2020<br>Categoria enfrentou sobrecarga e desrespeito dos bancos na pandemia

24/12/2020 10:07

Retrospectiva 2020: pandemia trouxe novos desafios para a categoria e, mesmo com atendimento bancário restrito ao essencial, empregados não ficaram isentos de sobrecarga

Longas filas, pressão para bater metas, sobrecarga, descomissionamentos, ameaças de perda de função, home office, demissões. A pandemia da covid-19 tornou ainda mais turbulenta a rotina da categoria bancária. Mesmo com a gravidade da crise sanitária, os banqueiros não abriram mão de pressionar os trabalhadores para cumprirem metas e, assim, ostentarem ainda mais lucro. Ao longo do ano, o movimento sindical teve que agir em diversas situações para garantir o respeito à vida dos trabalhadores e clientes.  

A pandemia da covid-19 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março deste ano. Logo no início, bancários do grupo de risco e coabitantes com pessoas desse grupo puderam fazer a opção pelo home office. Mas, com o afrouxamento das medidas de isolamento social, a proteção à vida foi substituída pela ganância por  lucro. No Banco do Brasil, por exemplo, foi preciso que o Sindibancários/ES movesse uma ação judicial para garantir que os empregados coabitantes com familiares do grupo de risco permanecessem em home office. O BB foi até ao Tribunal Superior do Trabalho e conseguiu derrubar a liminar que garantia a permanência desses bancários em home office. O Sindicato recorreu e aguarda uma nova decisão judicial. 

No Banestes, bancários e bancárias do grupo de risco que estão em trabalho remoto também foram assediados para retornarem ao trabalho presencial. Para garantir o direito desses empregados à preservação da própria vida, o Sindicato ingressou com uma ação judicial e obteve decisão favorável aos trabalhadores. O Banestes chegou a ingressar com embargos declaratórios pedindo esclarecimentos sobre a decisão, mas a juíza responsável pela ação manteve a liminar que garante a permanência desses bancários em home office.  

“Pandemia veio como avalanche para bancários”

 “A pandemia atingiu radicalmente o mundo do trabalho e, particularmente, para os bancários foi uma avalanche de mudanças. Com a orientação para o distanciamento social, muitos bancários foram literalmente jogados para o trabalho home office sem receber nenhuma estrutura do banco e ainda submetidos a uma jornada de trabalho exaustiva, sem controle de ponto e metas elevadas. Mesmo assim, os bancários continuaram atuando com dedicação”, enfatiza o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire. 

Mas a resposta do banco para a categoria foi uma série de medidas de desrespeito e de aumento da exploração dos bancários e das bancárias, como destaca Jonas. “Os bancos mantiveram a alta demanda de trabalho, sobrecarregando quem estava presencial e em home office. Assim que houve a reabertura do comércio, os bancos mostraram sua face perversa.  Nas situações que eram convenientes a eles, pressionaram os bancários para retorno ao trabalho presencial, romperam acordos de não demissão e foram, e ainda são, negligentes em relação ao cumprimento dos protocolos sanitários. Mas o Sindicato continua atento e atuante para garantir os direitos da categoria, principalmente o direito à proteção da vida”, frisou.