O Santander encerrou o primeiro trimestre de 2025 (1T25) com lucro líquido gerencial de R$ 3,861 bilhões, alta de 27,8% em relação ao mesmo período de 2024 e 0,2% acima do quarto trimestre de 2024. O retorno sobre o patrimônio líquido (Return on Equity, ROE) avançou para 17,4%, com alta de 3,3 pontos percentuais nesse período.
“É muito fácil explicar o lucro do Santander no primeiro trimestre. Várias demissões estão ocorrendo, inclusive aqui no Espírito Santo, onde bancários que retornaram de licença-saúde, com o término da estabilidade, são sumariamente demitidos. Além disso, no estado e em todo o Brasil, diversas agências estão sendo fechadas, enquanto muitas pessoas são contratadas como terceirizadas, com direitos muito menores do que os dos bancários – ou seja, com um custo muito mais baixo para o banco. Tudo isso explica o aumento do lucro do Santander”, critica o dirigente do Sindibancários/ES e integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Cláudio Merçon (Cacau).
Com o registro do lucro neste primeiro trimestre, o banco confirma sua superação ao “efeito Americanas”. Em 2023, após sofrer um calote da varejista brasileira, o Santander viu seus números oscilarem e sofrerem quedas graduais. Naquele ano, o banco teve uma queda de 27,7% em relação a 2022 – caiu de R$ 12,9 bilhões para R$ 9,3 bilhões.
Contratações fraudulentas
No dia 16 de abril, os dirigentes do Sindibancários/ES realizaram um ato na Superintendência Regional do Santander, na Reta da Penha, em Vitória, em protesto ao processo de terceirização do banco. Os sindicalistas denunciaram as práticas fraudulentas da instituição no processo de contratação de seus funcionários.
Foram confirmados casos de demissão de bancários que, em seguida, foram recontratados como trabalhadores por meio de subsidiárias do banco – ou seja, extinguindo a função de bancários, porém com estes exercendo as mesmas funções de antes, mas sem os direitos e garantias conquistados pela categoria. Essa é uma prática que vem ocorrendo no banco em todo o país e está sendo denunciada pelo movimento sindical.
“O banco encontrou uma forma ilícita de baratear os gastos com pessoal a partir de contratos precarizados. O bancário que é transferido para uma subsidiária do grupo continua fazendo os mesmos serviços, mas com salário menor e sem o conjunto de benefícios conquistados pela categoria ao longo de décadas de luta”, aponta Cacau. “O bancário que passa a trabalhar nessas empresas não tem mais PLR, vales alimentação e refeição de R$ 1.900, auxílio-creche/babá e outros benefícios previstos na Convenção Coletiva e no Acordo Coletivo de Trabalho”, diz.
Campanha nacional articulada
Em fevereiro, o movimento sindical iniciou uma campanha em todo o país contra as práticas abusivas do Santander de contratação fraudulenta. A campanha consiste em peças publicitárias divulgadas nas redes sociais com alertas sobre o que vem ocorrendo no banco. Além dos materiais informativos, serão realizados, ao longo dos próximos meses, atos de mobilização para reforçar a luta contra a retirada de direitos e a precarização do trabalho.

