Diretores e diretoras do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram virtualmente nessa segunda-feira, 27, com a superintendente de Rede da Caixa no Espírito Santo, Maria do Carmo Gonçalves da Rocha. Na pauta, as denúncias que têm chegado ao Sindicato nos últimos dias informando que os gestores estariam “convidando informalmente” os empregados com comorbidade a retornarem ao trabalho presencial.
De acordo com as denúncias, no “convite”, o gestor sugere a retomada do trabalho presencial mediante ao preenchimento de um formulário no qual o empregado se responsabiliza pelo seu retorno voluntário. Inquirida pelos diretores do Sindicato sobre as denúncias, a superintendente admitiu que o “convite” é uma orientação da direção da Caixa, que está sendo repassada aos gestores. Maria do Carmo normalizou a existência do “convite” e em seguida ponderou que a decisão de retornar ou não é do empregado.
Para o diretor do Sindicato Ronan Teixeira, o “convite informal” é uma prática irregular porque está à margem do processo institucional. “Institucionalmente, o que existe é uma CE que impede o retorno do grupo com comorbidade até o dia 30 de setembro. Aliás, essa data ainda está em aberto e pode ser estendida. Repito, só tem validade o que está regulamentado na CE”.
O dirigente acrescenta que, na prática, o “convite” vira assédio. “O empregado se sente pressionado a suspender o home office e a retornar ao trabalho presencial, mesmo fazendo parte do grupo de risco. A Caixa exige o preenchimento de um formulário para se eximir de qualquer responsabilidade sobre a saúde do empregado que antecipar o retorno. Lá na frente, se o empregado adoecer e tiver complicações com a Covid, a Caixa ainda vai poder usar o termo para responsabilizá-lo”, critica Ronan, que acrescenta: “Se o propósito é antecipar a volta do grupo de risco, A Caixa que assuma a responsabilidade e formalize sua decisão”.
Ordens de cima
Na reunião, a superintendente deixou claro que está apenas repassando aos gestores uma orientação que vem de cima. “A imposição truculenta de decisões arbitrárias tem sido uma marca da gestão Pedro Guimarães. É mais uma atitude covarde do presidente da Caixa que expõe gestores e assedia os empregados em home office”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato, Rita Lima.
A pandemia, alerta a dirigente, ainda não acabou e mesmo quem tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19 pode ser infectado ou transmitir a doença. Ela lembra que o Brasil se aproxima da marca estarrecedora de 600 mil mortes e, neste momento, o Espírito Santo, com 12.539 óbitos, é um dos seis estados do país com a média móvel de mortes em alta.
Rita Lima diz ainda que a convocação oral é uma forma de a Caixa jogar nas costas dos empregados a responsabilidade do retorno ao trabalho e o risco de contágio. “Quem está em home office é por direito à preservação da vida e não deve ceder a qualquer ato de pressão”, enfatiza a dirigente.
Orientação aos bancários
O Sindibancários/ES orienta os empregados e as empregadas da Caixa que estão sendo instados a retornar ao trabalho presencial, que exijam do gestor uma ordem por escrito. Os bancários que se sentirem pressionados, ameaçados ou assediados devem denunciar ao Sindicato por meio do Canal de Denúncias. A denúncia pode ser anônima.

