
Ato de lançamento da campanha Primavera Banestiana (Fotos: Sérgio Cardoso)
Transição entre inverno e verão, a primavera é conhecida como estação das flores, justamente por apresentar as condições mais favoráveis para as plantas florescerem. Foi dentro desse espírito de abertura de um novo ciclo, de uma renovação de expectativas, que o Sindicato dos Bancários/ES lançou nesta terça-feira (10) a campanha “Primavera Banestiana”, após a realização de assembleias seguidas de plenárias, durante o mês de setembro, na Grande Vitória e interior pela aprovação da campanha. No acesso ao edifício-sede do Banestes (Palas Center), em Vitória, banestianos e banestinas (da ativa e aposentados) receberam um bom dia especial dos dirigentes do Sindicato, com direito a um vasinho de flores e um saboroso café da manhã. O clima de aconchego ficou ainda mais convidativo com trilha sonora da melhor qualidade proporcionada pelo dueto Lua (voz) e Letícia (violão).
Em meio às pausas entre uma música e outra, não faltaram as tradicionais falas de luta dos dirigentes do Sindicato, que destacaram as pautas de reivindicações da campanha: construção de um Plano de Cargos e Salários (PCS), instalação de um Grupo de Trabalho (GT) para discutir a sustentabilidade da Banescaixa, mais saúde, menos metas e melhores condições de trabalho, solução para a Fundação Baneses – plano de previdência complementar dos aposentados e das aposentadas do banco e a defesa do Banestes público e estadual. Após o encerramento do ato, um grupo de dirigentes do Sindicato entregou à direção do Banestes uma minuta com as reivindicações da campanha. O documento foi recebido pelo gerente-geral de Recursos Humanos do Banestes, Alexandre Carlquist, que prometeu, em nome da direção do banco, abrir uma agenda de negociações para discutir as pautas apresentadas pelo Sindicato.

Jonas Freire entrega minuta de reivindicações ao gerente-geral de Recursos Humanos do Banestes, Alexandre Carlquist
O secretário-geral do Sindibancários, Jonas Freire, classificou como positiva a sinalização do banco de abrir uma agenda de negociações. “Vamos aguardar a confirmação dessa agenda para termos a certeza de que a promessa será cumprida desta vez. Como há um histórico de acordos não cumpridos por parte do banco, temos a cautela de ficar com o pé atrás. Mas vamos nutrir a expectativa de que dessa vez as negociações irão avançar”, observou Jonas.
O dirigente destacou que o banco vem acumulando lucros recordes nos últimos dez anos, mas esses resultados positivos não estão sendo revertidos em benefícios para os trabalhadores. “O trabalhador nunca é contemplado. É preciso lembrar que cada real que entra no banco é fruto do empenho de cada um dos banestianos. Seria razoável que a direção do banco reconhecesse esse empenho, garantindo condições dignas de trabalho para os que estão na ativa e fossem sensíveis à situação dos aposentados, que doaram boa parte de suas vidas ao Banestes e hoje estão entregues à própria sorte, amargando perdas sucessivas na previdência privada. Com a aposentadoria mais curta, eles são obrigados a deixar o plano de saúde, porque a mensalidade não cabe mais nos orçamentos desses companheiros e dessas companheiras”, lamentou Jonas.

Aposentados, que já haviam marcado presença na assembleia, também apoiaram o lançamento da campanha
Reforçando a difícil situação dos aposentados, o diretor de Seguridade da Baneses, Ricardo Gobbi, apontou quais são hoje os principais gargalos da fundação. Ele explicou as diferenças dos Planos I e II e os esforços da fundação para equalizar os índices aplicados em ambos os planos. Gobbi disse que os problemas da fundação e da Banescaixa estão relacionados. “As perdas dos aposentados do Plano 1 comprometem a sustentabilidade da Banescaixa”. Gobbi alertou que se nada for feito para manter os aposentados na Banescaixa, em breve o plano de saúde sucumbirá.
“Esta primavera é nossa”
A coordenadora-geral do Sindicato, Rita Lima, disse que a primavera inspira a luta. “Esta primavera tem de ser nossa. Como destacou Jonas, o Banestes lucra milhões, mas não tem o compromisso de melhorar as condições de trabalho de seus funcionários”, apontou a dirigente, que também criticou a postura cruel do banco em relação aos aposentados.
Para o diretor do Sindicato e integrante do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), a campanha “Primavera Banestiana” é um momento especial porque abre a perspectiva de renovação da vida. “Estamos lutando por condições dignas de trabalho. A adoção de um Plano de Cargos e Salários valoriza o trabalhador que está há anos no banco e ao mesmo tempo permite que o funcionário em início de carreira vislumbre um plano de desenvolvimento dentro da empresa. Valorizar o trabalhador traz benefícios para a empresa. O Banestes precisa perceber esse ganho”, frisou.

