Vai fazer uma semana no próximo sábado, 28, que vieram à tona as imagens dos indígenas Yonamami que fizeram lembrar os judeus nos campos de concentração da Alemanha nazista de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Mais impressionantes, perturbadoras e difíceis de tirar da cabeça são as imagens das crianças com desnutrição extrema, algumas aparentando estar em risco iminente de morte. Aliás, os primeiros balanços apontam que durante os quatro anos do governo Bolsonaro, ao menos 570 crianças morreram na Terra Indígena Yanomami em Roraima. Muitas dessas mortes, advertem os especialistas, eram evitáveis. 

O número é 29% maior do que nos quatro anos anteriores e podem ser ainda mais assustadores, uma vez que houve um verdadeiro “apagão” estatístico no governo Bolsonaro, que sempre criticou a demarcação de territórios indígenas e defendeu a expansão do garimpo. Relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), de agosto de 2022, confirma a política em favor dos garimpeiros. Segundo o Cimi, as invasões do garimpo nos territórios indígenas cresceram 180% sob Bolsonaro. A mineração ilegal é apontada como a principal causa da tragédia Yanomami e de outros povos indígenas que vivem em territórios assediados pelos garimpeiros. 

“Como a maioria dos brasileiros, estamos estarrecidos e indignados com o genocídio Yanomami. Essa é uma crise humanitária que afeta todos nós. A revolta aumenta quando nos é revelado que o ex-presidente Bolsonaro ignorou 21 pedidos de socorro de ativistas e lideranças indígenas. Os fatos mostram que a omissão foi criminosa”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima. “O Sindicato exige a apuração rigorosa dos crimes cometidos contra os povos Yanomami e a responsabilização de todos os envolvidos: Bolsonaro e seus ministros que tiveram coautoria direta nesses crimes”, enfatiza a dirigente. 

Sem anistia

No dia da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro dia deste ano, os populares que acompanhavam a cerimônia exigiam que Bolsonaro fosse responsabilizado pelos seus crimes: “Sem anistia, sem perdão”, clamavam em uníssono. 

Uma semana depois, 8 de janeiro, houve uma tentativa de golpe de Estado. Milhares de bolsonaristas invadiram e vandalizaram os prédios dos Três Poderes. O ato golpista foi frustrado, os prédios retomados e mais de mil vândalos detidos. Em menos de 24 horas depois do atentado veio a resposta. As centrais, as entidades sindicais e os movimentos populares ocuparam as ruas do país para, novamente, pedir punição dos golpistas. “Sem anistia, sem perdão” foi mantido e acrescentado ao grito a punição dos bolsonaristas que participaram dos atos terroristas do dia 8: “Quero golpistas e Bolsonaro na prisão”.

“No caso do genocídio Yanomami, estamos pela terceira vez em 20 dias exigindo a punição, sem anistia, aos responsáveis pelos crimes. Aliás, crimes não faltam para punir Bolsonaro”, diz Rita Lima. A dirigente lista alguns crimes que são atribuídos ao ex-presidente. Ela recorda da CPI da Covid, que responsabiliza Bolsonaro por diversos crimes: prevaricação, epidemia com resultado morte, infração a medidas sanitárias preventivas, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade. 

Fora os crimes levantados pela CPI da Covid, Bolsonaro cometeu crimes contra o Estado Democrático de Direito ao ameaçar diversas vezes o Supremo Tribunal Federal. No feriado da Independência, em 2021, ele chegou a dizer que não acataria mais decisões judiciais. As investigações dos ataques terroristas ocorridos em Brasília no dia 8 também podem comprovar que Bolsonaro está envolvido diretamente com a tentativa de golpe. 

Além das punições no Brasil, Rita Lima destaca ainda que o genocídio Yanomani está sendo denunciado ao Tribunal Penal Internacional de Haia. A dirigente diz que essa nova denúncia se juntará a outra feita em 2021 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, que também acusa Bolsonaro por crime de genocídio e crimes contra a humanidade. “Os movimentos sociais, as entidades sindicais e o cidadão em geral, ou seja, todos e todas que têm compromisso incondicional com o princípio da dignidade da pessoa humana, devem exigir a punição de Bolsonaro e de seus comparsas. Já deixamos os crimes da ditadura passarem impunes. Não podemos cometer esse erro novamente. Sem anistia”, clama Rita Lima.

Fenae e Apcef/RR lançam campanha SOS Yanomami

A Fenae e a Apcef/RR iniciaram, nessa segunda, 23, a campanha SOS Yanomami. As doações para campanha do Movimento Solidário- programa de responsabilidade social da Fenae e das Apcefs – já podem ser feitas. Veja como doar! 

Doações bancárias
Banco Caixa (104)
Agência: 1041
Operação: 003
Conta corrente: 50174-4
CNPJ/PIX: 34.267.237/0001-55
Federação Nacional das Associações do Pessoal CEF

Doação de pontos Nosso Valor
Acesse a plataforma, entre em catálogo e depois clique no ícone doação.

Alimentos e outros donativos
Devem ser entregues na agência da Caixa em Boa Vista
Rua José Magalhães 321-Centro/Boa Vista
Aos cuidados da diretora Social da Apcef/RR Janismara Brito

(Foto capa: Instagram Urihi – Associação Yanomami)