A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido de R$ 3,2 bilhões no terceiro trimestre de 2022. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o lucro cresceu apenas 0,5%. No acumulado dos nove meses do ano, o banco registrou lucro líquido contábil de R$ 7,6 bilhões, o que representa uma redução de 46,1% em relação ao mesmo período de 2021, quando a Caixa registrou R$ 14,1 bilhões de lucro.
O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Ronan Teixeira afirma que a queda do lucro nos dos nove primeiros meses de 2022 em comparação a 2021 se explica pelas operações extraordinárias realizadas no ano passado, que acabaram inflando os resultados. O dirigente recorda que a Caixa fez, em 2021, a Oferta Pública Inicial (IPO) da Caixa Seguridade, operação que rendeu cerca de R$ 5 bilhões para o banco. “No ano passado, a Caixa também vendeu as ações que detinha no Banco Pan. Essas operações extraordinárias jogaram o lucro artificialmente para cima. Agora voltamos à realidade. É preciso destacar também que as vendas desses ativos comprometem os resultados do banco, que perdeu receitas a partir deste ano”, sublinha Ronan.
O dirigente afirma que Pedro Guimarães, que deixou a Caixa no final de junho após ser denunciado por assédio sexual e moral, vinha enaltecendo os resultados do banco em cima de oprações não sustentáveis, como a venda da Caixa Seguridade.
Ronan acrescenta também que a Caixa foi usada eleitoralmente nos últimos meses pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele cita como exemplo o controverso consignado do Auxílio Brasil, que alcançou R$ 5,5 bilhões de crédito somente até o final de outubro. O ritmo acelerado de liberação dos empréstimos consignados da Caixa entre o primeiro e segundo turnos das eleições, destaca Ronan, chamou a atenção do Ministério Público de Contas, que pediu a suspensão dos empréstimos. A Caixa acabou suspendendo os empréstimos dois dias após o segundo turno das eleições e ainda não retomou as operações do consignado do Auxílio Brasil.
O consignado do Auxílio Brasil associado a outras operações de crédito da Caixa, feitas intencionalmente para somar votos para Bolsonaro, geraram, segundo análise de Rita Serrano, do Conselho de Administração da Caixa, uma diminuição de liquidez acentuada num período curto. Em sua análise sobre os resultados referentes ao terceiro trimestre, a conselheira enfatizou a necessidade de o Conselho acompanhar esses indicadores mais de perto. Ela ressaltou, porém, que a Caixa se mantém dentro dos limites prudenciais e legais.