Rita Lima destacou a importância de os banestianos conquistarem um Plano de Cargos e Salários.
Ainda impactado pelo episódio ocorrido dias atrás na agência do Banestes em Domingos Martins, Carlão destacou a importância de um dos pontos da pauta da campanha que discute saúde e condições de trabalho. No caso relatado, o dirigente repudiou o fato de os funcionários do Banestes estarem trabalhando em condições insalubres, como se estivessem num canteiro de obras. “Em Domingos Martins ficou patente o total desrespeito à saúde e dignidade dos trabalhadores”. As lideranças sindicais intervieram e a direção do Banestes chamou a polícia para inibir uma ação sindical legítima em defesa do bem-estar dos funcionários do banco. “Quando falamos em lutar por condições de trabalho dignas, estamos nos referindo a esse tipo de violação que desrespeita o trabalhador. Lembrando que o caso ocorrido em Domingos Martins tem sido recorrente”, enfatizou Carlão.

A diretora Vanessa Espíndula aprovou o clima positivo do ato de lançamento da campanha
Inspiração para a luta
“A campanha Primavera Banestiana tem o propósito de inspirar a luta. Pelo que estamos vendo aqui hoje, acho que a campanha está cumprindo o seu papel. Há um clima leve e positivo. O ato conseguiu reunir jovens e idosos unidos numa mesma causa. Esse clima abre o coração da gente e nos desperta para a luta. Nosso desafio a partir de agora é seguir com a campanha a todo o vapor para atrair mais banestianos e banestiana para a luta. Afinal, as conquistas só vêm com engajamento, mobilização e luta”, afirmou a diretora, que também é banestiana, Vanessa Cristina Espíndula.
“Como comentou Vanessa, a campanha tem essa pegada inspiradora. Muito positivo e motivador ver essa integração entre banestianos da ativa e aposentados lutando por pautas convergentes. Essa união fortalece a luta”, afirmou o dirigente Marcelo Giacomin. Para ele, o lançamento da campanha dá um grande impulso para a pauta de reivindicações entregue à direção do Banestes. “À medida que o banestiano vai tomando conhecimento da pauta, naturalmente vai se integrando à campanha. São temas que afetam a todos nós, banestianos, que lutamos por condições mais dignas de trabalho”, sublinhou Marcelo.
O banestiano Arthur Moreira também se disse inspirado pela campanha. Destacando a importância do Plano de Cargos e Salários, o bancário lembrou que a perspectiva de construir uma carreira dentro do banco traz dignidade ao trabalhador. “Temos que nos mobilizar e nos engajarmos na luta por nossa dignidade. Ele disse ainda que a valorização do funcionário retorna para a própria sociedade. “Essa luta é do interesse de todos os capixabas. É a luta pelo nosso Banestes, que é do povo capixaba”, enfatizou Arthur.
Renovação
Se a primavera é prenúncio de renovação, o lançamento da campanha foi prestigiado pelos “quase” banestianos Ben-Hur Guimarães e mais dois colegas, que foram um dos aprovados mais de 705 aprovados no concurso para o banco, corretora e seguradora. O resultado dos aprovados saiu em junho deste ano, mas o Banestes ainda não convocou os candidatos. Ben-Hur, que integra a comissão dos aprovados no concurso, destacou que um banco do porte do Banestes não só precisa como tem condições de absorver os trabalhadores aprovados. Ben-Hur afirmou que a contratação também tem um caráter social porque muda a vida não só dos candidatos, mas também das suas famílias. “Em especial, reivindicamos a convocação dos indígenas, negros e pessoas com deficiência (PcDs) aprovadas no concurso. Acreditamos que o banco público deve ter esse compromisso social. A convocação desses grupos seria antes de mais nada uma questão de inclusão social”, reforçou Ben-Hur.
Rita Lima elogiou a consciência dos concursados de se engajarem na luta antes mesmo de ingressarem oficialmente no Banestes. “Entre as pautas da campanha, temos a luta por melhores condições de trabalho, que passa obrigatoriamente pela realização de concursos para novas contratações. Infelizmente, a categoria bancária enfrenta um adoecimento em massa nos últimos anos. Sabemos que muitas dessas doenças são decorrentes da sobrecarga de trabalho. Por isso o Sindicato apoia incondicionalmente a contratação imediata dos concursados e das concursadas do Banestes”, enfatizou Rita Lima.
Confira as fotos do lançamento da campanha Primavera Banestiana (fotos: Sérgio Cardoso)

