
Vanessa Espíndula, Sérgio Marcio e Bethania Emerick
As diretoras Bethania Emerick, da Secretaria de Mulheres, e Vanessa Espíndula, da Secretaria de Diversidade e Igualdade, acompanhadas do diretor Sérgio Marcio de Toledo, do Conselho de Representantes da Fetraf – RJ/ES, participaram do VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro. O evento, que aconteceu nos dias 6 e 7, na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará, teve uma das maiores adesões da história do Fórum com cerca de 120 participantes inscritos.
Durante o fórum, lideranças sindicais e representantes do movimento negro debateram estratégias para promover a inclusão racial no sistema financeiro, fortalecer a formação política e sindical e combater as diferentes formas de racismo dentro e fora dos bancos.
“A participação do sindicato nesses espaços é muito importante, especialmente pela causa de negros e negras que ainda hoje, infelizmente, são a minoria no sistema financeiro e nós precisamos cada dia mais lutar por políticas afirmativas para garantir a inclusão e participação com igualdade de mais negros e negras nos bancos”, avaliou Vanessa Espíndula.

Diretoras do Sindibancários/ES com as companheiras da Intersindical do Ceará
Desigualdade racial e exclusão social
Apesar dos avanços, os números mostram que o racismo estrutural continua marcando profundamente a sociedade e o mundo do trabalho. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que mulheres negras recebem, em média, 53% menos que homens brancos. No mercado financeiro, a sub-representação da população negra em cargos de liderança e o preconceito velado ainda são realidades que precisam ser enfrentadas.
No país, o racismo também se manifesta de forma brutal nas estatísticas da violência. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 revela que 79% das vítimas de homicídios em 2024 eram pessoas negras, e quase metade (48,5%) eram jovens entre 12 e 29 anos.
No setor bancário, esse cenário de desigualdade racial se repete. Um estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de 2022, feito com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), aponta que 72,6% dos empregados no setor são brancos, apenas 3,3% são pretos e 20,3% são pardos.
“Foi através de muita luta que o povo negro conseguiu a tão sonhada igualdade prevista na Constituição Federal. Mas esse direito não está garantido no ramo financeiro. A realização do Fórum foi de extrema importância para discutirmos essa pauta e traçar estratégias para a inclusão de mais trabalhadores negros no ramo financeiro. É preciso superar o preconceito racial que ainda impera nas seleções de empregados, principalmente nos bancos privados”, enfatiza o dirigente Sérgio Marcio de Toledo.
O mesmo estuda aponta que os cargos de liderança são outro item que revela o preconceito acentuado no setor financeiro, onde 77,2% dos postos são ocupados por brancos; 16,8%, por pardos; e só 2,5%, por negros. Há também um enorme degrau em relação à remuneração do trabalhador negro. Enquanto o salário médio de um homem branco bancário é de R$ 10,2 mil, o de uma mulher negra é de R$ 5,9 mil.
Propostas
Ao final do Fórum, os participantes aprovaram a Carta de Fortaleza, um documento que reúne propostas estratégicas para o enfrentamento do racismo e a promoção da igualdade racial no setor financeiro. Entre as propostas aprovadas estão:
- Realizar formações com temática racial, em parceria com a Secretaria de Formação Sindical;
- Propor projetos de financiamento permanentes para o Fórum Nacional pela Visibilidade Negra e demais ações de formação;
- Incluir trabalhadores terceirizados nas ações e debates sobre racismo;
- Promover atos e manifestações em todas as datas relacionadas à luta racial, com o slogan “Vamos abolir a discriminação e promover a inclusão, por mais contratação de negros e negras nos bancos”;
- Criar e fortalecer Coletivos de Combate ao Racismo em federações e sindicatos;
- Construir protocolos antirracistas com amparo psicológico e jurídico às vítimas de racismo no ambiente de trabalho;
- Acompanhar e monitorar a inserção e ascensão de pessoas negras no sistema financeiro e no movimento sindical;
- Estabelecer parcerias com movimentos negros e realizar audiências públicas sobre a temática racial;
- Defender a implementação da Lei 10.639/2003, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas;
- Cobrar do Estado ações concretas contra o racismo estrutural, a desigualdade e a letalidade da juventude negra;
- Realizar o Fórum Nacional pela Visibilidade Negra anualmente e de forma itinerante. (Fonte: Contraf)

