Somado o resultado de R$ 3,7 bilhões do 3º trimestre, o Santander fecha os nove primeiros meses do ano com lucro líquido de R$ 10 bilhões. Embora o resultado seja ascendente, com crescimento de 40,5% no comparativo com o mesmo período de 2023, o banco segue fechando postos de trabalho e agências físicas, prejudicando funcionários e clientes.
Segundo o dirigente do Sindibancários/ES e integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE), Claudio Merçon (Cacau), o lucro crescente do Santander segue na contramão das demissões e do fechamento de agências. Cacau lembra que o banco fechou 706 postos de trabalho nos últimos 12 meses – 568 apenas no terceiro trimestre de 2024. Esse movimento acontece em um cenário de aumento da base de clientes, que somou 68,8 milhões de pessoas em setembro, com 3,4 milhões de novos clientes em relação ao ano anterior. Além disso, o banco também fechou 254 lojas e 128 Postos de Atendimento Bancário (PABs) no mesmo período, o que reflete um direcionamento para reduzir o atendimento físico, afetando a presença do banco em várias regiões.
O lucro trimestral do banco alcançou R$ 3,7 bilhões, 34,3% superior ao período correspondente do ano passado e 10% maior que o do trimestre anterior (2º). O retorno sobre o patrimônio (ROE) subiu para 17%, um aumento de 3,9 pontos percentuais em doze meses. O resultado global do Santander no 3º trimestre atingiu 3,25 bilhões de euros (R$ 20,4 bilhões). O lucro do Santander Brasil representa quase 19% do resultado global do banco, evidenciando a importância do mercado brasileiro para a instituição.
Encolhimento
De acordo com os dados do Banco Central, o Santander contava com 2.459 agências físicas em setembro de 2024, uma queda significativa de 78 unidades em relação ao ano anterior. Enquanto o banco aumenta suas receitas com serviços e tarifas bancárias – que somaram R$ 16,7 bilhões, com crescimento de 13,2% em um ano – as despesas de pessoal e PLR aumentaram apenas 8,7% no mesmo período, atingindo R$ 9,1 bilhões. A cobertura dessas despesas com as receitas secundárias do banco foi de 184,2%, um índice que demonstra a lucratividade do banco frente aos custos com pessoal.
O dirigente do Sindibancários acrescenta que o processo de terceirização em curso no banco ajuda a explicar o encolhimento de pessoal e da rede física. “O Santander funciona como laboratório da terceirização com o propósito de replicar a experiência para outros bancos. Essas terceirizações, que são fraudulentas, tem o objetivo reduzir custos com a força de trabalho para ampliar ainda mais a margem de lucro do banco que, como mostram os números, está em franca expansão”, critica Cacau.

