Nesta quarta-feira, 12 de janeiro, o Sindicato dos Bancários/ES completa 88 anos de luta em defesa da categoria bancária capixaba. Para o diretor do Sindicato Jonas Freire, essa luta contra os detentores do capital, durante quase nove décadas, sempre foi acirrada, mas os ataques à classe trabalhadora ganharam contornos dramáticos sob o governo Bolsonaro.
“Este governo se transformou numa fábrica de medidas provisórias para retirar os direitos que restaram ao trabalhador depois das reformas trabalhista e previdenciária. Não há um dia sequer de trégua. O trabalhador virou alvo preferencial deste governo e dos que o apoiam. Não bastasse, ainda estamos enredados numa pandemia que parece sem fim. Tem sido um desafio dobrado para o movimento sindical organizar a luta para combater um governo necroliberal e ao mesmo tempo se defender de um vírus que já sepultou mais de 620 mil brasileiros e brasileiras”.

Depois da reforma trabalhista, em 2017, os ataques à classe trabalhadora se intensificaram a partir de 2019. O Sindibancários/ES esteve presente em todos os atos pelo #Fora Bolsonaro e Mourão (Foto: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)
É nesse campo inóspito, repleto de armadilhas para o trabalhador, que o Sindicato tem feito sua luta. Para o dirigente, a estratégia do capital, com as reformas e as medidas provisórias, é enfraquecer os sindicatos para quebrar a última barreira de resistência que resta ao trabalhador. “Sem o Sindicato, não temos como organizar a luta em defesa da classe trabalhadora. Fortalecer o movimento sindical sempre foi importante, porque as conquistas acontecem nas trincheiras de luta. Neste momento, mais do que nunca, dependemos do apoio dos bancários e das bancárias para manter essa frente de resistência e luta”, enfatiza Jonas.
Bancários e bancárias destacam união da categoria
As conquistas acumuladas aos longo desses anos só foram possíveis com a participação dos bancários e das bancárias (ativos e aposentados), que se mantiveram entrincheirados, junto com a entidade, durante as diversas batalhas travadas com os bancos ao longo desses quase 90 anos. A seguir, confira o depoimento de bancários e bancárias em menção ao aniversário de 88 anos do Sindicato.
Associado ao Sindicato desde 1983, a aposentada Wana Maria Rocha, que deixou o BB há seis anos, destaca a trajetória de luta do Sindibancários. “O Sindicato dos Bancários não é apenas uma referência para a categoria, mas para o movimento sindical capixaba por sempre ter assumido uma posição de vanguarda”.
Referindo-se à atual conjuntura política do governo federal, adversa à classe trabalhadora, Wana diz que mais do que nunca o movimento sindical se torna necessário. “O maior desafio dos sindicatos neste momento é resgatar a mobilização. É com a mobilização que conseguiremos fazer a luta”, enfatiza.
Na opinião de Ana Lúcia Rauta, é o movimento sindical que impulsiona a categoria e a mantém unida. “Hoje somos uma das categorias mais unidas do país por causa dessa organização sindical”. Ana reconhece que o momento é extremamente difícil para a classe trabalhadora em geral.
“Esses dois últimos anos, sem dúvida, foram os piores destes 14 anos de Caixa . Nós, trabalhadores e trabalhadoras, estamos sendo atingidos o tempo todo por este governo, que tenta convencer a sociedade de que os trabalhadores atrapalham a economia. A atual política segue na contramão de todas as conquistas que acumulamos ao longo destes anos”, aponta a bancária da Caixa.
A banestiana Zenóbia Fialho destaca que o Sindicato, ao longo de sua trajetória, tem defendido com empenho os direitos dos bancários e das bancárias. “Sabemos que as lutas são feitas de vitórias e derrotas. Mas o que importa é estarmos lutando sempre. Essa luta só tem sido possível com o apoio do Sindicato. Se hoje a categoria bancária tem uma organização nacional, é graças ao movimento sindical”.
Zenóbia, que acumula 34 anos de Banestes, diz que este é o pior momento para a classe trabalhadora. “O trabalhador, de maneira geral, tem sido atacado por este governo. Houve um aumento visível da miséria. Milhões de trabalhadores desempregados ou em atividade precarizados. Os que ainda estão empregados têm perdido direitos e garantias. Vamos torcer para as coisas melhorarem neste ano. Mas para haver uma mudança, a classe trabalhadora terá que promover uma grande mobilização. Será um ano de muita luta”, prevê a banestiana.
“O Sindicato sempre teve e tem uma grande importância para a categoria. Sempre deu suporte aos colegas que eram demitidos. Com o apoio sindical, nossos direitos foram assegurados”, diz José Eustáquio, bancário do Bradesco desde 1987. Ele usa o seu caso como exemplo. José Eustáquio foi desligado do Bradesco a menos de 20 meses de se aposentar. No próximo dia 25, Eustáquio tem uma audiência de reintegração e destaca o papel do Sindicato.
“Mesmo passando por uma situação difícil, estou me sentindo confiante no resultado e seguro porque estou recebendo todo o apoio do Sindicato Isso prova como o Sindicato têm grande importância na vida do trabalhador. Nessa minha jornada de 33 anos de Bradesco, pude ver o Sindicato negociando e conquistando direitos e garantias para toda a categoria”, relata.
Jonas lembra que a data é especialmente oportuna para o Sindicato prestar uma homenagem à categoria bancária do Espírito Santo. “Se o Sindicato é forte e acumula conquistas, é graças à participação e ao engajamento de cada bancário e bancária. Em nome do Sindicato, parabenizamos os bancários e as bancárias capixabas. Vamos juntos. A luta continua!”.
(Foto capa Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)
Confira alguns fatos e fotos da trajetória do Sindibancário/ES

