Após palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), na última sexta-feira, 25, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, declarou com todas as letras que a privatização do BB é “inevitável” num futuro próximo. Novaes disse que tecnologia é um impeditivo para o banco público se manter competitivo no mercado que está sendo dominado por fintechs e bancos digitais. “Do jeito que a modernização do sistema bancário se acelera, neste mundo de inovações constantes, é óbvio que uma instituição pública não vai ter a mesma velocidade de adaptação. (…)”, vaticinou Novaes.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Thiago Duda, criticou as declarações do presidente. “Este governo adota uma narrativa apartada da realidade para desvalorizar as empresas públicas e justificar o processo de privatização em curso. Esse discurso tem se repetido não só com o BB, mas com a Caixa, Petrobras e outras empresas públicas com resultados positivos que são cobiçadas pela iniciativa privada”, apontou.

O diretor sindical disse que a justificativa de Novaes não para em pé. “O BB está parelho com os grandes bancos privados do país quando o assunto é tecnologia. Largamos lá de trás e hoje não devemos nada para os outros bancos nesse quesito. Essa tese de que o BB está no século passado em termos de tecnologia é uma justificativa estapafúrdia para justificar a privatização do banco”.

Ele acrescentou que o BB, na visão do maior encontro de capitalistas do planeta, o Fórum Mundial Econômico, em Davos (Suiça), foi considerado a instituição financeira mais sustentável do mundo. O ranking citado por Duda é o Global 100 de 2019, da Corporate Knights, que avaliou 21 indicadores de desempenho, entre os quais, capacidade de inovação. No ranking geral, que inclui empresas de outros setores, o BB ficou em oitavo. “Resultados como esse, que vêm com a chancela da própria elite do capitalismo mundial, desmontam os argumentos de Novaes, que tenta convencer a opinião pública de que o banco é um estorvo para o governo e por isso precisa ser vendido”, disse Duda.

O desejo de vender o BB é um sonho antigo de Rubem Novaes. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, repercutindo o mesmo assunto, ele admitiu que há 30 ou 40 anos conversara com o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a privatização do banco. Ao Globo voltou a falar da incapacidade do BB em competir de igual para igual com os bancos privados. “Competimos com uma espécie de bola de ferro na canela”, dramatizou.

Depois de revelar seu desejo de vender o banco, Rubem Novaes frisou que essa era uma opinião pessoal. Ele não quis dar pistas se a privatização poderia se concretizar ainda no governo Bolsonaro.