Presidente da Caixa admite estudo para abrir capital

02/10/2019 15:53

Intenção foi apresentada em audiência pública na Câmara dos Deputados. Para movimento sindical, medida seria mais um passo em direção à privatização do banco

Pedro Guimarães, ao centro, em audiência na Câmara dos Deputados. Foto: Reconta ai

Em audiência pública na Comissão do Trabalho e do Serviço Público da Câmara dos Deputados nessa terça-feira, 1, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, admitiu que a Caixa estuda a abertura de capital do banco. Questionado pela deputada Erika Kokay (PT-DF) ante a ameaça de privatização do banco, Guimarães se apressou a explicar que abrir o capital não significa privatização.

“Mesmo que tenha dito que abrir o capital não é privatização, fica clara a intenção de enfraquecer a empresa, que deixará de ser 100% pública para atender a interesses de acionistas”, afirma Jair Ferreira, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae).

Para Lizandre Borges, da diretoria do Sindicato dos Bancários/ES, as palavras do presidente sinalizam que o banco está caminhando para o processo de privatização. “Sabemos que a abertura de capital e um passo importante para a privatização”, afirmou.

Jair Ferreira também interpreta que os movimentos da direção do banco estão preparando o terreno para privatização. Ele lembrou que medidas como venda de carteiras rentáveis, do setor de seguros e segmentos das loterias e a redução de pessoal de 105 mil (2015) para 82 mil atuais, enfraquecem a empresa.

“Abrir o capital para acionistas muda completamente a vocação da Caixa, de banco social, comprometido em financiar a execução de políticas públicas fundamentais para a população brasileira, como habitação, saneamento básico e distribuição de renda. O compromisso histórico da Caixa não é com o lucro”, enfatizou Lizandre.

Assédio moral

Durante a audiência o presidente da Caixa também foi questionado sobre as denúncias de assédio moral. A deputada Erika Kokay, proponente da audiência, confrontou Pedro Guimarães ao apresentar números da pesquisa feita pela Fenae. O estudo aponta que 60% dos empregados se dizem sobrecarregados, em situação de assédio moral, temendo a reestruturação do banco, mudanças bruscas na vida funcional, pressionados por planos de metas a serem batidos. O presidente afirmou que não tem conhecimento de assédio moral dentro da empresa.

Lizandre disse que embora Guimarães alegue desconhecer a situação de assédio enfrentada pelos funcionários, a sobrecarga de trabalho é uma realidade. “Toda essa pressão tem causado o adoecimento de muitos trabalhadores”. Ela acrescenta que o número de funcionários tem caído ano a ano. Por exemplo, o presidente enaltece que foram contratados recentemente 2 mil PCDs (pessoas com deficiência), mas não esclarece que essas contratações só aconteceram após denúncia ao Ministério Público”. Lizandre acrescenta que os 800 novos funcionários anunciados pela Caixa, além dos 2 mil PCDs, não suprem a demanda reprimida de trabalho nas agências da Caixa. “Só este ano, foram 3 mil demissões”, recordou Lizandre.