Setores da educação convocam greve nacional de 48h a partir desta quarta, 02

01/10/2019 16:05

Paralisação será encerrada com ato em frente à sede da Petrobras, unindo pauta da educação e defesa das estatais

Protesto de estudantes contra o corte de verbas na educação, em Vitória, no dia 31 de maio. Foto Sérgio Cardoso

Profissionais da educação e estudantes promovem nesta quarta e quinta-feira, 02 e 03 de outubro, uma greve nacional da educação em oposição à política educacional do governo Jair Bolsonaro.

A orientação é que sejam realizadas atividades internas no dia 02 e manifestações de rua no dia 03. No Espírito Santo, um ato público está sendo convocado com concentração às 17h na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). De lá, os manifestantes seguem para a sede da Petrobras, na Reta da Penha, onde se somarão ao protesto em defesa da soberania nacional e contra as privatizações, que marca o aniversário de 66 anos da petrolífera, em calendário de mobilização também nacional.

Em nota publicada pelas entidades da educação, elas afirmam que o setor tem sido alvo do governo federal e de seus seguidores nos estados, citando os bloqueios de verba para as universidades e institutos federais; a perseguição a professores através de orientações do programa “Escola sem Partido”; a precarização das condições de trabalho e ensino e a ameaça de fim dos concursos públicos.  O comprometimento da ciência e da tecnologia também é denunciado, em referência à redução de recursos para pesquisa.

Em março, o governo anunciou corte de R$ 5,8 bilhões nas verbas destinadas às universidades públicas e programas de fomento à pesquisa, gerando uma onda de protestos em todo o país. Segundo levantamento publicado em julho pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), a educação é o segundo setor mais atingido pelos cortes orçamentários do governo. Como reflexo dos cortes, universidades federais tiveram que lançar planos de contingenciamento, a exemplo da Ufes, que anunciou corte de 50% das despesas de manutenção e equipamentos, limpeza e material de consumo, chegando a limitar até o uso de ar condicionado nas salas de aula.

As entidades da educação rechaçam ainda o programa Future-se, que aprofunda o processo de privatização das universidades públicas por meio de parcerias com o setor privado.  Dentre outras coisas, o programa permite que Organizações Sociais (OS) sejam contratadas para fazer a gestão das universidades e institutos federais, prevê a captação de recursos do setor privado para financiamento de pesquisas e a constituição de um fundo imobiliário para a venda de imóveis ociosos que façam parte do patrimônio da União, além da contratação de professores se concurso, via CLT, por meio das OSs. No Estado, a adesão ao programa foi rejeitada por unanimidade pelo Conselho Universitário da Ufes.