As mudanças promovidas no Programa de Qualidade de Vendas (PQV) da Caixa geraram polêmica entre os empregados e as entidades sindicais. Diante da repercussão, a Caixa soltou um comunicado para explicar os ajustes promovidos no programa pela atual gestão da instituição. A Caixa também atendeu ao pedido da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), que pediu explicações sobre o programa, e marcou uma reunião para esta sexta-feira, 19. Entre os pontos mais criticados do programa, destaques para a possibilidade da aplicação de penalidades mais rígidas quando a pontuação do empregado é inferior à 90 pontos (a chamada faixa de verificação) e para “Comissão de Avaliação e Enquadramento”, instância que delibera pelas punições, sem a presença de um membro da rede
No comunicado, a Caixa enfatiza que o PQV passou a ser uma exigência do Banco Central (BC) e foi implementado na Caixa em 2020, sob a gestão de Pedro Guimarães, em atendimento à Resolução CMN 4.539/2016, depois revogada e substituída pela Resolução CMN 4.949/2021, que dispõe sobre princípios e procedimentos a serem adotados no relacionamento com clientes e usuários de produtos e de serviços. A direção da Caixa justifica que com essa regulamentação, todas as instituições financeiras ficaram sujeitas às mesmas exigências e penalidades em caso de descumprimento.
A dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro da CEE-Caixa, Lizandre Borges, admite que as alterações causaram surpresa, mas ponderou que o PQV não é um programa de autoria da atual gestão da Caixa. “Importante frisar que o PQV é uma imposição do BC. A Caixa está sustentando que a versão do atual programa é transitória, e que um novo PQV será proposto no segundo semestre”, pontua a dirigente. Ela acrescenta que o descontentamento dos empregados com o PQV se intensificou em 2022 e permaneceu neste ano. Lizandre lembra que foi constituído um Grupo de Trabalho Multidisciplinar para fazer a revisão do programa.
De acordo com a Caixa, um novo PQV está em em construção e seguirá os trâmites de governança da instituição para sua aprovação, com implantação prevista a partir do segundo semestre deste ano. A Caixa ainda sustenta que se não fossem adotadas as alterações, o regulamento vigente (2022) seria mantido com relação às vendas realizadas no primeiro semestre de 2023.
“Neste momento, o diálogo é a via mais sensata para discutirmos os retrocessos impostos pelo PQV. Ora, é óbvio e ululante que queremos nos livrar de todo o entulho legado pela gestão Pedro Guimarães, que foi marcada pelos casos de assédio sexual e moral e retrocessos que afastaram a Caixa de sua vocação social e enfraqueceram os alicerces da instituição. Queremos enterrar definitivamente esse entulho. Creio que esse também seja o desejo da atual presidenta da Caixa”, afirma.
A dirigente diz ainda que o Sindicato não vai se furtar do seu papel de fiscalizar e defender prioritariamente os interesses dos empregados e das empregadas da Caixa. “A transição é sempre um momento difícil, mas entendemos que medidas polêmicas como as anunciadas poderiam ser previamente discutidas com os empregados. Isso evitaria todo esse desgaste”, assinala Lizandre.
A dirigente tem expectativa positiva que na reunião na sexta-feira se chegue a um consenso e sejam adotadas as medidas necessárias para acabar de vez com o legado autoritário do bolsonarismo nas estruturas da Caixa. “O PQV tem de ser uma ferramenta para gerar qualidade de vida ao trabalhador e não um catalisador de todo esse mal-estar e estresse que vêm sendo causados aos funcionários desde a sua criação”, finaliza.

