Em reunião de negociação com o Banestes na tarde desta sexta-feira, 22, o Sindicato dos Bancários/ES cobrou esclarecimentos sobre os protocolos implementados nas agências para casos suspeitos ou confirmados de contaminação por coronavírus. A reunião, que aconteceu por videoconferência, abordou ainda outros temas relacionados aos desdobramentos da pandemia para os empregados do banco.
O encontro contou a participação dos dirigentes sindicais Jonas freire Santana, Alan Sauer, Idelmar Casagrade e Marcelo Giacomim. Representando o banco estavam o gerente de Recursos Humanos, Flávio Diesel, a coordenadora da GEREH, Fernanda Demuner, e um representante do setor jurídico do Banestes.
O banco apresentou ao Sindicato o plano de gerenciamento adotado para casos de contaminação, que segue, segundo a instituição financeira, as notas técnicas da Secretaria Estadual de Saúde. O plano inclui o imediato afastamento e encaminhamento do empregado com sintomas suspeitos ao serviço médico do Banestes para testagem; a identificação e afastamento da equipe de trabalho que teve contato com o empregado e a desinfecção da agência.
Segundo os representantes do Banestes, as equipes de trabalho estão orientadas a manter o distanciamento de dois metros entre cada empregado, como medida preventiva. Além disso, bancários que manuseiam dinheiro ou documentos estão trabalhando com luvas. O banco informou que está adquirindo máscaras de proteção acrílica como complemento às máscaras de tecido, já distribuídas aos empregados.
Sobre o rodízio de empregados, a orientação é que o revezamento respeite as características de cada unidade, como tamanho da agência, número de empregados e demanda de atendimento. Em função das especificidades de cada local, o banco alega não ser possível adotar um procedimento padrão, e que fica a cargo de cada gestor estabelecer as regras. A orientação geral, contudo, é que o rodízio seja implementado sempre que possível, reduzindo o número de funcionários nas agências.
O coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, lembra que os dirigentes sindicais estão acompanhando os casos de contaminação reportados à entidade, e que é importante que os banestianos denunciem o descumprimento desses protocolos, caso ocorra.
Agendamento de férias
O Sindicato também questionou o banco sobre a marcação de férias. Todos os bancários que estavam afastados e que tinham saldo ou férias vencidas tiveram as férias agendadas a partir de maio. Segundo denúncias recebidas pelo Sindicato, o banco não estaria concedendo o abono pecuniário (venda de 10 dias de férias) ou o empréstimo de férias que pode ser requerido pelo empregado.
Em resposta, o banco reconheceu a negativa do abono pecuniário, considerando a necessidade de manter o isolamento social, mas afirmou que o pedido do empréstimo de férias pode ser feito normalmente. A orientação do Sindicato é que, caso o bancário solicite o benefício e receba resposta contrária, ele procure a entidade para providências.
Os dirigentes sindicais reivindicaram ainda a não antecipação das férias de nenhum empregado. Segundo o Banestes, os pedidos de antecipação estão sendo negociados caso a caso, e só são confirmados quando há interesse e concordância do empregado.
“A antecipação de férias e a suspensão do abono pecuniário são permitidos pelas Medidas Provisórias lançadas pelo Governo Federal para atender o empresariado durante a pandemia. Num contexto em que a organização social e a luta dos trabalhadores estão limitadas pela crise de saúde, é ainda mais autoritário lançar medidas que retiram direitos. Por isso temos que questionar e cobrar que o banco não as implemente”, critica Jonas Freire.
Transferência
O Sindicato também apresentou ao banco o pleito dos empregados que solicitaram transferência para agências mais próximas de suas residências para evitar longos deslocamentos durante a pandemia e o uso de transporte coletivo. A resposta do banco foi positiva. O Banestes afirmou que vai tentar viabilizar os pedidos de transferência que chegarem ao banco, respeitando a vontade do bancário, mas analisando as possibilidades de lotação dentro da área em que atua o empregado.
Comitê de crise
A participação no Comitê de Crise do Banestes foi demandada pelo Sindicato como forma de manter um diálogo mais permanente com o banco sobre as reivindicações da categoria e problemas de condições de trabalho durante a pandemia, dando mais celeridade aos encaminhamentos. Por se tratar de um Comitê amplo, cuja pauta envolve questões internas e administrativas, o banco se comprometeu a manter uma mesa de negociação específica e com reuniões mais frequentes com o Sindicato, para que as pautas da categoria sejam apresentadas. Como encaminhamento, uma nova reunião ficou agendada para a próxima quarta-feira, 27.









