O Santander obteve lucro líquido gerencial de R$ 4,005 bilhões no primeiro trimestre de 2022. O resultado representa alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2021, e de 3,2% em relação ao quarto trimestre de 2021. O lucro obtido na unidade brasileira do banco representou 24,7% do lucro recorrente global que foi de € 2,543 bilhões, este último, com alta de 58% em doze meses e rentabilidade anualizada de 19%. Leia a análise elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre os resultados do Santander.

“O lucro é fruto de muito trabalho dos bancários, mas também de uma política do banco, que vem diminuindo seu quadro, terceirizando serviços, visando reduzir despesas e lucrar ainda mais. Essa política adoece os trabalhadores, já sobrecarregados e pressionados por metas absurdas. O que percebemos é que, mesmo em cenário de pandemia, o Santander continua lucrando enquanto seus empregados estão em condições de trabalho precárias”, avalia o membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander e diretor do Sindicato, Cláudio Merçon (Cacau).

Receitas e despesas

As receitas com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias foram reduzidas em 4,8% em doze meses, totalizando R$ 4,6 bilhões no primeiro trimestre. Já as despesas de pessoal mais Participação nos Lucros e Resultados (PLR), por sua vez, subiram 10,8% no período, somando R$ 2,5 bilhões. Assim, em março de 2022, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 185,2%.

A holding encerrou o primeiro trimestre de 2022 com 49.090 empregados, com abertura de 4.284 postos de trabalho em doze meses. Por outro lado, foram fechadas 332 agências e 100 PABs no período.

“Essas contratações não têm sido suficientes para reduzir a sobrecarga de trabalho, principalmente nas agências bancárias. E há elementos claros que indicam que essas contratações têm sido de mão de obra terceirizada, com redução salarial e de direitos, e aumento da sobrecarga de trabalho, que, por sua vez, resulta em muitos adoecimentos, os quais toda a sociedade brasileira arca com a conta quando os trabalhadores são afastados pela Previdência”, afirma a coordenadora da COE, Lucimara Malaquias.

Com informações da Contraf