Primeira rodada de negociação com Banestes debate terceirização

06/09/2019 17:13

Sindicato cobrou suspensão dos processos de terceirização no CPD e audiência com o governador para tratar do tema

Sindicato apresenta pauta de reivindicações a representantes do banco no dia da entrega da minuta. Foto: Sérgio Cardoso

A comissão de negociação dos empregados do Banestes se reuniu ontem, 05, com representantes do banco para iniciar o debate sobre a minuta de reivindicações da categoria, entregue na última terça-feira, 03.

A primeira rodada focou no tema da terceirização, com pedido de suspensão dos processos de terceirização nos departamentos do CPD responsáveis pelo monitoramento dos sistemas do banco; manutenção dos caixas eletrônicos, computadores da rede de agências e correspondentes; e central de atendimento ao cliente. O Sindicato reivindicou reunião direta com o presidente do banco e uma audiência com o governador do Estado, Renato Casagrande, que durante a campanha eleitoral assinou termo de compromisso contra a privatização do Banestes e a terceirização.

“Solicitamos que não fossem publicados os editais de licitação para terceirização dos serviços, pelo menos até que a audiência com o governador seja garantida”, explica o coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire.

Para o diretor, o encontro com o governador é estratégico para debater as implicações da terceirização, diante do compromisso assumido por ele.

“Esse pode ser o início de um processo que não sabemos onde vai parar. A terceirização pode ser considerada um processo de privatização por dentro, esvaziando o banco público com a concessão para a iniciativa privada de áreas importantes do banco. Essa medida, no nosso entendimento, facilita o processo de privatização”.

O Sindicato destaca ainda outros riscos da terceirização. “Há uma preocupação severa com a vulnerabilidade do sistema e a segurança das informações, inclusive dos clientes, já que terceiros, e não mais empregados do banco, passarão a ter acesso aos programas e a possíveis fragilidades do sistema”, destaca Jonas.

Durante a negociação, a comissão de empregados tratou ainda dos problemas gerados para os trabalhadores desses setores, que são transferidos de forma compulsória, com rebaixamento e perda salarial.

O coordenador geral do Sindicato acredita que o processo pode ser revertido, com o apoio conjunto dos empregados e da sociedade, e relembra outras situações já enfrentadas pela categoria.

“Em 2002, quando o banco tentou fechar o posto bancário do bairro Porto Canoa, na Serra, a comunidade se mobilizou e garantimos a permanência da unidade, que hoje é uma agência referência para a região, fundamental para o processo de bancarização da população e para o comércio. Processo semelhante aconteceu em Barra do Riacho, mais recentemente. Nosso argumento é de que qualquer ação que implique em esvaziar o Banestes leva ao enfraquecimento do banco como empresa pública e do papel social”, conclui.

Próxima rodada

Uma nova rodada de negociação foi indicada para a próxima terça-feira, dia 10. A agenda, no entanto, ainda será confirmada.