
A avaliação dos dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES é de que o primeiro encontro com o novo diretor-presidente do Banestes, Carlos Artur Hauschild, foi positivo. Na reunião que aconteceu na manhã desta sexta-feira (22) no Palas Center, no Centro de Vitória, Hauschild afirmou que deseja construir uma relação de respeito e transparência com o Sindicato. Após a abertura de boas-vindas, Hauschild passou a palavra para o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES. Carlos Pereira de Araújo (Carlão) apresentou os principais pontos de pauta da categoria.
Demissão imotivada ou sem justa causa – Carlão destacou que esse é um problema que vêm tirando o sono dos banestianos e
banestianas. O dirigente afirmou que qualquer demissão, imotivada ou não, tem de ser antecedida de um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) rigoroso, para que seja garantido o direito da ampla defesa e do contraditório ao empregado. “Consideramos um absurdo o Banestes fazer as demissões de forma arbitrária como vem fazendo sem o devido PAD. Caixa e Banco do Brasil fazem o PAD para demissões imotivadas. Acho que esta é uma questão mais política do que econômica ou jurídica”, assinalou.
A dirigente do Sindicato Renata Resende, para caracterizar a situação, chegou a citar um caso específico em que, aparentemente, não havia justificativa para a demissão, mas mesmo assim a pessoa foi desligada sem justa causa. Ela reforçou que a obrigatoriedade do PAD para as demissões imotivadas evitaria que o banco cometesse injustiças contra os empregados.
Perdas históricas – Carlão chamou atenção do presidente para as perdas históricas que os banestianos acumulam ao longo de décadas. Essas perdas salariais, aliás, a partir de um levantamento do Dieese, foram levadas à mesa de negociação na campanha salarial passada. O dirigente acrescentou ainda que o Plano de Cargos e Salários (PCS), que passou a vigorar em maio, era uma oportunidade para o Banestes iniciar a reposição dessas perdas.
Saúde dos empregados – Emendando o tema às demissões imotivadas, Carlão afirmou que o adoecimento passa muito por esse processo de demissão arbitrária. Ele falou que a demissão sem justa causa gera uma situação de vulnerabilidade nos empregados, que se manifesta muitas vezes no aumento da ansiedade e outros transtornos mentais. Ele mencionou também os altos índices de adoecimento mental na categoria e afirmou que o tema também está entre as pautas centrais da campanha nacional deste ano. “Na semana passada, na reunião do Comando Nacional dos Bancários, propusemos o ‘pacto pela saúde dos bancários’”, sublinhou.
Os casos de afastamento acidentário por saúde mental no setor financeiro aumentaram de 9,3% para 20%, entre 2012 e 2024 – o maior crescimento registrado no país entre todos os setores. Considerando apenas o subsetor bancário, os transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários em 2024, enquanto as LERT/DORT (doenças relacionadas a movimentos repetitivos e esforço excessivo no trabalho) por 20,3% dos afastamentos.
Banescaixa – Ainda no tema saúde, Carlão levou ao presidente do Banestes a preocupação dos empregados com a Banescaixa. Ele enfatizou a situação dos aposentados, que estão deixando o plano de saúde porque não conseguem mais pagá-lo. O dirigente disse ainda que há anos a direção do banco prometeu organizar um grupo de trabalho (GT) para tratar dos problemas da Banescaixa. “O problema é que este GT nunca saiu do papel”. O Banestes prometeu que apresentaria um plano alternativo que coubesse no bolso dos aposentados, mas a promessa não foi cumprida.
Banestes Seguros – A entrada da Zurich e da Mapfre no balcão do Banestes concorrendo diretamente com os produtos da Banseg foi outro ponto assinalado por Carlão. O coordenador do Sindicato afirmou abertamente que o Sindicato defende o Banestes público e estadual e advertiu que o processo de canibalização da seguradora pelas concorrentes enfraquece os resultados financeiros não apenas da Banseg, mas da instituição como um todo. “Essa lógica de entregar o balcão do Banestes para as concorrentes para venderem os mesmos produtos da Banseg, só favorece a iniciativa privada”, pontuou.
Conselho de Administração – Como é do conhecimento dos banestianos, em março último o candidato ao Conselho de Administração eleito pelos funcionários, Jorge Vaccari, venceu a disputa, mas não pode ser empossado em função de não ter preenchido os requisitos exigidos pelo estatuto eleitoral e pelo Banco Central. O Sindicato questionou o presidente do Banestes sobre o motivo da segunda candidata mais votada (47,82% dos votos) não poder assumir a cadeira no Conselho de Administração.
A superintendente Jurídica do Banestes, Juliana Costa Souza de Almeida, explicou que o edital não prevê que a segunda mais votada assuma em caso de impedimento do primeiro colocado. Ela confirmou que haverá uma nova eleição. A advogada admitiu, no entanto, que existe uma omissão no edital, que já está sendo corrigida para o próximo pleito. Carlão insistiu que a não proclamação da segunda colocada não fazia sentido, uma vez que a diferença no segundo turno do primeiro para o segunda colocada foi de menos de quatro pontos, e considerava legítima que Sibiakarem assumisse a cadeira do CA.
Hauschild garantiu que, caso a candidata decida judicializar a decisão da comissão eleitoral, não haverá nenhuma retaliação da parte dele como diretor-presidente do Banestes. “Eu fui muito transparente com ela. Disse que de minha parte não vai ter nenhuma mudança profissional minha com ela, se ela [decidir] judicializar, porque eu acho que se tem uma tese jurídica construída, então é assim, problema zero”, afirmou.
Campanha feminicídio zero – A dirigente Renata Resende falou ao presidente sobre o desejo do Sindicato de levar a campanha “Feminicídio Zero – Nenhuma a Menos & Nenhuma em Silêncio” para as agências do Banestes e para o prédio da Direção Geral. Hauschild foi muito receptivo à campanha e incumbiu o gerente de Gestão e Gente, Alexandre Carlquist, de encaminhar junto com o Sindicato a realização da campanha no Banestes. Renata relatou que as ações realizadas no Banco do Brasil tiveram uma ótima recepção das bancárias e dos bancários. “O coletivo de mulheres do Sindicato está organizando a campanha nos bancos e precisamos muito do apoio de vocês, porque a gente precisa dessa adesão para combater o feminicídio”. A dirigente enfatizou ainda que dentro do banco tem aparecido muitos casos de violência que vieram à tona com a campanha.
Canal de diálogo permanente – Carlão externou o desejo do Sindicato em restabelecer um canal de diálogo direto com a direção do Banestes. Hauschild manifestou reciprocidade em estreitar esse canal de diálogo. Após a primeira rodada da campanha nacional, que acontece em junho, o Sindicato e o Banestes devem abrir uma agenda para dar início às negociações da campanha salarial.
Hauschild afirmou que os pontos de pauta apresentados pelo Sindicato serão retomados nesta próxima reunião.
O diretor-presidente do Banestes também aproveitou a reunião para apresentar a comissão de negociação da campanha salarial deste ano. A comissão ficará sob a coordenação da superintendente do Jurídico Juliana. Completam a comissão o também advogado Márcio Amorim Campos Bomfim, Alexandre Carlquist e Renata (Gerente de Gente e Gestão) e Rafaella Rodrigues (Comunicação e Imprensa).
Participaram da reunião representando o Sindicato, Carlão, Renata Resende, Marcelo Giacomin e Arildo José da Silva.

