Depois de passar por Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, a Primavera Banestiana chegou nessa quinta-feira (28) à Capital capixaba para discutir a pauta de lutas com os bancários e as bancárias (da ativa e aposentados) da Grande Vitória. Em plenária seguida de assembleia, no Centro Sindical dos Bancários, foi aprovada à unanimidade a pauta que já havia sido referendada dias atrás pelos banestianos do interior do Espírito Santo. A pauta sugere quatro pontos: Plano de Cargos e Salários, Banescaixa, saúde e condições de trabalho e Banestes público e estadual. Os bancários da Grande Vitória também reivindicaram a inclusão de pontos específicos da Fundação Baneses.  

Na abertura da plenária, o secretário-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, explicou cada um dos pontos da pauta. O dirigente destacou a urgência de os banestianos conquistarem um Plano de Cargos e Salários (PCS). Ele lembrou aos colegas, especialmente aos com mais tempo de casa, que essa reivindicação já se estende por quase três décadas. No evento institucional Encontro de Gigantes do ano passado, recordou Jonas, o diretor Álcio de Araújo prometeu que o banco iria apresentar um PCS neste ano. “Já estamos entrando no último trimestre do ano e nada. É só promessa. O Plano de Cargos e Salários, além de valorizar o trabalhador, oferece uma perspectiva de crescimento para banestiano dentro da empresa”, apontou. 

Jonas explicou cada uma das pautas da campanha

Banescaixa abandona aposentados
Outro ponto que tem despertado bastante interesse nas plenárias é a Banescaixa. Não foi diferente em Vitória. Não por acaso, havia no auditório um bom número de aposentados e aposentadas – os mais afetados pela mensalidade abusiva do plano de saúde. Jonas afirmou que o banestiano que se aposenta não consegue continuar pagando o plano. “É um valor inviável para o trabalhador que recebe aposentadoria. Muitos estão migrando para planos de mercado mais em conta ou simplesmente ficando sem plano e engrossando as filas do SUS”, lamentou o dirigente. 

Maria José Marcondes, conhecida como Zezé Pimenta, dirigente da Banespar (Associação de Participantes Assistidos e Beneficiários da Fundação Banestes de Seguridade Social) disse que o Grupo de Trabalho (GT) se reúne com um interlocutor do Banestes frequentemente, mas a pauta não avança. “O funcionário designado pelo banco para conversar conosco não tem autonomia para resolver nada. Apresentamos nossas reivindicações e ele diz simplesmente que as levará à direção do banco. Saímos das reuniões como entramos, ou seja, sem nada”, criticou Zezé. 

O dirigente do Sindicato Marcelo Giacomin fez um apelo aos banestianos mais jovens. “Para nós que somos mais jovens, talvez a mensalidade do plano de saúde não seja motivo de preocupação neste momento. Mas todos nós vamos envelhecer e, mais para frente, a Banescaixa também será um problema para nós. Os valores que estão sendo cobrados dos mais velhos tornam o plano inviável para esse segmento etário. Quanto mais associados deixam o plano, mais comprometida fica a equação da sustentabilidade da Banescaixa. O plano precisa ser urgentemente redesenhado para garantir a inclusão dos trabalhadores que se aposentam”, assinalou Marcelo. 

Danilo Bicalho, representante dos funcionários no Conselho de Administração do Banestes, também se solidarizou com a situação dos aposentados. Ele também se disse engajado nas pautas que considera legítimas e justas.

Saúde e Condições de trabalho
Jonas afirmou que o Sindicato se engajou na campanha nacional Menos Metas, Mais Saúde. Ele disse que o tema saúde está na ordem do dia devido ao adoecimento em massa da categoria. “O eixo saúde e condições de trabalho remete obrigatoriamente para a discussão sobre metas. A imposição dos bancos para o trabalhador cumprir metas cada vez mais intangíveis tem sido o principal gatilho do adoecimento, sobretudo o mental. No Banestes não é diferente. Há um número crescente de banestianos tomando medicamentos controlados. A meta se transformou no chicote mais cruel do banco”, afirmou o secretário-geral do Sindibancários. 

A manutenção do Banestes público e estadual, foi outro ponto de pauta registrado na plenária. “Lutar para que o Banestes continue pertencendo e servindo ao povo capixaba é uma pauta permanente porque a ameaça de privatização do banco e seus ativos é constante. O Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, entra governo e sai governo, vem travando essa batalha com os governadores desde meados da década de 1980. Essa luta não tem prazo para acabar”, sublinhou Jonas. 

Fundação entra na pauta

Gobbi aponta desafios para a Fundação Baneses

O diretor de Seguridade da Baneses, Ricardo Gobbi, apontou quais são hoje os principais gargalos da fundação e sua fala causou preocupação, principalmente entre os mais velhos. Ele explicou as diferenças dos Planos I e II e os esforços da fundação para equalizar os índices aplicados em ambos os planos. Gobbi disse que os problemas da fundação e da Banescaixa estão relacionados. O dirigente na Baneses afirmou que os aposentados do Plano I vêm sofrendo perdas nos reajustes. Segundo ele, muitos aposentados (plano I) não conseguem pagar a Banescaixa porque seu benefício previdenciário não vem sendo corrigido acima da inflação. “Precisamos nos manter unidos, caso contrário não chegaremos a lugar nenhum. Por isso é importante estarmos neste momento cada vez mais próximos do Sindicato”, reforçou Gobbi.

Diante do grande interesse pelo tema, foi reivindicado e o Sindicato acatou a inclusão da Baneses nas pautas de luta da Primavera Banestiana. O dirigente do Sindicato Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que também é membro do Comando Nacional dos Bancários, destacou que o tema Baneses é bastante amplo. Ele ponderou que algumas questões estão fora do âmbito de discussão do Sindicato. “Mas as questões da fundação que são tangíveis à alçada do Sindicato serão aprofundadas e discutidas”, garantiu. 

Ação do dia 10 de outubro
Carlão alertou que o engajamento dos banestianos e das banestianas à campanha Primavera Banestiana será decisivo para fortalecer as pautas de luta em busca de conquistas. “Agora que já concluímos essa primeira rodada de plenárias e assembleias, o próximo passo é intensificar a mobilização no sentido de aumentarmos a pressão sobre o governo Casagrande. É importante ressaltar que a pauta em disputa é justa. Estamos lutando por condições mais dignas para os banestianos da ativa e aposentados”. 

Para a manhã de 10 de outubro o Sindicato programou um ato da campanha Primavera Banestiana em frente ao edifício-sede do Banestes, Pallas Center, no Centro de Vitória. Dentro desse espírito de mobilização, Jonas pediu empenho de todos e todas para transformar a manifestação do dia 10 em um ato grandioso. Na ocasião, o Sindicato irá entregar formalmente à direção do Banestes a minuta de reivindicações da campanha. “No dia, haverá um receptivo café da manhã acompanhado de uma boa música. Faremos uma entrega de flores, porque, afinal, é primavera. É com esse ímpeto de renovação que a primavera nos traz e com muita disposição para a luta que iremos para este ato. Esperamos vocês lá”, convocou Jonas.  

Confira as fotos da assembleia
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)