A discussão sobre segurança bancária tem se intensificado nos últimos anos, sobretudo depois que os bancos passaram a inaugurar as chamadas agências de negócios. Para desmobilizar o aparato de segurança, os bancos alegam que esse novo modelo de agência, devido à baixa transação de numerários, dispensa a presença de vigilantes e o uso de portas giratórias. Em alguns estados e municípios o movimento sindical tem sido obrigado a recorrer à Justiça para garantir a manutenção dos mecanismos de segurança. No Espírito Santo, o Sindicato dos Bancários vem acumulando vitórias na Justiça, assegurando a obrigatoriedade das portas giratórias e a presença dos vigilantes.
Dirigente do Sindibancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão) diz que o assunto segurança bancária será uma das pautas em destaque na Campanha Nacional dos Bancários de 2024. Segundo Carlão, os bancos vêm movimentando um forte lobby junto aos meios políticos para derrubar as exigências de segurança em estados e municípios. “Esse será sem dúvida um dos temas em destaque nas mesas de negociações com a Fenaban do próximo ano. Os bancos tentam defender o indefensável, alegando que os mecanismos de segurança são desnecessários nas agências de negócios. Nós vamos continuar firmes na defesa do aparato de segurança. O centro da discussão aqui não é a segurança dos numerários, mas das vidas de bancários e clientes”, enfatiza Carlão.
O dirigente afirma que a retirada dos mecanismos de segurança tem ocorrido inclusive em agências de médio porte e com operação com numerário já no saguão de entrada. “Na verdade, os bancos querem cortar gastos com a manutenção das portas eletrônicas e com as empresas de segurança que fornecem os vigilantes. O objetivo é reduzir custos e aumentar as margens de lucro. Nessa lógica do capital, não há nenhuma preocupação em preservar as vidas dos próprios clientes dos bancos e tampouco dos seus empregados”, critica Carlão.
Cláusula 88 da CCT
Na Campanha Salarial de 2024, a representação dos trabalhadores deve cobrar que a Fenaban cumpra a Cláusula nº 88 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). De acordo com a cláusula, um Grupo de Trabalho (GT) bipartite estaria encarregado de traçar as metas de segurança bancária, mas, na prática, a cláusula tem sido usada pela Fenaban apenas para adiar a discussão.
“Claramente os bancos estão enrolando para dar andamento ao GT com o objetivo de ganhar tempo para movimentar seus lobbies junto aos legislativos municipais, estaduais e federal. Não por acaso, vereadores e deputados têm apresentado projetos de lei propondo a flexibilização do aparato de segurança. Essa é uma queda de braço que tende a se acirrar durante a Campanha Salarial do próximo ano. É fundamental que o movimento sindical se mantenha mobilizado e não abra mão da segurança bancária. Se a obrigatoriedade for mantida na maioria dos estados e municípios, as chances dos dispositivos caírem reduzem substancialmente. Agora, se não neutralizarmos o lobby dos bancos, a tendência é que a medida crie um efeito dominó e a exigência seja derrubada mesmo nos estados e municípios em que o aparato de segurança esteja mais consolidado, como é o caso do Espírito Santo”, alerta Carlão.

