
Representantes do Comando Nacional dos Bancários durante mesa de negociação com a Fenaban (Fotos: Contraf)
Como garantir condições dignas de trabalho para pessoas com deficiência (PcDs) e neurodivergentes? Esse foi o tema em debate da rodada desta quinta-feira (18) da Campanha Nacional dos Bancários. A representação dos trabalhadores apresentou à Fenaban dados do relatório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborado a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 2022, dos cerca de 435 mil bancários, 4%, ou 17.417, são PcDs. Desse total, 44% são mulheres e 56% homens. Além disso, do total de PcD da categoria, 37% trabalham em bancos públicos e 63% em privados.
O dirigente do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional dos Bancários e participou da rodada de negociação, afirma que a representação dos trabalhadores cobrou dos bancos que cumpram a cota mínima de 5% de PcDs. A lei prevê que empresas com mais de mil funcionários são obrigadas a destinar 5% do seu quadro para profissionais com deficiência. Na mesa, o Comando Nacional cobrou da Fenaban um levantamento detalhado do número de PcDs por banco.
De acordo com um levantamento do Dieese, 63% das pessoas com deficiência na categoria bancária estão alocadas em locais de trabalho com até 49 pessoas, supostamente agências bancárias. Enquanto o restante (23%) estão em estabelecimentos com mais de mil funcionários.

Carlão destacou a obrigatoriedade de os bancos cumprirem a cota de 5% de PcDs
“Além de cumprir a lei e respeitar a cota de 5%, os bancos deveriam ser mais sensíveis às demandas desses trabalhadores”. O dirigente aponta que esse grupo é cada vez mais representativo dentro da categoria, como mostra o levantamento do Dieese, mas pode crescer muito mais, inclusive além da cota. “Essas trabalhadoras e trabalhadores garantem um ambiente de diversidade para dentro e para fora do banco. Temos a oportunidade de aprender com essa convivência. Todos saem ganhando com a inclusão”, afirma.
Carlão pondera, entretanto, que os bancos ainda têm muitos desafios a cumprir para garantir um ambiente acessível e condições de trabalho mais dignas a esses empregados. “Por isso essa pauta é tão oportuna. os bancos estão atrasados nesse quesito de inclusão de PcDs e neurodivergentes. É preciso avançar muito mais”, enfatiza.
O dirigente aponta, por exemplo, que os bancos devem desenvolver políticas de gestão que assegurem igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência. “A acessibilidade e outras ferramentas de inclusão são essenciais para que esses profissionais não tenham a qualidade do seu trabalho comprometida”, assinala o dirigente.
Na mesa, o Comando também cobrou dos bancos que sejam criadas jornadas especiais reduzidas para pais e mães de crianças PcDs, neurodivergente e com transtorno do espectro autista. O comissão de negociação da Fenaban se comprometeu a submeter as demandas aos bancos e dar um retorno em breve à representação dos bancários.
Neurodivergentes
Com relação aos neurodivergentes, a comissão de negociação dos bancários reforçou a importância de os bancos desenvolverem medidas adaptativas para esse segmento. Os neurodivergentes não são necessariamente pessoas com deficiência. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um exemplo de neurodivergente sem deficiência. Foi destacado pela representação dos trabalhadores que as condições de trabalho inadequadas vão prejudicar o desempenho tanto do neurodivergente como da pessoa com deficiência, recaindo a responsabilidade injustamente sobre esses grupos.
Segurança bancária
A segurança bancária, nos ambientes físicos e digitais, também fez parte dos debates da rodada desta quinta-feira (18). Os representantes dos bancários afirmaram que as chamadas agências de negócios, unidades que estão se expandindo pela rede bancária sem os equipamentos tradicionais de segurança, como portas de segurança e vigilantes, é uma preocupação do movimento sindical. “Não importa o modelo de agência. Exigimos dos bancos que a manutenção de dispositivos como portas-giratórias e vigilantes são fundamentais para a garantia da segurança de trabalhadores e clientes”, esclarece Carlão.
O dirigente diz que todas as vezes que a Fenaban é questionada sobre a retirada dos dispositivos de segurança das agências bancárias, alega que, nas chamadas unidades de negócio, não há manipulação de dinheiro em espécie e portanto não há mais necessidade de segurança. Carlão afirma que há grande circulação de dinheiro em espécie nas áreas de atendimento automático que também representa risco para clientes e bancários. O dirigente acrescenta que o Sindibancários tem travado uma luta ferrenha com os bancos para a manutenção dos dispositivos de segurança. “O Sindicato tem conseguido vitória na Justiça na maioria das ações movidas contra os bancos”, finaliza.
(Fotos: Contraf)

