Longas filas, pressão para bater metas, sobrecarga, descomissionamentos, ameaças de perda de função, home office, demissões. A pandemia da covid-19 tornou ainda mais turbulenta a rotina da categoria bancária. Mesmo com a gravidade da crise sanitária, os banqueiros não abriram mão de pressionar os trabalhadores para cumprirem metas e, assim, ostentarem ainda mais lucro. Ao longo do ano, o movimento sindical teve que agir em diversas situações para garantir o respeito à vida dos trabalhadores e clientes.
A pandemia da covid-19 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março deste ano. Logo no início, bancários do grupo de risco e coabitantes com pessoas desse grupo puderam fazer a opção pelo home office. Mas, com o afrouxamento das medidas de isolamento social, a proteção à vida foi substituída pela ganância por lucro. No Banco do Brasil, por exemplo, foi preciso que o Sindibancários/ES movesse uma ação judicial para garantir que os empregados coabitantes com familiares do grupo de risco permanecessem em home office. O BB foi até ao Tribunal Superior do Trabalho e conseguiu derrubar a liminar que garantia a permanência desses bancários em home office. O Sindicato recorreu e aguarda uma nova decisão judicial.
No Banestes, bancários e bancárias do grupo de risco que estão em trabalho remoto também foram assediados para retornarem ao trabalho presencial. Para garantir o direito desses empregados à preservação da própria vida, o Sindicato ingressou com uma ação judicial e obteve decisão favorável aos trabalhadores. O Banestes chegou a ingressar com embargos declaratórios pedindo esclarecimentos sobre a decisão, mas a juíza responsável pela ação manteve a liminar que garante a permanência desses bancários em home office.
“Pandemia veio como avalanche para bancários”
“A pandemia atingiu radicalmente o mundo do trabalho e, particularmente, para os bancários foi uma avalanche de mudanças. Com a orientação para o distanciamento social, muitos bancários foram literalmente jogados para o trabalho home office sem receber nenhuma estrutura do banco e ainda submetidos a uma jornada de trabalho exaustiva, sem controle de ponto e metas elevadas. Mesmo assim, os bancários continuaram atuando com dedicação”, enfatiza o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.
Mas a resposta do banco para a categoria foi uma série de medidas de desrespeito e de aumento da exploração dos bancários e das bancárias, como destaca Jonas. “Os bancos mantiveram a alta demanda de trabalho, sobrecarregando quem estava presencial e em home office. Assim que houve a reabertura do comércio, os bancos mostraram sua face perversa. Nas situações que eram convenientes a eles, pressionaram os bancários para retorno ao trabalho presencial, romperam acordos de não demissão e foram, e ainda são, negligentes em relação ao cumprimento dos protocolos sanitários. Mas o Sindicato continua atento e atuante para garantir os direitos da categoria, principalmente o direito à proteção da vida”, frisou.

