Os representantes da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) não saíram nada satisfeitos da reunião com o vice-presidente de Pessoas, Sergio Mendonça. Em rodada de negociação da mesa permanente nessa quinta-feira (28), a Caixa apresentou uma proposta para retomar as designações de funções de caixa e tesoureiro, conforme desdobramento de reunião do Grupo de Trabalho (GT) que tratou do tema no dia 22 de setembro último. Mas a proposta não agradou os representantes dos empregados.
Para a dirigente do Sindibancários/ES Lizandre Borges, que também integra a CEE, foi um avanço a Caixa ter a iniciativa de levar uma proposta para as reivindicações debatidas a partir do GT, mas muitos pontos dessa precisam ser melhorados. “Mas, de outro lado, a proposta apresentada ficou muito aquém das expectativas dos empregados”, diz a dirigente.
Para retorno das designações efetivas de caixa e tesoureiro, o banco propôs negociação do adicional de quebra de caixa somente para aqueles que não recebiam gratificação da função. Previsto em normativo interno, o adicional de quebra de caixa foi extinto pelo banco, prejudicando milhares de empregados que lidam com numerários. A Caixa também ofereceu a possibilidade de acordos via comissões (CCV/CCP) àqueles que não têm ação na justiça cobrando o pagamento da quebra de caixa.
No caso específico de tesoureiros, a proposta do banco prevê migração automática da jornada de 8 para 6 horas, com redução proporcional salarial, além da possibilidade de acordos nas Comissões de Conciliação (CCV/CCP). “Esta comissão não vai abrir mão de direitos dos colegas. Queremos avançar na questão das designações, entre outros pontos. Contudo, sem comprometer as ações judiciais, sejam elas individuais ou coletivas das entidades. Além disso, não aceitamos migração compulsória da jornada de 8 horas para 6 horas dos tesoureiros. Já negamos em mesa essa migração automática”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt.
Lizandre concorda com a coordenadora da CEE. “Não podemos aceitar qualquer negociação que resulte na perda de direitos. A reforma trabalhista de Temer, que ganhou contornos ainda mais perversos sob Bolsonaro, já impôs perdas para toda a classe trabalhadora. Chega de perdas. Nenhum direito a menos”, enfatiza a dirigente do Sindibancários.
Perspectivas
Para a negociação avançar, a CEE avisa que precisa ter acesso a dados. “Queremos saber quantos colegas têm função de caixa efetivo, assim como de tesoureiro; quantos estão designados por prazo; quantos exercem a atividade minuto; se em tempo integral, ou parcial”, enumerou Fabiana. A representação dos empregados cobrou também que, caso a proposta avance, os colegas que exercem a atividade minuto, ou têm designação por prazo, sejam efetivados sem necessidade de PSI (Processo de Seleção Interna), mesmo porque já desempenham esse trabalho.
A Caixa analisará as considerações gerais dos representantes dos trabalhadores e dará retorno na próxima reunião de negociação.
Pautas reforçadas
A CEE aproveitou a reunião para reforçar a cobrança de pautas recorrentes. Lizandre apontou o teletrabalho, a Minha Trajetória, o estabelecimento e os procedimentos de cobrança de metas entre as demandas que seguem travadas. “São todos temas urgentes que não podem ficar represados”, pontua Lizandre.

