
Mesa 5ª rodada de negociações. Comissão Sindicato (esq./dir.): Marcelo Giacomin, Claudio Merçon (Cacau), Vanessa Espíndula, Sandra Bortolon (Dieese) e Jonas Freire. Comissão Banestes (dir./esq.): Daiany Martins Bello, Alexandre Pimenta e Marcio Amorim Campos Bomfim
A comissão do Sindicato dos Bancários/ES se reuniu com os representantes do Banestes para dar andamento às negociações no âmbito do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Na rodada desta quarta-feira (31), a quinta, as discussões foram em torno da Remuneração Estratégica Variável (REV), dentro do eixo pautas econômicas. O Sindicato insistiu no pagamento da REV linear para todos os empregados. Os interlocutores do banco não se posicionaram sobre as reivindicações apresentadas. A exemplo do que ocorreu nas reuniões anteriores, o Banestes ficaram de levar as demandas para serem analisadas pela diretoria.
Na rodada anterior (24/07), que também debateu pautas econômicas (reajuste salarial), o Sindicato contou com a assessoria técnica da economista Sandra Bortolon, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Espírito Santo. A economista, que voltou à mesa nesta quarta, solicitou ao banco na reunião passada alguns dados sobre renda variável para embasar as discussões sobre a REV.
A dirigente do Sindicato Vanessa Espíndula afirmou que algumas informações solicitadas pela economista do Dieese foram atendidas parcialmente ou simplesmente negadas pelo banco. O Banestes alegou sigilo. A dirigente disse também que houve divergências entre a economista dos Dieese e os interlocutores do Banestes na interpretação dos dados apresentados. Sandra ratificou o pedido sobre a remuneração média dos banestianos, apresentado pelo banco, que alegou ter esquecido de anotar a demanda do Sindicato.
A comissão de negociações do Sindicato insistiu que os dados são imprescindíveis para entender a composição dos cálculos da REV. Vanessa destacou que o pleito-chave, que consta na minuta aprovada em assembleia pelos banestianos, é o pagamento da REV de forma linear e sem limite de renda para todos os funcionários. “Hoje apenas 25% da REV são distribuídos linearmente; os outros 75% são distribuídos proporcionalmente, ou seja, quem tem salário menor irá sempre ganhar menos, porque a REV paga de uma remuneração e meia a no máximo três. O sistema de pagamento da REV hoje beneficia quem ganha mais”, sublinhou.
Um dos membros da comissão do Banestes chegou a rebater a tese da distribuição linear, alegando que a diferença deve gratificar melhor o funcionário que assume mais responsabilidades. A economista do Dieese ponderou que o funcionário com mais responsabilidades já ganha mensalmente uma remuneração diferenciada. “A REV linear é a chance de que todos os funcionários recebam ao menos uma vez no ano o mesmo valor”.
Avaliação
O dirigente Jonas Freire afirmou que a comissão de negociações do Sindicato tem proposto um debate qualificado. “Em todas as rodadas temos fundamentado nossas reivindicações a partir de dados, como fizemos na pesquisa sobre adoecimento mental. Temos também levado para a mesa assessores com competência técnica para debater temas específicos, como a Sandra do Dieese. Mas, lamentavelmente, temos percebido que existe uma falta de autonomia para a comissão do banco na mesa de negociações”. Essa falta de autonomia, afirma Jonas, é sintomática, isto é, a direção do Banestes parece estar amarrada às decisões da Fenaban.
“Ora, estamos negociando nosso acordo específico. Não faz nenhum sentido a direção do banco esperar a Fenaban para tomar decisões. Queremos avançar na pauta. Dar a devolutiva das reivindicações que apresentamos na mesa. Concluímos hoje a quinta rodada e o Banestes ainda não nos deu nenhum retorno. Por isso é muito importante que a cada rodada a categoria se engaje na campanha para que possamos sair dessa negociação com conquistas para a categoria”, enfatizou Jonas.
Próxima rodada
A próxima rodada de negociação está agendada para a quarta-feira (07). Os representantes do Banestes e do Sindicato vão discutir as Cláusulas Sociais e Sindicais e a Fundação Baneses.

