O Santander registrou lucro líquido de R$ 4 bilhões no 3º trimestre (3T25), crescimento de 15,1% em relação ao mesmo período de 2024 (3T24). Nos nove meses do ano, o banco acumula um lucro de R$ 11,5 bilhões, contra os R$ 10 bilhões apurados no mesmo período do ano passado. Apesar do resultado ascendente, o Santander vem intensificando sua política de demissões. Nos últimos 12 meses o banco fechou 3.288 postos de trabalho; 2.171 somente neste último trimestre. No mesmo período, o Santander fechou 585 pontos de atendimento, entre lojas e PABs, 157 entre julho e setembro.
“A política de extermínio do Santander continua a todo vapor, demonstrando que o banco tem compromisso zero com o funcionários que, em última análise, são os responsáveis diretos pelos bons resultados do Santander”, critica Claudio Merçon (Cacau), dirigente do Sindibancários/ES e membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.
O dirigente afirma que os resultados que o banco colhe não caem do céu. “É fruto de uma dedicação que vai muito além do limite do que é humanamente suportado pelo trabalhador. Não por coincidência, temos um contingente crescente de funcionários adoecidos. O gatilho desse adoecimento, na sua maioria mental, são metas cada vez mais intangíveis que são absorvidos por um quadro de funcionários cada vez menor. O resultado é a sobrecarga de trabalho”, aponta Cacau.
Terceirização fraudulenta
Não bastassem as demissões em massa, o Santander vem intensificando as terceirizações. O movimento sindical tem denunciado sistematicamente as terceirizações fraudulentas do banco. Cacau explica que o Santander dispensa o funcionário e o recontrata não mais como bancário. “O trabalhador perde todos os direitos e garantias da categoria bancária e fica submetido a uma relação de trabalho precarizada”. Empresas como F1RST, SX Tools, Prospera e SX Negócios são algumas das terceirizadas do grupo que contratam esses trabalhadores. “Eles vão exercer as mesmas atividades bancárias, mas não mais como bancários. Isso é fraude”, afirma o dirigente.
O Santander já foi condenado em diversas instâncias da Justiça do Trabalho. Em alguns casos, a Justiça reconheceu o vínculo empregatício direto entre o trabalhador e o Santander. “A terceirização fraudulenta é uma estratégia do banco para retirar direitos trabalhistas e reduzir custos. Vamos seguir lutando em todas as frentes para prevalecer o direito do trabalhador”. adverte Cacau.
O esforço dos trabalhadores impulsionou as receitas totais do banco. As comissões subiram 4,1%, com destaque para cartões e seguros. No trimestre, o avanço foi de 6,7%, impulsionado pelas receitas de cartões, seguros, mercado de capitais e operações de crédito. A base de clientes cresceu em 4 milhões, totalizando 72,8 milhões de correntistas.
No cenário global, o Santander alcançou € 10,337 bilhões (R$ 64 bilhões) de lucro no período, alta de 11% em 12 meses. Já são seis trimestres consecutivos de lucro recorde, segundo a matriz espanhola. Respondendo por 15,4% do lucro global, o Brasil foi responsável pelo segundo maior resultado do grupo, com € 1,589 bilhão, atrás apenas da Espanha (€ 3,233 bilhões).

