Em mais uma manifestação contra a proposta da Caixa para o plano Saúde Caixa, empregados e empregadas da agência Beira Mar, em Vitória, paralisaram as atividades até as 11 horas desta quinta-feira, 9. Diretores e diretoras do Sindicato fizeram uma reunião com os trabalhadores da agência pouco tempo antes da abertura da unidade levantando os pontos da proposta. Clientes que aguardavam no autoatendimento ouviram atentamente, com manifestação de solidariedade aos bancários.
“É possível que a gente tenha que fazer greve para garantir uma negociação justa”, alertou a diretora do Sindicato Rita Lima. E complementou: “Estamos numa campanha nacional, com paralisações em todo o país hoje, para não haver reajuste no nosso plano de saúde. Os nossos salários receberam um reajuste muito pequeno neste ano e não dá para aumentar mais nada de desconto na remuneração. A gente está precisando de todos os empregados, do técnico bancário ao gerente geral, para garantir vitória nesta luta”.
O diretor do Sindicato Igor Bongiovani afirmou: “O que a gente quer, num primeiro momento, é transparência. Precisamos ter acesso aos números [do Saúde Caixa] para negociar e discutir com maturidade os direitos e deveres dos empregados. É um dever da Caixa cuidar e zelar pela nossa saúde e pela viabilidade econômica do plano, mas precisa negociar com transparência”.
Presidente da Associação do Pessoal da Caixa (APCEF) no Espírito Santo, Cláudio Bastos destacou o que os empregados do banco estão vivendo nos últimos anos: “A gente está trabalhando por mais tempo, adoecendo mais em função do trabalho e a ‘recompensa’ é pagar cada vez mais para o Saúde Caixa. Os lucros [do banco] não se reduzem. E aqui ninguém aguenta mais pagar o plano. O meu orçamento pessoal teve um rombo considerável nos últimos anos, minha família vem sofrendo por conta do Saúde Caixa, e isso não é um exagero. Então a campanha é muito simples: reajuste zero para o Saúde Caixa. E precisamos estar juntos para ter força suficiente para reverter esse cenário”
O que dizem os bancários da agência Beira Mar
“A proposta é muito ruim, porque as despesas do plano vão aumentar. Para mim, que tenho esposa e dois filhos, afeta bastante. Minha renda que já está se complicando ao longo dos últimos anos ficaria bem sobrecarregada. É péssima essa nova proposta de aumento. Eu apoio totalmente o movimento contra o aumento no plano de saúde. Temos que nos mobilizar, unidos, protestarmos contra essa situação que está crítica. Considero o plano bom, mas há um limite para arcar com as despesas. A cobrança tem que existir de forma justa.” Rodrigo Vairo, tesoureiro.
“Importantíssima essa mobilização. Não é possível mais reajuste porque inviabiliza [a manutenção] do plano de saúde não só para o titular, mas para o empregado que tem dependentes. É um desconto muito alto no salário dos empregados da ativa e aposentados. Não tem como sustentar mais nem um reajuste no Saúde Caixa.” Lúcio Antônio Cunha, caixa.
“Essa proposta é preocupante, porque a gente já tem despesa muito grande com saúde. A proposta de aumento de valores faz a gente pensar se vai continuar no plano. Então é preocupante, pois essa é uma conquista dos empregados: ter um plano de saúde de administração própria, o que é um grande benefício para a categoria, um plano excelente. Eu tenho como dependentes meu marido e dois filhos, de 4 e 2 anos. Com criança, a gente usa muito o plano. Aumentando mais ainda prejudica todos os empregados.” Luciana Garcia – assistente de varejo.
Proposta rejeitada
Na negociação realizada nesta segunda-feira, 6, a direção da Caixa negou a extinção do teto de 6,5% da folha salarial para os seus gastos com a saúde de seus empregados e apresentou uma proposta de aumento do percentual de contribuição dos titulares e do valor nominal pago por cada dependente.
A contribuição dos titulares aumentaria, de acordo com a proposta rejeitada pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), de 3,5% para 5,5%. Já o valor por dependente passaria de R$ 480 para R$ 672, o que geraria um aumento médio geral de 71%. Para cada empregado, o reajuste seria de 7% a 12%, considerando os aumentos almejados pela Caixa para titulares e dependentes.
Hoje a Caixa tem um limitador de 6,5% da folha de pagamento para o Saúde Caixa previsto em Estatuto, porém a resolução da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), que estabelecia o teto no custeio de planos de saúde nas empresas públicas, já caiu. Os empregados querem então retirar o teto do Acordo Coletivo do Saúde Caixa, cuja negociação está em curso.

