Sindicato aciona Justiça contra o Banestes para manter grupo de risco em home office

02/10/2020 18:47

Na ação protocolada no último 23, o Sindicato requer que o Banestes suspenda imediatamente a convocação dos empregados para o trabalho presencial, mantendo-os em isolamento até o fim da pandemia

O Sindicato dos Bancários/ES ingressou na Justiça do Trabalho contra o Banestes para assegurar que os empregados do chamado grupo de risco não retornem ao trabalho presencial. Por meio de um comunicado da Diretoria de Administração, o Banestes determinou que a partir do dia 28 de setembro todos os empregados do grupo de risco, ou seja, pessoas que apresentam comorbidades e são mais vulneráveis a ter complicações em decorrência da covid-19, deveriam retornar às atividades presenciais.

No comunicado, o Banestes afirma sem rodeios que o retorno é “imprescindível para a manutenção dos negócios do banco”. De acordo com o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, a justificativa do banco para determinar o retorno dos empregados do grupo de risco “deixa claro que para o Banestes o lucro está na frente da vida”.

Na ação protocolado no último dia 23 na 4ª Vara da Justiça do Trabalho de Vitória, o Sindicato requer a concessão de tutela de urgência antecipada para que, sob pena de multa de R$ 10 mil por trabalhador atingido, seja determinado que o Banestes não convoque os empregados do grupo de risco para o trabalho presencial, mantendo-os em home office até o fim da pandemia.

Na última terça-feira, 29, a Justiça mandou notificar o banco, que tem 48 horas aa partir da notificação para se manifestar. Após a manifestação do Banestes, a Justiça deve se decidir se acolhe o pedido de tutela antecipada do Sindicato que mantém os empregados do grupo de risco em teletrabalho.

“A proteção à vida e à saúde dos empregados deve ser colocada como prioridade neste momento de calamidade pública, principalmente quando o pico da pandemia ainda não foi reduzido”, diz um trecho da ação.

“Os números mostram que a pandemia não está controlada. Temos mais de 132 mil casos confirmados e 3.351 mortes no Espírito Santo. O grave cenário confirma a necessidade de manutenção do estado de alerta e das medidas de prevenção do contágio. São motivos mais do que justificáveis para a manutenção do trabalho remoto dos empregados do grupo de risco ou que coabitam com pessoas com comorbidades”, assinala o dirigente.