(Atualizada 10/06/2026, às 13h56) Uma manobra de Rogério Marinho (PL-RN) tenta enfraquecer a votação da Proposta de Emenda Constitucional que defende o fim da escala 6X1 sem redução salarial no Senado. O senador bolsonarista apresentou a PEC 12/2026 que propõe a livre negociação entre patrão e empregado. Na prática, a proposta da extrema direita abre caminho para a imposição da escala 7X0. A PEC conseguiu inicialmente o apoio de 40 senadores que querem precarizar ainda mais as relações de trabalho. Desde que foi apresentada, no entanto, a pressão das centrais, dos sindicatos e da classe trabalhadora fez quatro senadores recuarem: Romário (PL-RJ), Cleitinho (Republicanos-MG), Zequinha Marinho (Podemos-PA) e Dra. Eudócia (PSDB-AL). Apesar dos pedidos dos senadores, a Mesa Diretora negou a retirada das assinaturas com base no Regimento Interno da Casa. O Art.244 prevê que um parlamentar só pode retirar sua assinatura de uma proposição antes da sua publicação. Como a PEC 12/2026 já havia sido protocolada, publicada e enviada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP), o prazo regimental para desistência expirou.
Na avaliação do coordenador-geral do Sindicato dos Bancários-ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), independentemente do Regimento ter barrado a retirada das assinaturas, a pressão das ruas e redes sociais está surtindo efeito. “A vitória da PEC na Câmara foi avassaladora. A proposta do fim da 6X1 chegou muito forte no Senado, com amplo apoio popular. Não por acaso, a tentativa de manobra dos bolsonaristas tem causado grande indignação nos setores progressistas da sociedade. A Câmara ouviu a demanda do povo e votou pela extinção da 6X1. Vamos continuar pressionando os senadores traidores que defendem a escala 7X0. Mesmo impedidos de retirarem as assinaturas, os senadores podem simplesmente votar contra a PEC dos Patrões e apoiar a proposta do fim da 6X1”, cobra Carlão.
6X1 na Parada LGBTQIA+
A defesa do fim da escala 6X1 está presente nos discursos da 30º Parada do Orgulho LGBTQIAP, nesse domingo (7), na avenida Paulista, em São Paulo. A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC que levou o tema para as ruas, reforçou que o fim da 6X1 é uma grande vitória da classe trabalhadora. Ela cobrou diretamente que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ponha a PEC em votação. Ao mencionar Alcolumbre, o público reagiu com gritos de “Fora, Alcolumbre”. Alcolumbre, que tem dito que não vai simplesmente “carimbar” o texto aprovado na Câmara, tem afirmado que a PEC seguirá a tramitação normal nas comissões, começando pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
68% querem o fim da 6X1
Enquanto Alcolumbre articula no Senado o lobby em defesa dos interesses das elites empresariais, que apoiam a chamada PEC dos Patrões (PEC 12/2026), de autoria de Rogério Marinho, a maioria dos brasileiros e brasileiras querem a extinção da escala 6X1. A última pesquisa da Quaest concluída em maio apontou que 68% dos entrevistados são a favor do fim da 6X1 e 22% são contra. Os recortes da pesquisa mostram que 48% dos eleitores bolsonaristas são a favor do fim da escala, contra 76% dos que votaram em Lula. Entre os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, 70% desejam o fim da 6X1. À medida que a renda sobe, a aprovação da extinção da escala diminui; 62% dos que ganham acima de cinco mínimos aprovam o fim da escala, ante 30% que se colocam contra.
O recorte por região destaca que os trabalhadores dos estados com renda média mais baixa são mais favoráveis à extinção da escala 6X1. No Nordeste, 72% querem o fim da escala, ante 16% que são contra. Na região Sul do país, majoritariamente mais bolsonarista, 63% apoiam o fim da escala, contra 29% que são a favor.
“Apesar da maior resistência ao fim da 6X1 entre os eleitores do Bolsonaro, a pesquisa mostra que a pauta que defende a extinção da escala 6X1 realmente conseguiu furar a bolha ideológica. Em quaisquer dos recortes analisados, mesmo nos redutos da extrema direita, a maioria ainda defende o fim da 6X1. Esse dado indica que, no geral, a maioria da população apoia o fim dessa escala 6X1. Isso aumenta consideravelmente a força da classe trabalhadora nesse enfrentamento com a parte mais reacionária do Senado. Se os senadores signatários da PEC dos Patrões analisarem friamente os dados da pesquisa, irão concluir que a maioria dos seus eleitores apoia o fim da 6X1. Os quatro senadores que recuaram nos últimos dias já devem ter feito o cálculo político e perceberam que é roubada tentar barrar a PEC do fim da 6X1 no Senado. Repito, é importante que as centrais, o movimento sindical, as entidades sociais e, especialmente, a classe trabalhadora mantenham a mobilização para aumentarmos a pressão e virarmos os votos dos senadores que estão do lado dos patrões”, enfatiza Carlão.
PEC dos Patrões
Uma das formas de pressionar os senadores traidores e se redimirem e votar contra PEC dos Patrões é participando da consulta pública do Senado. Na página do Senado, o texto da PEC 12/2026 informa que a proposta altera o Art. 7° da Constituição Federal para prever a possibilidade de opção pelos empregados quanto à jornada de trabalho, podendo escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Em outras palavras, favorecem os patrões e prejudicam os empregados.
Graças à grande mobilização das centrais e sindicatos, que têm explicado à população a cilada que está sendo armada neste conluio entre as elites empresariais e a extrema direita, a maioria tem rechaçado a PEC 12/2026. O placar atualizado nesta quarta-feira (10) aponta que mais de 114 mil pessoas se manifestaram contra a proposta do bolsonarista Rogério Marinho, ante cerca de 8.800 que a apoiam. Se você, trabalhador ou trabalhadora, ainda não se manifestou sobre a PEC dos Patrões, deixe seu NÃO na página do Senado.









