A Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) considerou as propostas do banco ruins para os usuários do Saúde Caixa. As mudanças apresentadas nesta quarta-feira, 19, durante a reunião de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), pretende alterar o modelo de custeio, fazendo a cobrança individualizada e encarecendo os custos para todos os usuários.
Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, a mudança pode inviabilizar o plano de assistência à saúde para boa parte dos empregados. “Não vamos abrir mão do Saúde Caixa para todos, inclusive com a inclusão dos novos empregados. O atual modelo de custeio é sustentável e assegura o pacto intergeracional, o mutualismo e a solidariedade”, sublinhou a dirigente.
Durante a reunião, os representantes da CEE, reafirmaram que o atual formato de custeio é sustentável, tanto que, mesmo sem reajuste desde 2008, apresentou superávit até 2015. Foi justamente a partir de 2015 que a Caixa deixou de apresentar os dados aos trabalhadores, tirando a transparência das informações.
Para justificar a alteração no modelo, a Caixa alegou a necessidade de a cobrança passar a ser individualizada. Segundo a Caixa, para atender à CPC33, ao estatuto da empresa, às resoluções da CGPAR e às demandas de usuários. Os representantes do banco disseram também que o teto permitiu que a Caixa se enquadrasse ao Acordo de Basileia, ao liberar parte da provisão do benefício pós-emprego, podendo continuar a realizar operações de crédito e que se não fosse a aplicação do teto previsto no estatuto a provisão alcançaria R$ 25 bilhões, comprometendo a contratação de novos créditos.
A CEE rebateu as justificativas da Caixa. A comissão dos empregados firmou que mesmo com a liberação do provisionamento com a aplicação do teto de 6,5% da folha de pagamento não houve ampliação das operações de crédito. Inclusive foi destacado o fato absurdo protagonizado pelo presidente da instituição, Pedro Guimarães, que devolveu mais de R$ 10 bilhões do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD’s) que comprometeram novamente a estrutura de capital da empresa. Os membros da CEE afirmaram que a Caixa tem perdido mercado e não voltou a emprestar nos mesmos níveis de antes.
Estudo em xeque
A CEE também contestou o estudo atuarial contratado pela Caixa, apontando que as premissas adotadas pela empresa que o realizou não se aplicam à atual realidade do Saúde Caixa. A sinistralidade, neste ano, por exemplo, foi reduzida. A CEE defendeu a manutenção da proporção de 70/30 no custeio das despesas assistenciais do plano, para garantir que os empregados tenham de fato acesso ao plano.
“A proposta da Caixa é uma afronta, chega a ser desrespeitosa às nossas reivindicações. As alterações propostas pela empresa deixam a vida de lado e priorizam apenas as questões monetárias e de custos do plano. Repito, não vamos aceitar mudanças que vão contra o atual modelo porque significam perdas para os empregados. Reivindicamos a manutenção do atual modelo e inclusão dos novos empregados no Saúde Caixa”, enfatizou Rita Lima.
A dirigente reafirmou que a luta travada é dura e a vitória depende muito da capacidade de engajamento dos bancários e das bancarias da Caixa. Vamos intensificar a mobilização virtual e pressionar a empresa para assegurarmos o Saúde Caixa para todos e todas”.
Sem acordo sobre a proposta apresentada pelo banco, o Saúde Caixa volta a ser debatido em reunião na próxima sexta-feira (21), às 15h, por videoconferência.
Discussão prévia
Antes de entrar propriamente na discussão do Saúde Caixa, a comissão dos empregados cobrou proposta global para a minuta de reivindicações dos empregados incluindo a manutenção da PLR Social. Em seguida, o banco trouxe o retorno de pontos abordados em reuniões anteriores sobre a jornada de trabalho. A Caixa apresentou a possibilidade de intervalo de 30 minutos (opcional) para quem faz jornada de 8 horas, além de férias divididas em até três vezes, bem como banco de horas.
Na avaliação da diretora do Sindicato, Lizandre Borges, reduzir o horário de almoço do pessoal de 8 horas para 30 minutos é bom negócio para o banco, mas não para o empregado. “Cortar a hora de almoço pela metade reduz o tempo de descanso. A pressão que já é grande passa a ser maior porque aumenta o ritmo de trabalho. Historicamente, o Sindicato nunca concordou com essa redução do horário de almoço”, afirmou a dirigente.
Sobre o fatiamento das férias, Lizandre lembrou que já foi cientificamente comprovado que o trabalhador precisa de um tempo de descanso superior a 10 dias. “É justamente a partir do décimo dia que realmente o físico e mental consegue iniciar o processo de recuperação para poder retornar a mais uma jornada de trabalho”.
VIRED
Ao final da reunião, a direção da Caixa trouxe retorno sobre duas demandas colocadas pela CEE/CAIXA: reforçou comunicado interno para os gestores garantirem o rodízio de empregados nas unidades e que o atendimento nas agências é exclusivamente de serviços essenciais.
(Com informações da Contraf)

