquisador do IDados Bruno Otonni, citando o exemplo da legislação brasileira que proíbe o autoabastecimento de veículos em postos de gasolina, o que acaba por preservar a profissão de frentista.

Apesar das variáveis, Otonni dá como certa a pressão no mercado de trabalho pelo uso das novas tecnologias, pressão que já vem sendo experimentada pela categoria bancária.

Em 2016, as transações bancárias por meios digitais representaram mais da metade (57%) do total de operações financeiras. No mesmo ano, o investimento dos bancos que atuam no Brasil em tecnologia chegou a US$ 6,0 bilhões, representando 14% do total de gastos com tecnologia de informação no país – participação que só se equipara à do governo federal.

A reestruturação do setor financeiro com migração de serviços para canais digitais tem impactado o emprego bancário. Entre 2017 e 2018, foram extintos 3.305 postos de trabalho bancário nas cinco maiores instituições financeiras do país (Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander). O total de empregados nos cinco bancos passou de 418.564 para 415.259.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Thiago Duda, no entanto, alerta que a redução no número de trabalhadores bancários é influenciada também por outros movimentos, como o aprofundamento da terceirização e da precarização das relações de trabalho, que no setor financeiro se expressa em grande medida no aumento dos correspondentes bancários.

“Embora o número de trabalhadores bancários esteja reduzindo, o número de empregados do sistema financeiro está aumentando. Em geral, são empregados que atuam como correspondentes, em financeiras ou fintechs, e que executam funções bancárias mas recebem salários menores e têm menos direitos. O trabalho humano nunca é totalmente substituído, mas ele passa a ser explorado sob outras condições”, diz Duda.

“Parte dos empregados que ocupam essas posições podem ser inclusive ex-bancários, que serão incorporados em outros setores do sistema financeiro, em outros ramos de atividade ou mesmo na informalidade e desemprego”, completa.

Outro limitador para a substituição completa de determinadas funções, segundo o diretor, é a própria dificuldade de acesso à tecnologia, algo que ainda não é compartilhado por todos. “Uma substituição total desses serviços poderia levar a um processo de desbancarização de uma parcela importante da população, que só foi absorvida pelos bancos num período muito recente”, conclui Duda.

 

Com informações do Reconta aí