A Caixa iniciou nesta semana um grande processo de reestruturação em todo o país que implica em desocupação de quase duas centenas de prédios com mudanças de departamentos inteiros para outros endereços. As mudanças, que estão sendo feitas sem planejamento, pegaram os empregados de surpresa. Muitos bancários e bancárias chegaram para trabalhar nessa segunda-feira, 30, e se chocaram ao saber que a empresa não funcionava mais naquele endereço.
Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Rita Lima, a reestruturação, da maneira como está sendo conduzida, mostra o total desrespeito da atual direção do banco pelos seus empregados. “Imagine que você trabalha numa das maiores empresas do país, com mais de 84 mil funcionários, que não planeja uma reestruturação que envolve milhares de empregados em todo o país”.
Rita Lima prossegue: “Pois bem, você chega para trabalhar e descobre que a empresa que funcionava naquele endereço há anos simplesmente desapareceu. É tudo tão improvável que você trata aquilo como um sonho, ou melhor, um pesadelo. Mas é tudo real. Infelizmente é assim que a direção da Caixa vem tratando seus empregados, como meras mercadorias que eles mudam de um lado para outro na hora que bem entendem. Essas mudanças trazem impactos para as rotinas dos empregados e de seus familiares. É o cúmulo do desrespeito”, desabafa Rita Lima.
170 imóveis
Segundo a Caixa, cerca de 170 imóveis não terão seus aluguéis renovados e outros prédios serão vendidos. Como não houve planejamento, os empregados estão perdidos e correm o risco de serem transferidos para outras cidades e de perderem suas funções, faltando poucos dias para o fim do ano. “Mais uma vez o que estamos vendo é o desrespeito da direção da Caixa com os empregados. Até o momento não tivemos nenhuma informação oficial do que está acontecendo. E o que estamos vendo é uma medida da Caixa que está gerando pânico e insegurança entre os trabalhadores”, afirmou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.
As primeiras informações sobre a devolução dos prédios da Caixa começaram a circular na última sexta-feira, 27, durante a apresentação do balanço do terceiro trimestre do banco. As mudanças estariam ligadas às áreas da vice-presidência Rede de Varejo (Vired), vice-presidência Tecnologia e Digital (Vitec), vice-presidência Logística e Operações (Vilop). Gerências como de tecnologia (Gitec), de logística (Gilog), de segurança (Giseg) e de Alienação de Bens Móveis e Imóveis (Gilie), teriam as filiais extintas e parte de suas atividades seriam transferidas para centralizadoras que seriam criadas.
O processo de despejo também está atingindo as gerências Executivas de Governo (Gigov) e gerências Executivas de Habitação (Gihab), áreas responsáveis pelo planejamento urbano dos municípios.
Espírito Santo
Empregados da Caixa no Espírito Santo também estão sendo afetados pela reestruturação. Rita Lima conta que o Sindicato conseguiu apurar as informações sobre as mudanças nessa quarta-feira, 02. “Soubemos que a Gihab e a Gigov, hoje no edifício Greenwich Tower, na Enseada do Suá, estão se mudando para a sobreloja do edifício Castelo Branco, no Centro de Vitória. As superintendências da Gihab e Gigov já se mudaram para o 3o andar do Edifício Beira-Mar.
“A falta de planejamento tem sido uma marca do Governo Bolsonaro. Basta avaliar como a gestão da pandemia tem sido conduzida, um verdadeiro caos, uma tragédia que já matou mais de 173 mil pessoas. Essa bagunça se repete na economia, política, educação e por aí vai. E ainda temos que ouvir o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, creditando à sua gestão o pagamento do auxílio emergencial e outros benefícios sociais a milhares de pessoas. O feito épico de pagar os benefícios a mais de 120 milhões de brasileiros só está sendo bem-sucedido graças aos bancários e às bancárias da Caixa, que não se furtaram de encarar a covid para que a Caixa cumprisse sua função social e fizesse o benefício chegar aos que mais necessitam”, enfatiza Rita Lima.
CEE questiona medida da Caixa
Por meio de um ofício, a Contraf, assessorada pela CEE/Caixa, questionou o banco quanto ao deslocamento dos empregados e a falta de negociação da direção da Caixa com os trabalhadores, como garante o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo o documento, a reestruturação deveria ser comunicada e negociada com trabalhadores, respeitando os termos previstos no ACT. O documento solicita também informações sobre como se darão as alterações nas lotações e a desocupação dos prédios.
A dirigente do Sindibancários destaca que uma carta aberta em repúdio à reestruturação também foi encaminhada nessa quarta-feira à direção da Caixa. Assinaram a carta a Aneac, Fenae, Fenag e Social-Caixa. Ela acrescenta ainda que a reestruturação será uns dos temas tratados com a Caixa na rodada permanente desta quinta-feira, 03.
Rita Lima diz que o Sindicato vai fiscalizar de perto o processo de reestruturação no Estado. “Vamos observar se os padrões ambientais e estruturais obedecem às normas exigidas para que os empregados possam desempenhar suas funções com segurança. Devido à pandemia, vamos ficar atentos também às condições sanitárias, a garantia de distanciamento entre os empregados, ventilação e outros cuidados preventivos que devem ser observados para evitar a propagação da doença”, finaliza.