Em 2021, o Sindibancários/ES marcou presença em todos os atos #Fora Bolsonaro e Mourão. (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

Em 2020, no início da pandemia, o Sindicato foi para a porta do Palácio Anchieta criticar a política genocida de Bolsonaro e a leniência do governador Renato Casagrande com os empresários capixabas, que não queriam o lockdown (Foto: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

2019: Sindicato faz mobilização contra o fechamento da agência Banestes no Centro de Vitória (Foto: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

Durante a campanha ao governo de 2018, o então candidato Renato Casagrande assinou termo se comprometendo com o Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual a não vender o Banestes e suas subsidiárias. Três anos depois o governador dá início ao processo de privatização da Banestes Seguros (Foto: Sérgio Cardoso/Sindibancários)

Em maio de 2017, os bancários e as bancárias participaram de uma manifestação que juntou milhares de pessoas na Ufes rumo à Assembleia Legislativa para pedir Fora Temer e diretas já!

Bancários e bancárias participaram do ato em Brasília contra o governo Temer e as reformas trabalhista e da Previdência.

Com o anúncio da abertura de venda de ações da Caixa, em dezembro de 2014, os bancários se mobilizaram e conseguiram barrar o processo. Em 2015, a luta em defesa da Caixa 100% pública foi uma das principais bandeiras da categoria. Mas a ameaça de privatização do banco tornou-se ainda mais ameaçadora no governo Bolsonaro, que deu início a um processo de venda fatiada dos principais ativos da instituição (Foto: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

O Sindibancários/ES participou das manifestações populares em 1992 pelo afastamento do então presidente Collor, com o slogan “Pede a Conta Collor”

Em 2013, os bancários e as bancárias foram às ruas decretar Greve Geral em defesa dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade


O Sindibancários/ES coordenou a criação do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, em 1991, envolvendo vários setores da sociedade. E em 2009, com o anúncio do governador Paulo Hartung da proposta de venda do Banestes para o Banco do Brasil, o Comitê, organizou um plesbicito popular, em que mais de 91% dos capixabas disseram “não” à venda do banco.

Greves, paralisações e ações sindicais foram alguns dos instrumentos utilizados pelos bancários para garantir os direitos da categoria. Em 1986, por exemplo, os bancários conseguiram garantir o auxílio-creche em uma greve nacional que parou 500 mil bancários e foi duramente reprimida pelo Governo José Sarney.

Em 1985, no dia 30 de outubro, os bancários da Caixa entraram em greve durante 24 horas e conquistaram o reconhecimento como bancários e a jornada de trabalho de seis horas. A primeira greve exclusiva dos bancários do Banestes aconteceu em 1987 e resultou em um aumento de 20% nos salários.

Assembleia Geral dos bancários durante Campanha Salarial em março de 1987.







