Saúde Caixa: banco apresenta proposta que chega a dobrar mensalidade

05/08/2026 17:59

Banco quer elevar a contribuição dos titulares de 3,5% para 5,5%, dobrar o limite de comprometimento da renda de 7% para 14% e aumentar as mensalidades cobradas pelos dependentes diretos e indiretos; CEE/Caixa repudia proposta do banco para o Saúde Caixa

Na quinta rodada de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026, finalizada na tarde dessa quarta-feira (5), a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa repudiou e recusou a proposta apresentada pelo banco para o custeio do Saúde Caixa.

Além de não trazer devolutivas sobre os temas debatidos nas mesas anteriores, a Caixa apresentou uma proposta de reajuste para o Saúde Caixa que praticamente dobra a contribuição dos empregados no custeio do plano.

A proposta apresentada pela Caixa dobraria o limite de participação do empregado de 7 para 14% do salário. A participação do titular subiria de 3,5 para 5,5%. Já o valor por dependente direto passaria de R$ 480 para R$ 870 e do dependente indireto para R$ 930, enquanto os filhos de 24 a 27 anos passaria para R$ 1.050.

Para Ronan Teixeira, diretor do Sindibancários/ES e representante da Fetraf-RJ/ES, diferente do que prometeu a seus trabalhadores, a Caixa apresentou uma proposta indecente para o Saúde Caixa. “Essa proposta é vexatória! Além de não considerar a derrubada do teto e o retorno ao modelo 70/30, a Caixa mais uma vez joga para as costas do trabalhador todo o problema de custeio do plano, sem sequer mencionar qualquer alteração na sua própria participação. Essa proposta indecente, que praticamente dobra a participação dos empregados, é inaceitável pois nos imporia uma severa perda de remuneração”, critica Ronan.

Por unanimidade, as federações de todo o Brasil, representadas na Comissão Executiva dos Empregados (CEE), protestaram em mesa e exigiram que a Caixa refaça os cálculos e apresente uma nova proposta que respeite e valorize os seus trabalhadores. O entendimento é que a proposta apresentada demonstra de forma clara que a maior preocupação do banco não é com seus empregados. E ao contrário do que divulgou na Intranet, a Caixa não trouxe uma solução para o Saúde Caixa, mas sim, uma proposta em que busca se isentar de sua responsabilidade pelo custeio do plano.

Usuários já pagam cerca de 46% do plano

Os números do Relatório de Administração do Saúde Caixa mostram que a participação dos beneficiários já está muito acima dos 30% previstos no modelo histórico de custeio 70/30.

Em 2025, a contribuição líquida da Caixa foi de aproximadamente R$ 2,02 bilhões. As mensalidades pagas pelos usuários somaram R$ 1,39 bilhão e as coparticipações chegaram a R$ 303,6 milhões. Considerados esses valores regulares, a Caixa respondeu por cerca de 54% do financiamento, enquanto empregados, aposentados e pensionistas arcaram com aproximadamente 46%.

Essa distorção ocorre porque o estatuto do banco limita a participação da empresa a 6,5% da folha de pagamentos e proventos. Com o aumento das despesas assistenciais acima dos reajustes da folha, a contribuição da Caixa deixa de acompanhar os custos do plano e uma parcela crescente das despesas é transferida aos usuários. O fim desse teto estatutário e o restabelecimento efetivo do modelo 70/30 estão entre as principais reivindicações da campanha “Põe mais dinheiro, Caixa!”, aprovada no 41º Conecef.

Déficit exige solução estrutural

O Saúde Caixa registrou déficit operacional de R$ 627,8 milhões em 2025, resultado de despesas totais de R$ 4,39 bilhões diante de receitas de R$ 3,76 bilhões. O exercício terminou contabilmente com saldo positivo de R$ 67,1 milhões somente depois da incorporação de R$ 581,1 milhões em contribuições patronais incidentes sobre ações judiciais e acordos trabalhistas de anos anteriores e da utilização de R$ 46,7 milhões da Reserva Técnica.

Para o Dieese, esses recursos extraordinários não representam melhora estrutural da situação financeira do plano. As pressões sobre os custos permanecem e decorrem do aumento da idade média dos usuários, da maior utilização dos serviços, do aumento da complexidade dos tratamentos, da incorporação de novas tecnologias e da inflação médica, que supera a inflação geral.

O custo médio anual por beneficiário subiu de R$ 9.854 em 2022 para R$ 15.824,24 em 2025, aumento acumulado de 60,6%. Somente entre 2024 e 2025, o crescimento foi de aproximadamente 23,5%. A avaliação do Dieese é que essa transformação estrutural no perfil assistencial deve ser acompanhada de uma ampliação real da participação financeira da Caixa, e não de uma transferência ainda maior dos custos aos beneficiários.

A situação continuou pressionada em 2026. Até maio, o Saúde Caixa acumulava déficit de R$ 222,2 milhões, com despesas próximas de R$ 1,8 bilhão.

Adoecimento relacionado ao trabalho

Os dados do próprio relatório também mostram um aumento expressivo da demanda por cuidados de saúde mental. Em 2025, a psicologia respondeu por 60,3% dos custos da linha de terapias. Foram realizados mais de 1,67 milhão de procedimentos, com crescimento de 48% no número de sessões.

Para a CEE, os números não podem ser analisados sem considerar as condições de trabalho na Caixa, marcadas pela redução do quadro, sobrecarga, pressão por metas e adoecimento. O Dieese ressalta que, quando a organização do trabalho contribui para o adoecimento, a empresa deve assumir sua responsabilidade tanto na prevenção quanto no financiamento dos tratamentos.

Nesse sentido, a representação sindical reivindica que a Caixa arque integralmente com os tratamentos relacionados às doenças classificadas como B91. No contexto previdenciário, o código identifica o benefício concedido quando a lesão ou a doença possui vínculo com o trabalho (o antigo auxílio-doença acidentário, atualmente denominado auxílio por incapacidade temporária decorrente de acidente de trabalho).

A reivindicação, aprovada no 41º Conecef, busca impedir que os custos de doenças provocadas ou agravadas pelas condições de trabalho sejam transferidos ao conjunto dos usuários do Saúde Caixa. A pauta também prevê a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho, orientação aos trabalhadores afastados e cobertura dos medicamentos e tratamentos decorrentes do adoecimento ocupacional.

Ronan ressalta que as negociações iniciaram o mês de agosto sem avanços significativos e que a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) cobrou da Caixa celeridade para que seja possível chegar ao final do mês com um acordo que contemple os trabalhadores da Caixa em todo o Brasil. O dirigente convocou os empregados e empregadas do banco a se mobilizarem para pressionar a Caixa.

“Finalizamos mais uma mesa e infelizmente a Caixa nem trouxe devolutivas sobre os demais temas debatidos anteriormente, relacionadas a sobrecarga de trabalho, adoecimento, PCS, PFG, promoção por mérito, PLR, Super Caixa e ainda nos apresentou essa proposta indecente para o Saúde Caixa. Por isso, é fundamental que toda a categoria esteja ainda mais fortemente mobilizada e conectada a partir de agora”, avalia Ronan.

A próxima rodada de negociação está confirmada para o dia 14 de agosto, em São Paulo.

Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES