Em nova reunião com a direção do Santander nessa quinta-feira, 28, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) negociou o adiamento do início da compensação das horas negativas, previsto para este mês. A compensação inicialmente foi prorrogada para março, mas ficou acordado que a confirmação deste novo prazo dependerá do andamento da pandemia.
O diretor da Federação dos Bancários RJ/ES Claudio Merçon (Cacau) esclarece que março é a data indicada como uma referência, mas não está consolidada. “A confirmação desta data ou a sua prorrogação está diretamente vinculada às curvas da pandemia da covid-19, que no momento estão em franca ascensão em todo o país. Estamos ainda engatinhando na vacinação. Não vacinamos nem 1% da população até agora. Nessa quinta, 28, o Brasil registrou mais de 1.400 mortes em apenas 24 horas”.
Ele acrescenta que a medida mais efetiva de prevenção neste momento ainda é o isolamento social. “Vamos continuar nos orientando pela ciência e esperamos que o banco faça o mesmo e se convença de que os funcionários impedidos de trabalhar presencialmente não devem retornar enquanto o risco de contágio estiver elevado”, sublinha Cacau.
O dirigente explica que a proposta para um Acordo Aditivo com o adiamento da compensação para março será submetida aos bancários do Santander que decidirão, por meio de assembleias virtuais, se aprovam ou não a proposta. “Em breve divulgaremos a data da assembleia para subtermos a proposta aos funcionários e às funcionárias do Santander”.
De acordo com a proposta, o período para a compensação será estendido de 12 para 18 meses, sendo vetado o desconto em folha de pagamento até o encerramento desse prazo. Em caso de demissão sem justa causa ou aposentadoria, também é vetado o desconto das horas não compensadas.
Revisão do acordo
Em setembro do ano passado, a COE negociou com a direção do Santander o acordo de banco de horas negativas. Na ocasião, foi previsto o início da compensação em janeiro. Segundo Cacau, em setembro, a pandemia apontava uma tendência de desaceleração no Brasil, com as taxas de mortes e novos casos caindo em quase todos os estados. Do final do ano para cá, destaca o sindicalista, o cenário se alterou completamente.
“A explosão de casos e mortes e a circulação de uma nova cepa do vírus – ainda mais agressiva em termos de transmissão – exigem que redobremos os cuidados. Basta olharmos para a tragédia que está acontecendo com nossos irmãos em Manaus. Não queremos que o sofrimento que se abate sobre os manauaras se espalhe pelo Brasil”.
Cacau acrescenta que a retomada do trabalho presencial neste momento colocaria os bancários em risco. “Nossa expectativa é de que o Santander mantenha essa posição de bom senso e só retome a compensação de horas quando for seguro”.
Home office
A adoção do home office para funcionários que estejam em trabalho presencial também foi uma medida debatida na reunião. A COE reivindicou que o banco atue no sentido de oferecer funções para estes trabalhadores as exerçam remotamente, evitando assim o aumento do banco de horas negativas. A Comissão de Empregados também informou que irá acompanhar ao longo do ano a compensação das horas negativas. Caso ocorram problemas, serão demandadas novas conversas com o banco. A COE também vai cobrar do banco medidas mais eficazes em relação à prevenção da covid-19.
Cacau reforça que os funcionários do Santander que enfrentarem problemas relativos às medidas de controle da pandemia devem informar o Sindicato.
Resumo da proposta de Acordo Aditivo para compensação de horas negativas:
– Início da compensação será adiado de janeiro para março, com a possibilidade de nova prorrogação a depender do cenário da pandemia de coronavírus.
– Ampliação do prazo de compensação de 12 para 18 meses.
– Vetado desconto em folha de pagamento até encerrado o prazo de 18 meses para compensação.
– Em caso de demissão sem justa causa ou aposentadoria, é vetado o desconto das horas negativas não compensadas.









