PQV sofre críticas e Caixa abre diálogo com comissão de empregados

17/05/2023 22:20

Gerou grande repercussão entre os empregados e as entidades sindicais as alterações feitas no atual Programa de Qualidade de Vendas (PQV) pela atual gestão da Caixa

As mudanças promovidas no Programa de Qualidade de Vendas (PQV) da Caixa geraram polêmica entre os empregados e as entidades sindicais. Diante da repercussão, a Caixa soltou um comunicado para explicar os ajustes promovidos no programa pela atual gestão da instituição. A Caixa também atendeu ao pedido da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), que pediu explicações sobre o programa, e marcou uma reunião para esta sexta-feira, 19. Entre os pontos mais criticados do programa, destaques para a possibilidade da aplicação de penalidades mais rígidas quando a pontuação do empregado é inferior à 90 pontos (a chamada faixa de verificação) e para “Comissão de Avaliação e Enquadramento”, instância que delibera pelas punições, sem a presença de um membro da rede

No comunicado, a Caixa enfatiza que o PQV passou a ser uma exigência do Banco Central (BC) e foi implementado na Caixa em 2020, sob a gestão de Pedro Guimarães, em atendimento à Resolução CMN 4.539/2016, depois revogada e substituída pela Resolução CMN 4.949/2021, que dispõe sobre princípios e procedimentos a serem adotados no relacionamento com clientes e usuários de produtos e de serviços. A direção da Caixa justifica que com essa regulamentação, todas as instituições financeiras ficaram sujeitas às mesmas exigências e penalidades em caso de descumprimento.

A dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro da CEE-Caixa, Lizandre Borges, admite que as alterações causaram surpresa, mas ponderou que o PQV não é um programa de autoria da atual gestão da Caixa. “Importante frisar que o PQV é uma imposição do BC. A Caixa está sustentando que a versão do atual programa é transitória, e que um novo PQV será proposto no segundo semestre”, pontua a dirigente. Ela acrescenta que o descontentamento dos empregados com o PQV se intensificou em 2022 e permaneceu neste ano. Lizandre lembra que foi constituído um Grupo de Trabalho Multidisciplinar para fazer a revisão do programa.

De acordo com a Caixa, um novo PQV está em  em construção e seguirá os trâmites de governança da instituição para sua aprovação, com implantação prevista a partir do segundo semestre deste ano. A Caixa ainda sustenta que se não fossem adotadas as alterações, o regulamento vigente (2022) seria mantido com relação às vendas realizadas no primeiro semestre de 2023.

“Neste momento, o diálogo é a via mais sensata para discutirmos os retrocessos impostos pelo PQV. Ora, é óbvio e ululante que queremos nos livrar de todo o entulho legado pela gestão Pedro Guimarães, que foi marcada pelos casos de assédio sexual e moral e retrocessos que afastaram a Caixa de sua vocação social e enfraqueceram os alicerces da instituição. Queremos enterrar definitivamente esse entulho. Creio que esse também seja o desejo da atual presidenta da Caixa”, afirma. 

A dirigente diz ainda que o Sindicato não vai se furtar do seu papel de fiscalizar e defender prioritariamente os interesses dos empregados e das empregadas da Caixa. “A transição é sempre um momento difícil, mas entendemos que medidas polêmicas como as anunciadas poderiam ser previamente discutidas com os empregados. Isso evitaria todo esse desgaste”, assinala Lizandre. 

A dirigente tem expectativa positiva que na reunião na sexta-feira se chegue a um consenso e sejam adotadas as medidas necessárias para acabar de vez com o legado autoritário do bolsonarismo nas estruturas da Caixa. “O PQV tem de ser uma ferramenta para gerar qualidade de vida ao trabalhador e não um catalisador de todo esse mal-estar e estresse que vêm sendo causados aos funcionários desde a sua criação”, finaliza.