Em linha do que vinha sendo projetado pelo mercado no terceiro trimestre, o Itaú registrou no quarto trimestre R$ 10,8 bilhões e fechou 2024 com o lucro recorde de R$ 41,4 bilhões. O resultado, 16,2% superior ao de 2023, é o maior já registrado por um banco brasileiro, tanto se considerando os valores nominais quanto os ajustados pela inflação medida pelo IPCA.
O CEO do banco, Milton Maluhy, creditou a marca recorde da instituição financeira à expansão das margens e das receitas com serviços, associada à redução do custo do crédito, possível diante da queda da inadimplência, que ficou num patamar mínimo 2,4%. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (06/02/2025), Maluhy afirmou que o banco “nunca esteve tão bem”. Ele atribuiu o resultado à estratégia do banco de apostar suas fichas nos clientes de alta renda, praticamente imunes aos solavancos da economia, como, por exemplo, a taxa Selic nas alturas, que afeta em cheio os trabalhadores, principalmente os com menor renda, mas é convertida em oportunidade pelo capital especulativo.
A marca recorde registrada pelo Itaú tem sido recorrente. Um levantamento da consultoria Elos Ayta apontou que nos últimos 10 anos o Itaú conquistou oito dos 10 maiores lucros, tanto em valores nominais como ajustados pelo IPCA (veja quadro abaixo). Para o dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), a busca por resultados recordes não tem limite. “A partir deste quadro, que faz o ranking dos lucros de 2015 para cá, fica clara a hegemonia do Itaú quando o assunto é lucro. Esse modelo de gestão é fundamentado em metas cada vez mais abusivas. A consequência dessa busca obsessiva por lucros cada vez maiores tem sido o adoecimento dos trabalhadores, que não suportam essa gestão draconiana baseada em metas”, critica.

O dirigente acrescenta que o modelo de gestão do Itaú tem sido seguido à risca por outros bancos. Ele cita o Banco do Brasil, que nos últimos anos tem sido o principal concorrente do Itaú. “O quadro mostra que o BB é o único que faz sombra no Itaú. Para se manter no páreo pela liderança do lucro, no entanto, o Banco do Brasil vem abandonando seus valores e princípios de banco público”. Carlão cita como exemplo o programa Inova, que vem impondo um processo de reestruturação que tem prejudicado os empregados. “Um dos propósitos do Inova é justamente, a exemplo do Itaú, focar seu atendimento nos clientes de alta renda. Essa elitização do banco, que Maluhy aponta como a chave para o sucesso do Itaú, é completamente antagônica aos princípios de um banco público”, afirma o dirigente.
Fechamento de agências
O lucro nas alturas registrado em 2024 não impediu que o Itaú mantivesse seu projeto de reestruturação que tem em um dos seus vértices o fechamento de agências e postos de trabalho. Na última quarta-feira (29), a Comissão de Organização dos Empregados (COE) se reuniu com representantes do Itaú. Um dos pontos da pauta foi o fechamento de agências, que gera sobrecarga de trabalho nas unidades que permanecem abertas.
Em 2024, o Itaú fechou 227 agências. O número supera a média de fechamento de agências de anos anteriores (em média 200 por ano nos últimos anos). Com relação aos postos de trabalho, segundo o banco, no ano passado foram contratadas 10.193 pessoas e demitidas 7.721. Na reunião, os interlocutores do Itaú alegaram que o critério para o fechamento de agências é a baixa rentabilidade da unidade.
“Por esse argumento, fica patente que o único compromisso do Itaú é com o lucro para distribuir mais dividendos para seus acionistas. Não há nenhuma preocupação com o caráter social da atividade bancária ou tampouco com o bem-estar físico e mental dos seus empregados e empregadas”, aponta Carlão.

