(Da esq./dir.): Valmir Garnier, Benê, Alexandre Pimenta, Daiany, Alexandre Carlquist, Marcelo, Ronan, Cacau, Vanessa e Soares – Foto: Sindibancários/ES

A comissão de negociação do Sindicato dos Bancários/ES retomou nesta quarta-feira (17) as discussões sobre saúde e condições de trabalho com o Banestes. O tema havia sido debatido na rodada de abertura das negociações que visam a construção do novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos banestianos. A pesquisa “Nossa Saúde Importa” é uma parceria do Sindicato dos Bancários/ES e do Departamento de Psicologia Social da Universidade Federal dos Espírito Santo (Ufes). Finalizada em junho último, a pesquisa foi respondida por aproximadamente 12% dos bancários da base capixaba (cerca de 6.500 trabalhadores). 

O secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Ronan Teixeira, apresentou aos representantes do banco o recorte específico das funcionárias e dos funcionários do Banestes e explicou detalhadamente a metodologia utilizada na pesquisa pela equipe da Ufes, coordenada pelos professores Thiago Drumond, Roberta Belizário e Aline Alves. O dirigente selecionou alguns dados da pesquisa. De acordo com o estudo, 41,4% dos banestianos se afastaram do trabalho por motivo de saúde nos últimos 12 meses. Desses afastamentos, 28,8% estavam diretamente relacionados a transtornos mentais e comportamentais, como depressão e ansiedade. “Para além desses dados, a pesquisa aponta para um alto índice de trabalhadores que vão trabalhar adoecidos. Os afastamentos por doença mental representam quase um terço dos casos de adoecimento”, assinalou.

Outro dado destacado pelo dirigente apontou que 61,4% dos afastamentos estão relacionados ao trabalho. Ronan acrescentou que o estresse, a ansiedade e a depressão afetam mais da metade dos empregados do Banestes. “Quando observamos o recorte da frequência da depressão, por exemplo, que é uma doença psiquiátrica, 19% têm classificação de leve a moderada, enquanto 31% de grave a extremamente grave”.

Metas: gatilho do adoecimento
Ronan chamou atenção para o fato de as metas estarem diretamente relacionadas aos gatilhos do adoecimento mental dos bancários do Banestes. Uma das questões relacionava o não cumprimento das metas como fator de ansiedade; 67% disseram concordar com a afirmação. Outro dado revelou que 56% dos banestianos admitiram pensar nas metas no horário de descanso. Metade dos funcionários apontou que o ritmo de trabalho imposto pelo banco é excessivo.

A pesquisa, ressaltou o dirigente, também mostrou outro dado preocupante: 77% dos banestianos disseram concordar (total ou parcialmente) que têm pouca estabilidade no emprego. “Por se tratar de um banco público, com funcionários concursados, esse é um dado bastante inquietante. Esse percentual é menos da metade entre os empregados da Caixa e do Banco do Brasil”, comparou Ronan. 

Precarização
A dirigente Vanessa Espíndula, que coordena a comissão de negociações do Sindicato, aproveitou os dados da pesquisa para ratificar quatro pontos destacados na primeira reunião sobre saúde e condições de trabalho.  A dirigente destacou a sobrecarga de trabalho, a insegurança em relação ao emprego (dado confirmado pela pesquisa), a desigualdade na valorização dos empregados e a precarização das relações de trabalho como fatores que contribuem para o adoecimento mental. Ela citou como exemplo da falta de isonomia na valorização dos empregados a Remuneração Estratégica Variável (REV). “Quem está em cargo de comando tem valorização diferenciada no pagamento da REV em comparação a um técnico bancário que não tem função gratificada”. 

Ela falou ainda da precarização das relações de trabalho e da grande pressão que o banco exerce sobre os funcionários para o cumprimento de metas. 

Ultratividade
O dirigente do Sindicato Claudio Merçon (Cacau) cobrou da comissão que representa o banco uma posição sobre o acordo de ultratividade, proposto na minuta apresentada ao Banestes. A ultratividade permite que o atual ACT (2022 – 2024) permaneça em vigor até que o novo acordo seja celebrado entre as partes. Cacau lembrou que a manutenção do acordo vigente, que era automática antes da reforma trabalhista (2017), precisa ser formalizada em mesa.  

O gerente-geral de Recursos Humanos, Alexandre Carlquist, que coordena a comissão do Banestes, disse que levaria a demanda à diretoria e que daria um retorno ao Sindicato. Ele afirmou que não deve haver impeditivo por parte do Banestes para assinar o acordo de ultratividade. Cacau argumentou: “Temos muitos temas ainda para discutirmos na mesa, alguns recorrentes, como esse da saúde, por exemplo, que está sendo debatido pela segunda vez. Com a ultratividade garantida podemos fazer os debates com tranquilidade, sem a pressão da data”, reforçou o dirigente, referindo-se à data limite de 31 de agosto para assinatura do ACT. 

Reivindicações
Nesta terceira rodada de negociações, a comissão que representa os trabalhadores também cobrou dos representantes do banco uma resposta da diretoria sobre as reivindicações consignadas na minuta. “Entregamos a minuta a vocês na primeira reunião [03 de julho] de negociação. Queremos saber se há dúvidas, pontos a esclarecer. Porque queremos entrar especificamente nas cláusulas na minuta”, reforçou Cacau. 

Carlquist respondeu que havia feito alguns apontamentos na minuta, mas que ainda não havia levado a minuta para análise da diretoria. “Pensei que fôssemos fazer isso no final das negociações”. Cacau ponderou: “Para nós é importante saber da posição do banco no decorrer das negociações para que possamos informar e mobilizar a categoria para as questões que estão sendo discutidas”. 

Com relação aos dados da pesquisa sobre adoecimento, a comissão do Banestes ficou de levar os dados para avaliação da diretoria. 

Participaram da terceira rodada de negociações, representando os trabalhadores, os dirigentes Vanessa Espíndula, Claudio Merçon (Cacau), Marcelo Giacomin e Paulo Soares. Pelo Banestes estiveram presentes  Alexandre Carlquist, Alexandre Pimenta, Daiany Martins Bello, Benedito de Jesus Pimentel (Benê) e Valmir Guarnier.