Sem debate com entidades, Cassi inicia estudo sobre novo modelo de custeio

21/05/2020 12:12

Movimento defende que qualquer discussão sobre sustentabilidade comece com a participação das entidades e envolva corpo social da Cassi

Em conjunto com o Banco do Brasil, a Cassi iniciou discussão sobre um novo plano de sustentabilidade para a Caixa de Assistência, a ser aplicado a partir de 2023. A informação foi confirmada por um dos diretores da Cassi, Luiz Satori, em reunião realizada entre a Diretoria da Cassi e as entidades que integram a Mesa de Negociação do funcionalismo, no último dia 14.

O encontro foi solicitado pela Anabb (Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil) para apresentação da prestação de contas da Cassi, já que a entidade ainda não havia apresentado a evolução das ações aprovadas desde a reforma do estatuto no ano passado.

Questionado pelo conjunto dos representantes da mesa de negociação, o presidente da Cassi, Dênis Corrêa, minimizou o fato, alegando ter atendido a um pedido do Conselho Deliberativo do BB para apresentar um cronograma de trabalho para discussão de custeio, para quando esse modelo vencesse.

O presidente da Anabb, Reinaldo Fujimoto, classificou como inadmissível discutir um programa de sustentabilidade sem a contribuição das entidades. “Essa é uma questão que representa falta de transparência, fato que venho questionando. Não adianta chamar as entidades para discutir apenas quando é conveniente”, disse Fuji.

A crítica é endossada pelo Sindicato dos Bancários/ES. “Durante a votação de alteração estatutária, sabíamos que a nova proposta de custeio, além de ferir o princípio da solidariedade, não garantia a sustentabilidade da Cassi a médio e longo prazo, por isso fomos contrários à proposta. À época, não houve debate suficiente e o banco se valeu até de ameaças para aprová-la. Novamente, a Cassi inicia um diálogo com o banco tentando deixar à margem o conjunto das entidades representativas e o corpo social da Cassi. Não podemos tomar essa prática como algo menor”, denuncia a diretora Goretti Barone.

Os integrantes da Mesa de Negociação sugeriram que a discussão sobre sustentabilidade comece com a participação das entidades, para que todos tragam sugestões de seus associados e criem um espaço mais amplo de debate, com participação efetiva do corpo social.

Coparticipação

Outro tema discutido na reunião foi a coparticipação da Cassi. Segundo a Anabb, a Cassi assumiu o compromisso, durante as negociações da proposta de sustentabilidade, de retorno da coparticipação aos patamares de 2018. O presidente da Caixa de Assistência, Denis Corrêa, e a diretora de Administração e Finanças, Ana Cristina Garcia, não reconheceram que o tema foi tratado nas negociações. Corrêa informou que não há possibilidade de diminuição da coparticipação e que os cálculos realizados para construir a proposta levam em consideração o índice atual.

Os integrantes da Mesa de Negociação refutaram o argumento da diretoria da Cassi e reforçaram o entendimento de que houve um compromisso assumido para análise da coparticipação tão logo a entidade alcançasse o equilíbrio das contas.

Além de ratificar que a coparticipação deve voltar aos patamares de 2018, Reinaldo Fujimoto, presidente da Anabb, sugeriu a suspensão do percentual de cobrança por três meses, até que a Cassi possa rever o tema.

A Associação defende que a coparticipação não seja considerada receita, e sim fator moderador de utilização dos serviços de assistência médica.

O último ajuste da tabela de coparticipação da Cassi aconteceu em junho de 2019, quando a coparticipação dos associados subiu de 40% para 50% em consultas de emergência ou agendadas, sessões de psicoterapia e acupuntura e visitas domiciliares; e de 20% para 30% em exames e outros serviços de fisioterapia. Junto com o aumento, também houve alteração da regra do teto mensal de 1/24 do salário para a cobrança de coparticipação sobre exames. Esse foi o segundo aumento no ano de 2019, já que a tabela tinha sido reajustada em janeiro. Em 2018, a coparticipação sobre consultas era de 30% dos valores cobrados; e de 10% sobre os exames.

Para o Sindicato, as cobranças oneram os trabalhadores do BB, que acabam tendo que se responsabilizar sobre os problemas de saúde, quando a assistência médica deveria ser um direito garantido pelo Bando do Brasil. Por isso, a entidade é contra a cobrança da coparticipação.

Contrato de saúde ocupacional

Os representantes da mesa de negociação também questionaram a diretoria da Cassi sobre a redução no valor do contrato de PCMSO (programa de saúde ocupacional que atende os empregados do BB) em R$ 9 milhões, com retorno para a Cassi de 4% da RDO (Receitas de Despesas Operacionais), inferior à despesa administrativa, que fica entre 7% e 8%.  Além disso, nos convênios de reciprocidade, a Cassi tem RDO em torno de 12%.

Para a diretora Goretti Barone, os motivos para reduzir do valor contratual não estão claros e precisam ser justificados ao corpo social. “Ter transparência na execução dos contratos é fundamental. Se não foi apresentado alteração na prestação dos serviços nem redução da demanda, por que reduzir o valor do contrato? É no mínimo questionável que a Cassi abra mão de receita, enquanto os empregados pagam cada dia mais para usar o plano. Isso precisa ser melhor explicado”, pondera Goretti.

 

Com informações da Anabb