Saúde Caixa e promoção por mérito foram dois dos assuntos que geraram ampla discussão na live Acordo Coletivo (abaixo), que aconteceu na noite dessa quarta-feira, 06. O propósito da live foi debater as pendências do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2020. Participaram da mesa virtual a diretora de Políticas Sociais da Fenae, Rachel Weber; a coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt; o presidente da Apcef/SP, Leonardo Quadros, o coordenador do GT de promoção por mérito, João Paulo Pierozan e a coordenadora da CTB do Ceará, Elvira Madeira.
Saúde Caixa
Os representantes foram unânimes em afirmar que a direção da Caixa vem desrespeitando sistematicamente os empregados. Como exemplo notório desse desrespeito eles citaram a não inclusão dos novos empregados no Saúde Caixa, ponto de pauta tratado na mesa de negociação no ano passado com o banco e que foi formalizado no Acordo Coletivo de Trabalho.
“O não cumprimento de uma cláusula firmada no Acordo nos preocupa. Não faz sentido a Caixa ficar relutando em incluir imediatamente os novos empregados no plano, como prevê o ACT. Sempre vale repetir que os empregados da Caixa estão vulneráveis ao coronavírus e a assistência à saúde em meio a uma pandemia é urgente e daria um pouco mais de tranquilidade a todos e todas. A Caixa precisa honrar sua palavra e sobretudo sua assinatura no Acordo”, sublinha a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges. A dirigente acrescenta que não se recorda da Caixa, em outras gestões, ter quebrado um acordo de maneira tão escancarada.
Fabiana Uehara Proscholdt destacou que a inclusão dos novos empregados é para ontem e elegeu prioridades. “Precisamos derrubar a CGPAR-23. Essa tem de ser uma frente de batalha. Fabiana tem esperança que a Caixa solucione o impasse, mas não descarta acionar o Ministério Público do Trabalho para fazer o banco cumprir o Acordo.
Promoção por mérito
O coordenador do GT, João Paulo Pierozan, faz um resumo das negociações com a Caixa sobre a promoção por mérito, que aconteceu em dezembro. Ele reafirmou que o ano de 2020 foi atípico e os empregados, mesmo enfrentando todas as dificuldades impostas pela pandemia, fizeram um trabalho espetacular para pagar o auxílio emergencial e outros benefícios sociais à população durante o ano de 2020. “Esse é um ano de reconhecimento, não de avaliação”.
Pierozan afirmou que esse foi o argumento levado à mesa de negociação para convencer a direção da Caixa a conceder um delta para todos, mas o banco não aceitou a promoção linear e insiste no critério da Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP). Elvira Madeira, da CTB-Ceará, lembrou que o GT é paritário e a proposta tem de ser construída pelo grupo. Ela criticou que o GDP é um modelo da Caixa que não foi construído e tampouco discutido com os empregados. “Não podemos aceitar uma proposta imposta”, enfatizou.
Lizandre Borges ratificou que o critério da GDP é uma imposição da Caixa. “Em um ano atípico como 2020, com os empregados se desdobrando para garantir o atendimento aos segmentos mais vulneráveis da população, a concessão de um delta linear para todos é o mínimo que a Caixa pode fazer para reconhecer todo esse empenho dos empregados. O segundo delta poderia permanecer dentro do critério da Caixa”, sugere.
A dirigente do Sindibancários ainda acredita que a Caixa irá rever sua posição, reconhecer o esforço dos empregados e conceder um delta para todos e todas.
Contratações
A urgência de novas contratações foi outro tema discutido na live. Os debatedores lembraram que a pandemia deixou ainda mais evidente a necessidade de a Caixa contratar novos empregados. Eles afirmaram que as aglomerações e filas durante a pandemia poderiam ser minimizadas se o quadro de funcionários não estivesse tão defasado.
Lizandre recorda que a Caixa, há cerca de seis anos, chegou a ter mais de 100 mil empregados e esse número vem ciando ano a ano. “Em 2014, a Caixa tinha 101 mil empregados, com esse último PDV de dezembro, esse número deve ficar em torno de 78 mil. Perdemos 22 mil empregados em seis anos. As pessoas estão saindo e não está havendo reposição. Quem paga essa conta são os empregados, que adoecem física e mentalmente com o aumento exponencial da carga de trabalho e a população, que sente a queda na qualidade do atendimento. Vimos isso durante a pandemia”, diz a dirigente.

